Nate Diaz voltou ao MMA após quase cinco anos afastado, mas a noite não terminou como ele imaginava. No card MVP MMA: Rousey vs. Carano, realizado no sábado, o americano encarou Mike Perry e acabou superado em um confronto que, para o azar de Diaz, foi interrompido cedo: o duelo teve duração de apenas dois rounds, interrompido pelos médicos após cortes abertos no rosto do lutador começarem a sangrar de forma intensa, prejudicando a visão e a capacidade de se defender do volume ofensivo de Perry.
Dentro do octógono, Diaz encontrou dificuldades para engrenar. Perry conseguiu impor bastante dano desde o início e abriu ferimentos desagradáveis ao longo da luta. Com o sangramento aumentando, a equipe do peso-leve/parcialmente pertencente ao perfil de médio dos meio-leves (conforme classificação do evento) decidiu parar o combate, levando a interrupção ainda no começo do combate.
Nas palavras do lutador, o impacto do sangramento
Na coletiva pós-luta, Diaz admitiu que ficou irritado com a decisão, mas demonstrou entendimento diante do quadro clínico. Ele explicou que, no momento da interrupção, o sangue escorria de forma que não dava para enxergar com clareza, especialmente pelo lado direito do rosto.
“Eu fiquei bravo, mas entendo. Meu olho estava vazando sangue e eu sabia que não ia conseguir fazer isso lá dentro. Não acho que ele faria muita coisa diferente também. Só que eu estava completamente ofuscado pelo sangue no lado direito”, afirmou Diaz.
Retorno ao MMA após hiato e o ajuste que não veio a tempo
O confronto também marcou o reencontro de Diaz com o MMA depois de uma pausa de cinco anos. Durante esse período, ele buscou outros caminhos fora do esporte, incluindo lutas de boxe contra Jorge Masvidal e Jake Paul.
Mesmo com a empolgação do retorno, Diaz reconheceu que não se sentiu no auge no sábado. Segundo ele, o principal fator foi voltar ao treinamento com foco total no MMA pela primeira vez em quase cinco anos, algo que, na visão do lutador, exige um trabalho pesado para o corpo voltar a “encaixar”.
“Eu nem estava bem de verdade. Eu senti como se estivesse uma porcaria. Sou sincero. Eu acabei de voltar para o MMA e nunca estive totalmente fora, mas conforme eu fui chegando mais perto, percebi que MMA é trabalho de verdade. É muita coisa. Eu senti como se tudo estivesse voltando a ficar ‘duro’, meu corpo começou a ficar mais pesado, minhas pernas começaram a ficar mais pesadas, e tudo começou a se alinhar para funcionar junto. Aí entra no ritmo… e então é hora de lutar”, detalhou.
Diaz ainda emendou que, apesar da derrota, pretende retomar imediatamente o ritmo e seguir em frente para buscar a próxima oportunidade.
“É assim com essa merda. E agora eu estou pronto para lutar. Vamos marcar outra e começar de novo”, concluiu.
O recado sobre “não conseguir mais” e o plano de resposta ao desafiante
O resultado certamente pesa, mas Diaz demonstrou foco para o futuro. Ele afirmou que quer voltar ao ginásio o quanto antes e trabalhar para uma revanche contra Perry, que, neste momento, é o objetivo que ele mais deseja.
Na mesma coletiva, Diaz reagiu com desdém às sugestões de que a atuação do sábado mostraria que ele já não consegue competir no topo e que talvez fosse a hora de encerrar a carreira. Para ele, a lógica é continuar lutando, sem “hora de aposentadoria” definida.
“É isso aí: o show continua. Eu sinto a mesma coisa de quando eu perdi mais novo. Igual na outra vez. Eu não tenho um ‘horário de encerrar’. Isso aqui é para sempre”, disse Diaz.
O lutador também rechaçou a ideia de que, quando decidir parar, haverá qualquer tipo de cena ou pedido dramático. Ele afirmou que, se um dia deixar de lutar, não será por desistência no meio de uma luta, mas sim porque chegou a hora de encerrar.
“Quando eu resolver parar, eu não preciso ficar chorando. ‘Ah, põe minhas luvas no ringue’. Você acabou. Você precisa explicar por que não vai mais lutar? Faz o que quiser. Do jeito que eu estou me sentindo agora, eu vejo um caminho longo pela frente e muita coisa para fazer”, completou.
Diatribe contra a lógica de “aposentar no auge”
Antes do combate, Diaz também criticou Dustin Poirier, que havia sinalizado que voltaria do período de aposentadoria para resolver pendências. Diaz lembrou que Poirier encerrou a carreira em 2025 e, na visão do americano, não existe comparação entre um “adeus” emocional no octógono e o tipo de decisão que ele imagina para si.
Diaz afirmou que, embora exista um dia em que ele pare de competir, sua postura deve ser diferente da de quem encerra “declarando fim” dentro da arena. Para ele, o encerramento pode acontecer simplesmente quando ele decidir que chegou ao limite, sem necessidade de dramaticidade.
“Você não vai saber [quando eu aposentar]. Isso é para sempre. Aí as pessoas vão parar de falar: ‘Você perdeu, devia parar’. Não é esse o cara mais violento que nocauteou campeão do meio-médio como Luke Rockhold, e também nocauteou Jeremy Stephens e Eddie Alvarez? Ele foi campeão dos leves por muito tempo, vive explodindo, brigando com todo mundo, tem o rosto quebrado e destruiu todo mundo por aí. Você acha que devia pendurar as luvas? Eu acabei de lutar com o cara mais violento bem ali. Talvez eu só precise correr mais forte na próxima vez e resolver o trabalho. Você acha que devia parar? Talvez eu não brigue com o mais violento… talvez eu brigue com o segundo mais violento”, declarou.
Na sequência, Diaz completou a crítica com uma provocação contra a narrativa de “encerrar entregando as luvas” imediatamente após a derrota. Para ele, isso não faria sentido quando o lutador ainda tem motivação e disposição para continuar.
“As pessoas falam: ‘Talvez eu esteja pronto para parar, estou aposentado, aqui estão minhas luvas na gaiola’. E eu penso: você não deveria simplesmente deixar de lutar o cara mais violento que existe vivo e achar que estaria tudo bem”, finalizou.
Revanche imediata: cortes ainda pautam o próximo passo
Apesar do revés, Diaz não escondeu que o foco é tentar repetir a luta com Perry o quanto antes. Ele quer se recuperar dos cortes sofridos no combate e, para isso, já falou em prazo rápido e localização para o retorno.
“O quanto antes. Cura logo e eu começo a correr na segunda. Revanche o mais rápido possível. Sacramento, Califórnia. NorCal. O mais rápido que der”, afirmou Diaz, apontando que a ideia é acelerar a volta assim que o corpo responder às lesões do confronto.

