Melquizael Costa fará sua primeira experiência como principal atração em um evento do UFC na noite de 16 de maio. A data chega em um momento de disputa intensa no mercado de lutas, com o UFC enfrentando a concorrência de ligas como PFL e Bellator nos últimos anos — e agora com um ingrediente ainda mais chamativo: o primeiro show do MVP no streaming, pela Netflix. A diferença, porém, é que o palco em Las Vegas terá um duelo que coloca Costa e seu adversário, Arnold Allen, como foco do público do evento.
O card do UFC em Vegas 117 terá o duelo entre Ronda Rousey e Gina Carano como grande destaque do MVP MMA, enquanto o UFC Vegas 117 traz Allen x Costa como luta principal. Antes do confronto principal, o coevento principal será Doo Ho Choi contra Daniel Santos. No restante da programação, apenas duas lutadoras aparecem ranqueadas: Ketlen Vieira e Jacqueline Cavalcanti, que se enfrentam nas lutas preliminares.
“Vai ser na APEX, mas ainda é o main event”
Em entrevista, Melquizael Costa tratou o fato de o evento ocorrer na APEX como um detalhe logístico, mas reforçou que a responsabilidade de encabeçar o card continua sendo a mesma. Ele comentou que, na caminhada para a luta, não haveria propagandas tocando durante a música de entrada — apontando que ficou irritado com uma situação parecida em outra ocasião.
“Vai ser na APEX, mas ainda vai ser o evento principal”, afirmou Costa. “Não vai ter anúncio durante a minha música de entrada. Fiquei chateado com isso da última vez [risos]. O show vai estar pronto para mim. A única coisa é que vou competir com as pessoas que estão do outro lado, na Netflix. Se fosse a Ronda de anos atrás, aí tudo bem… mas é a Ronda de hoje, então estou tranquilo. Eu confio no meu jogo [risos].”
O brasileiro também acredita que os fãs terão “bastante tempo” para acompanhar suas lutas no Paramount+ antes de os principais nomes do MVP MMA entrarem no octógono. Ainda assim, quando o assunto é concorrência de audiência, Costa cravou que o estilo dele tende a ser mais empolgante do que possíveis confrontos “sem emoção” no streaming concorrente.
“Se você me perguntasse se eu prefiro abrir o card do UFC 328 ou encabeçar esse evento, eu ainda escolheria encabeçar este, porque é a minha primeira vez em um pôster”, declarou. “Não me importa se o Canelo Alvarez estiver lutando na mesma noite — nem estou prestando atenção nisso. Não muda nada, cara. Eu ainda vou roubar a cena. Eu confio no jeito que eu luto, as pessoas vão gostar. E, além disso, provavelmente vai ter muita luta ‘sem graça’ na Netflix. Vão falar: ‘O Melk está lutando, deixa isso aqui e vai no outro’. ”
Desafio extra: “Ela luta por atenção lá, eu luto por atenção aqui”
Costa ainda ampliou o raciocínio para a ideia de que o próprio fato de encabeçar o evento vem acompanhado de um obstáculo. Ele citou diretamente a comparação com o protagonismo de Ronda Rousey, como se a noite trouxesse uma espécie de “duelo paralelo” por atenção do público.
“Já te aconteceu de alguma coisa vir fácil pra mim, meu irmão? Sempre tem algum tipo de desafio”, continuou. “Tipo: ‘Você vai encabeçar o card, mas vai ter que competir com a Ronda’. Beleza, fechado. Ela luta por atenção lá, eu luto por atenção aqui [risos].”
Planos para 2026 e aposta na próxima oportunidade pelo cinturão
O lutador também relembrou uma previsão feita em fevereiro: a ideia de lutar três vezes ao longo de 2026, com a última dessas apresentações já direcionada a uma disputa de título. Na visão dele, o triunfo sobre Arnold Allen pode colocá-lo diretamente no caminho de uma luta por cinturão.
Além disso, Costa projetou um cenário em que o campeão peso-pena do UFC, Alexander Volkanovski, “passaria por cima” de Movsar Evloev e, em seguida, encerraria a carreira. Com isso, ele aposta em uma faixa vaga abrindo oportunidades para quem estiver em ascensão na categoria.
“O UFC também é justo”, disse Costa ao explicar por que acredita que Evloev será o próximo passo relevante. “Não basta ficar só latindo. Você sabe? Se o Jean [Silva] tivesse nocauteado o Evloev, aí sim teria uma narrativa e tudo mais. Mas ele vem de uma vitória. E a última derrota dele foi para um cara que perdeu duas vezes para o Volkanovski. Agora é a vez do Evloev.”
Ele seguiu no tom de confiança, afirmando que colocará como objetivo que, depois do confronto contra Allen, sua próxima luta já seja pelo cinturão. Costa mencionou a possibilidade de, inclusive, enfrentar Jean Silva e também citou outros nomes que, segundo ele, podem bagunçar (ou reorganizar) o topo da divisão antes que ele chegue ao posto máximo.
“Eu estou colocando na minha cabeça que, depois desta luta, a próxima já vai ser direta pelo cinturão”, continuou. “Pode até ser contra o Jean. Yair Rodriguez está escondido em algum lugar que ninguém sabe [risos]. O Aljamain Sterling venceu a última luta, mas não foi naquele estilo. Tem [Lerone] Murphy, que perdeu, Diego Lopes… Se o Diego Lopes perder [para Steve Garcia], a divisão volta a ficar toda bagunçada. Mas mesmo se ele vencer, provavelmente não vai ganhar uma disputa de título também. Aí sobrariam os caras que estão subindo no ranking.”
Família em Las Vegas e promessa de nocaute sobre Allen
Para além da disputa esportiva, Costa terá um fator pessoal inédito em Las Vegas: pela primeira vez, ele espera estar acompanhado da esposa e do filho no local. Segundo ele, ambos receberam vistos para entrar nos Estados Unidos, algo que dá um peso emocional especial ao sábado.
Com a família no entorno do evento, Costa também acredita que o UFC pode acelerar os próximos passos dele em 2026. A justificativa é direta: ele espera ser o primeiro homem a interromper Arnold Allen antes do tempo.
“É um match perfeito”, declarou. “O Arnold Allen é um trocador, um striker, mas depois que ele comer alguns dos meus chutes, ele vai querer me levar pra baixo. Todo mundo faz isso [risos]. Mas eu não vejo essa luta indo até o fim. Eu acredito que vou nocauteá-lo. Vou ser o primeiro cara a nocaute ar o Arnold. Ele vai ser o terceiro adversário consecutivo que eu derrote e que ainda não tinha sido nocauteado antes.”
Na sequência, Costa descreveu como enxerga o pós-luta, sem criar “cenários” distantes. Para ele, o foco é esmagar Allen e ver o impacto psicológico que isso causaria no restante da categoria.
“Perguntam o que eu imagino depois dessa luta. Eu não imagino nada. Eu imagino eu batendo o Arnold Allen até ele não ter mais resposta e todo mundo vai ficar com medo de mim. Todo mundo vai ter medo. E, sinceramente, eu já estou acostumado com isso. Eu gosto quando as pessoas dizem: ‘Ah, desta vez ele não vai conseguir’. Eu ouvi isso a vida inteira, então na verdade isso me deixa feliz quando falam isso. Eu prefiro ser o azarão do que o favorito. E contra o Arnold Allen, muita gente acha que, se eu vencer, vai ser por decisão e tal… mas olha, eu também estou pronto para uma decisão. Só que não tem mistério. Eu vou pra lá e vou esmagar ele com chutes. Ele sabe disso, eu sei disso, todo mundo sabe. O que ele não sabe é quando vai chegar.”

