Tallison Teixeira, o “Xicao”, não se vê com pressa para entrar na briga direta pelo cinturão peso-pesado do UFC, mas sabe que um confronto com o top ranqueado Sergei Pavlovich no fim de semana no UFC Macau pode acelerar o caminho. De todo modo, o brasileiro afirma que também tem interesse em enfrentar mais um talento russo antes de se colocar de vez na discussão pelo título.
Contexto e evolução de Teixeira
- Teixeira quer ganhar mais espaço na divisão, mesmo sem buscar o título imediatamente.
- O confronto com Sergei Pavlovich no UFC Macau pode adiantar sua escalada no peso-pesado.
- Ele também demonstra interesse em enfrentar outro russo depois de Pavlovich.
Em julho de 2025, quando ainda estava invicto no MMA e com campanha de 1-0 no UFC após finalizar Justin Tafa em apenas 35 segundos, Teixeira conversou com Valter Walker, companheiro de Pavlovich, durante um bate-papo no Sexto Round. Na ocasião, ele dizia estar confiante caso fosse pareado com o russo.
Um ano depois, com a sequência tendo mudado, Teixeira perdeu seu compromisso seguinte para Derrick Lewis também em 35 segundos e, na sequência, voltou a vencer ao superar Tai Tuivasa. Agora, ele enxerga que pode confirmar aquela confiança, ainda que com uma leitura mais “pé no chão” do adversário.
“Eu vejo isso de uma forma mais fundamentada agora. Ainda o considero um cara muito duro. Antes eu dizia que ‘se eu estivesse bem preparado [eu poderia vencer]’, porque eu sabia que era um oponente bem difícil [risos]. Mas não mudou tanto para mim”, declarou Teixeira.
Segundo o brasileiro, Pavlovich segue perigoso, porém ele acredita que o russo pode ter perdido parte do ritmo e da agressividade que tinha antes. Para Teixeira, isso pode jogar a favor do seu plano.
Como Teixeira enxerga Sergei Pavlovich
- Teixeira considera Pavlovich um lutador perigoso e exige preparação máxima.
- Ele acredita que o russo perdeu um pouco do ímpeto e da agressividade de antes.
- O brasileiro treinou cenários tanto para trocação agressiva quanto para luta mais controlada.
Na época em que o duelo foi projetado, Pavlovich vinha de uma vitória por decisão sobre Jairzinho Rozenstruik. Ele também vinha se recuperando de derrotas seguidas para Tom Aspinall e Alexander Volkov.
Depois disso, o peso-pesado emplacou mais um resultado positivo ao vencer Waldo Cortes-Acosta também por decisão cerca de um mês mais tarde. Ainda assim, Teixeira afirma que o adversário segue perigoso, ainda que possa ser um atleta diferente devido ao período mais recente com decisões consecutivas.
“Claro, quando chegar a hora da nossa luta, ele pode ficar como costumava, avançar de forma imprudente e colocar tudo naquele único golpe para tentar encerrar rápido. É uma luta bem imprevisível”, explicou.
Teixeira diz que treinou pensando nessa possibilidade, mas também preparou um plano para caso Pavlovich adote uma postura mais controlada, desacelere o ritmo e tente vencer por pontos. Para ele, sua preparação cobre os dois caminhos.
“Eu realmente acredito que estou bem preparado. Eu me vejo buscando uma finalização. Talvez não no primeiro round, mas quero machucá-lo aos poucos, acertando, causando dano e quebrando ainda mais essa aura”, completou.
“Mas eu vejo uma finalização.”
Impacto no ranking e próximos passos
- Uma vitória sobre Pavlovich colocaria Teixeira entre os primeiros colocados da divisão.
- Ele não quer entrar imediatamente na conversa pelo cinturão.
- Volkov é citado como opção ideal após Pavlovich, caso vença.
Se Teixeira finalizar um adversário do nível de Pavlovich, a tendência é que ele ganhe tração imediata no ranking dos pesos-pesados. Ele, porém, afirma que não imagina entrar “na hora” na briga pelo título mesmo com a vitória.
“Mesmo se eu vencer, eu não acho que eu vá entrar imediatamente na conversa do cinturão. Honestamente, eu nem quero isso agora. Eu sinto que ainda preciso de uma ou duas lutas a mais antes de entrar nessa discussão”, disse.
Na projeção do brasileiro, o resultado poderia levá-lo ao top-5, talvez até ao top-3 da categoria. Enquanto o cenário do peso-pesado segue com o caminho do cinturão confuso, Teixeira comenta como enxerga a divisão no momento.
Com Alex Pereira em um duelo contra Ciryl Gane pelo cinturão interino e enquanto Aspinall se recupera de uma lesão séria no olho, o “Xicao” aponta Alexander Volkov como o adversário que faria mais sentido como próximo passo caso ele vença Pavlovich.
“Talvez uma luta com Volkov agora faça sentido. Dois russos seguidos? Seria engraçado”, brincou.
Por que Teixeira acredita que Volkov seria “mais fácil”
- Volkov venceu 6 das últimas 7 lutas no octógono.
- O único tropeço recente foi uma derrota controversa por decisão dividida para Ciryl Gane.
- Teixeira diz que confia mais em um duelo contra Volkov do que contra Sergei.
Volkov, de acordo com o retrospecto citado por Teixeira, venceu seis das últimas sete apresentações no octógono. A única falha desse período foi uma derrota por decisão dividida, descrita como polêmica, para Gane.
O russo chega para o cenário lembrado por Teixeira após vitórias por decisão sobre Jailton Almeida e Waldo Cortes-Acosta, lutas que geraram bastante contestação entre parte dos fãs. Mesmo assim, o brasileiro sustenta que se sentiria mais à vontade contra ele.
“Eu acho que essa luta seria mais fácil do que a contra o Sergei. Eu realmente acredito nisso. Talvez porque o Volkov é um cara muito grande. Acho que eu teria mais facilidade para trabalhar contra alguém com esse perfil porque é algo mais parecido com o meu estilo”, avaliou.
Teixeira também ressalta que é muito eficiente para fechar distância. Ele disse ainda que, durante o camp, treinou com um dos atletas de Plinio que é maior do que ele, o que teria contribuído para a adaptação contra o tamanho do adversário.
“Se você sabe fechar a distância e administrar isso bem, mesmo sendo mais baixo e com menos alcance, pode funcionar. Então eu não acho que lutar com Volkov seria tão diferente. Obviamente, ele é duro e perigoso, mas, comparativamente, eu vejo que o Sergei traz mais risco do que o Volkov”, concluiu.
Treino com Alex Pereira e Glover Teixeira
- Teixeira treinou em Danbury com Alex Pereira e Glover Teixeira.
- O brasileiro diz que o trabalho ajudou tanto na preparação para Pavlovich quanto na evolução no MMA.
- Ele comenta a abordagem de Glover: ajustes baseados no que o atleta já faz bem.
Para o compromisso na China, Teixeira relatou que treinou com “Poatan” Alex Pereira e com Glover Teixeira em Danbury. Ele afirma que o período serviu não só para ajustar detalhes contra Pavlovich, mas também para evoluir como lutador completo.
“A luta mais perigosa é sempre a próxima, e dessa vez não é diferente”, disse. Segundo ele, treinar com Alex foi importante por ser um atleta experiente e com um histórico grande em confrontos de trocação, em que todos os dias há algo novo para absorver.
Já Glover, na visão do brasileiro, contribuiu principalmente no jogo de chão: trocas sobre grappling, além de pontos ligados à trocação, movimentação e trabalho de jaula.
Teixeira também contou que conversou com Glover sobre o próprio momento no jiu-jitsu. Ele admitiu que não tem mais exatamente o mesmo nível que tinha no passado, mas que também ainda não alcançou um “MMA jiu-jitsu” verdadeiramente efetivo.
“Eu estou no meio do caminho agora. Eu ainda estou evoluindo para ter um jiu-jitsu realmente eficiente no MMA, mas isso leva tempo. E quando o Glover treina com a gente, a pressão que ele coloca é absurda”, afirmou.
Outro ponto que o brasileiro destacou foi a forma como o treinador trabalha: ele não quer que o atleta copie o estilo dele. Em vez disso, o foco é identificar o que o lutador já faz bem, apontar o que precisa melhorar e incluir detalhes para apurar o jogo próprio.
“Eu gosto muito disso nele. Ele olha o que você já faz bem, o que você precisa melhorar, e adiciona pormenores para você deixar seu combate mais afiado. Eu acho isso bem interessante. Ele não quer que você lute exatamente do jeito que ele lutava”, completou.
Cardio, tempo de luta e o que causou a fadiga
- Teixeira brincou que muita gente vai atribuir a melhora necessária ao condicionamento.
- Ele explicou que a queda de fôlego na luta mais recente foi ligada à adrenalina.
- Ele citou fatores como fuso horário, derrota anterior e pressão por lutar na casa do adversário.
Teixeira ainda brincou que, após sua última luta no UFC, a questão do cardio seria o principal ponto que muita gente gostaria de ver evoluir. O combate citado foi uma decisão de 15 minutos contra Tai Tuivasa.
Mesmo assim, ele detalhou o que acredita ter provocado a sensação de cansaço naquela noite em Sydney. Para o brasileiro, o problema estaria mais relacionado à adrenalina do que a uma falha estrutural no condicionamento.
“Eu acho que foi muito mais a adrenalina que foi drenando em mim naquela hora. Antes da luta, eu até falei pro meu treinador: ‘Eu acho que eu devo parar de aquecer porque meu coração está acelerado demais. Meu tanque de gás já está indo embora’ [risos]. Fuso horário, voltar de uma derrota, lutar na cidade do outro cara, tudo isso traz uma pressão extra”, disse.
Teixeira também lembrou que Tuivasa é um oponente difícil de nocautear. Ele descreveu que o rival tem “queixo de ferro” e, mesmo nos instantes finais de um round, quer ficar de pé e trocar golpes. Ainda assim, o brasileiro afirmou que esperava um combate duro e reconheceu detalhes que pode ajustar para evoluir.

