A Most Valuable Promotions (MVP), comandada por Jake Paul e pela ex-executiva do UFC Nakisa Bidarian, está pronta para dar um passo grande no MMA. A empresa planeja um megacard para 16 de maio, com Ronda Rousey voltando ao octógono para enfrentar Gina Carano no evento principal.
O show terá transmissão pela Netflix, plataforma de streaming que lidera o mercado global, com mais de 325 milhões de assinantes. Com esse alcance, a tendência é que Rousey x Carano possa se transformar no evento de MMA mais assistido da história, ampliando ainda mais o impacto de uma luta que já nasce como “mainstream”.
Além do duelo principal, a MVP também fechou um confronto entre o ex-campeão peso-pesado do UFC Francis Ngannou e Philipe Lins. No restante do card, Mike Perry encara Nate Diaz em uma luta que, pelo estilo dos dois, promete gerar grandes momentos e tensão do início ao fim. A aposta da organização, neste primeiro ciclo no MMA, parece clara: colocar nomes de apelo popular e atletas com capacidade real de entregar espetáculo.
Antecedentes
Até aqui, a MVP tinha como foco principal a promoção de lutas de boxe. Justamente por isso, o potencial do card de 16 de maio pode determinar se a empresa seguirá investindo em MMA no longo prazo.
Bidarian foi direto ao ligar o futuro do projeto ao desempenho do evento. Em conversa, ela indicou que a decisão passa pelo resultado do dia 16. Segundo a executiva, a organização está colocando “armas” e recursos — incluindo poder de fogo promocional, força de estrelas e distribuição — para maximizar o alcance do show. Caso o evento funcione, a MVP pretende continuar envolvida com o MMA por um bom tempo.
O contexto também pesa: após a produção da luta de Jake Paul contra Mike Tyson, que atingiu pico de mais de 100 milhões de espectadores na Netflix, a entrada da empresa no MMA carrega uma expectativa semelhante de impacto. No caso de Rousey, há um elemento adicional que aumenta o interesse do público: a lutadora retorna para competir novamente pela primeira vez em 10 anos.
O mesmo tipo de “chamada” existe para Carano. A atleta, que recentemente tem se dedicado mais à carreira de atuação, não disputava uma luta desde 2009, quando perdeu para Cris Cyborg em evento do Strikeforce.
Mesmo com todo esse potencial, Bidarian destacou que a MVP não pretende competir diretamente com a estrutura do UFC. A organização rival mantém um elenco com centenas de lutadores e realiza eventos quase todos os fins de semana, criando um ritmo contínuo que é difícil de igualar. O caminho da MVP, no MMA, é apostar em eventos grandes, de alto apelo, que agora a promoção chama de “blockbuster live events” (BLEs).
A estratégia e a força da parceria com a Netflix
Na visão de Bidarian, a Netflix é uma peça central do quebra-cabeça para promover Rousey x Carano. Ela também demonstrou esperança de que essa parceria continue no futuro, citando que a plataforma já exibiu diversas atrações da MVP, incluindo Paul x Tyson e Paul x Anthony Joshua.
Ao comentar o papel da emissora, Bidarian reforçou que a Netflix funciona como um diferencial para colocar o produto em um nível de distribuição e exposição compatível com “topo de prateleira” para os atletas. Por isso, 16 de maio deve servir como termômetro do que é possível alcançar com esse tipo de entrega.
Ela também expressou confiança de que o evento poderá figurar entre os mais assistidos da história do MMA, em uma lógica semelhante à usada para projetar o desempenho de Paul x Tyson nos Estados Unidos, buscando superar recordes de streaming diante de qualquer outro tipo de conteúdo.
Com o resultado de maio, a executiva disse que a MVP pretende se sentar com a Netflix — ou outros parceiros de distribuição — para discutir qual será a estratégia para o MMA daqui para frente. Por outro lado, ela afirmou que não houve falta de interesse de atletas em se envolver no projeto.
O pós-luta e a aposta na confirmação do projeto
Apesar de tudo depender do sucesso do evento principal, Bidarian se mostrou confiante de que o card vai entregar o esperado. Na avaliação dela, trata-se de um evento de “crossover” para o público mais amplo, com apelo que vai além do fã tradicional de MMA.
Ela ainda ressaltou a combinação de dois fatores: a capacidade de reunir estrelas com força de mídia e também a presença de concorrentes atuais com nível alto de disputa. A executiva descreveu o card como uma reunião de “primeira linha” e afirmou que a organização acredita em um resultado positivo no sábado, 16 de maio.

