Francis Ngannou acredita que o MMA dos pesos-pesados não é mais o mesmo de antes. Ex-campeão da divisão no UFC, o camaronês (18-3) se separou da organização em 2023, e a ruptura não foi amistosa — ainda assim, ele conseguiu seguir com um objetivo antigo: voltar a competir e enfrentar dois dos maiores nomes do boxe, Tyson Fury e Anthony Joshua, em lutas de grande apelo fora do circuito tradicional do octógono. Depois disso, Ngannou só voltou a lutar uma vez no MMA, desde então, e foi justamente em um momento decisivo para sua carreira: em outubro de 2024, ele nocauteou Renan Ferreira no primeiro round para conquistar o título dos pesos-pesados no PFL Super Fights.
Ao comentar o cenário atual da categoria, “The Predator” apontou que a atual fase do peso-pesado tem sinais claros de desgaste e dificuldade de organização, usando como referência o momento vivido pelo campeão dos pesos-pesados do UFC, Tom Aspinall, que vem enfrentando um atrito com a promoção. Para Ngannou, esse tipo de problema ajuda a explicar por que a divisão estaria perdendo força no formato em que foi construída ao longo dos anos. “Eu acho que existe muita coisa, eu diria, uma má gestão”, afirmou. “Tem muita má gestão que, às vezes, faz com que algumas situações sejam resolvidas do jeito errado e é aí que a gente está hoje. Você vê, até agora, tem muitos pesos-pesados por aí como o Tom Aspinall. Ele está passando por dificuldades com isso.”
Ngannou reforçou que, quando fala em “má gestão”, não está mirando apenas o trabalho de empresários e profissionais de carreira, mas sim o gerenciamento do próprio ecossistema de eventos e negociações, sugerindo que o problema está mais no caminho escolhido pelas promoções do que em escolhas individuais. “Eu acho que existe uma má gestão. Você vê todas essas situações que não chegam nem para entreter. Quando eu digo má gestão, eu não estava falando de, tipo, managers. Eu estava falando principalmente da promoção. Então eu acho que tem algo assim aí, que não está certo”, completou.
Agora, Ngannou volta a entrar no octógono quando enfrenta Phillipe Lins (18-5) no evento inaugural de MMA da MVP, no dia 16 de maio, em Intuit Dome, em Inglewood, na Califórnia. Lins chega como um veterano experiente, embora não tenha o mesmo peso de cartaz que Ngannou carrega no cenário internacional, fator que costuma pesar quando o assunto é negociação de grandes nomes.
Na avaliação de Ngannou, a realidade atual do esporte, com múltiplas organizações competindo pelo mesmo público e pelos mesmos lutadores, torna mais difícil que atletas consigam seguir apenas por “nomes” específicos. “Hoje em dia, com todas essas empresas diferentes, é difícil simplesmente focar em um nome, ‘eu quero esse nome, eu quero esse cara’”, disse ele. “Eu fiz isso por um tempo, e não funcionou tão bem. A gente pode pegar um bom exemplo da luta do Jon Jones, que a gente vem falando há cerca de seis anos desde que eu lutei contra Jairzinho Rozenstruik, a ponto de ficar até meio chato de conversar. Então, qualquer luta que fizer sentido, qualquer adversário que faça sentido para enfrentar, é só lutar. Lembre que o objetivo, no fim das contas, é lutar.”

