Nate Diaz teve uma chance real de voltar ao UFC, mas preferiu aceitar um compromisso contra Mike Perry no card que vai reunir Ronda Rousey e Gina Carano, no dia 16 de maio, com transmissão pela Netflix. A decisão pegou parte do público de surpresa porque o nome de Diaz voltou a circular como possível reforço da maior organização do MMA, ainda mais depois de conversas que, ao menos em tese, poderiam recolocá-lo na rota do octógono. Após o anúncio da luta, o presidente do UFC, Dana White, afirmou que a promoção estava em negociações para trazer Diaz de volta, porém disse acreditar que a Most Valuable Promotions de Jake Paul fez uma proposta “que ele não podia recusar”.
Quando o assunto ganhou as redes e virou tema de debate público, Diaz respondeu à versão do dirigente. O lutador alegou que, na verdade, o UFC teria oferecido a ele um valor maior para a retomada do confronto em uma trilogia contra Conor McGregor, mas que ele teria recusado esse caminho. Diaz também deixou claro que não tinha interesse em encarar McGregor em um momento que classificou como o seu “último degrau” físico, especialmente após ficar afastado das atividades por cinco anos. A justificativa, porém, não convenceu quem acompanha de perto o mercado e a lógica de carreira do esporte: o ex-welterweight do UFC Matt Brown não comprou a narrativa de que Diaz estaria escolhendo por honra ou por condição, e sim por cálculo financeiro e por prioridade de contrato.
Em entrevista ao programa “The Fighter vs. The Writer”, Brown foi direto ao ponto ao sugerir que o acordo de Diaz com a Netflix, via MVP, provavelmente o remunera mais do que uma volta ao UFC traria. Segundo ele, “dinheiro fala” e isso explicaria por que Diaz não enfrentaria McGregor dentro da organização. Brown disse que, em sua leitura, Diaz estaria recebendo mais no compromisso fora do octógono do que receberia em uma luta casada com o UFC, exatamente por isso a luta contra o irlandês não aconteceu. O ex-lutador ainda abriu espaço para a possibilidade de existirem detalhes contratuais por trás do anúncio, como a forma de estrutura do pacto, mas, mesmo assim, reforçou a ideia de que seria improvável que Diaz estivesse ganhando menos ao escolher outro caminho.
Para Brown, não há razão para crer que o lutador não esteja fechando um negócio vantajoso no acordo com a MVP. Ele argumentou que, independentemente de como a situação se desenha, o desfecho final tende a favorecer Diaz em termos de pagamento, e que a escolha por lutar é, no fim, sempre guiada pelo melhor cheque possível. O ex-welterweight ressaltou que esse tipo de decisão não é algo exclusivo de Nate, mas sim uma lógica comum na modalidade: trata-se de “prize fighting”, uma competição em que os lutadores buscam a maior remuneração, principalmente quando enxergam uma oportunidade concreta.
Dentro do mesmo contexto, Diaz afirmou que seu foco era enfrentar “os melhores dos melhores” e que Mike Perry teria atendido esse critério, sobretudo após o rival viver uma trajetória impressionante no BKFC e se tornar o rosto do bare-knuckle nos últimos anos. Brown, por sua vez, lembrou que Perry deixou o UFC após um período de resultados negativos, com um retrospecto de 1-4 na organização antes de explodir como estrela no BKFC. Ele ainda apontou uma curiosidade: embora McGregor tenha lutado em MMA mais recentemente do que Perry, o “King of Violence” esteve muito ativo nos anos mais recentes, não apenas no bare-knuckle, como também ao entrar no boxe contra Jake Paul.
Mesmo admitindo que, no papel, Perry pode representar um adversário mais duro do que McGregor para aquele momento, Brown afirmou que essa comparação não o convenceu caso o UFC realmente tivesse oferecido um valor maior. Na visão do ex-lutador, a luta contra Perry tem uma dinâmica perigosa porque Mike acerta forte e Nate é um homem que recebe golpes durante os combates. Brown explicou que, para Diaz manter o plano de ir “picando” o adversário mais tarde, ele vai precisar resistir ao impacto no decorrer do confronto, o que, na leitura dele, é exatamente o caminho de vitória que existiria no cenário teórico. Ao mesmo tempo, Brown fez a ressalva de que lutas raramente seguem o roteiro do papel, mas disse que a narrativa provável, por enquanto, seria essa.
Quando o assunto voltou para o confronto com McGregor, Brown destacou que, em termos de duelo direto, Diaz já enfrentou o irlandês duas vezes e, para ele, existe uma espécie de previsibilidade no que fazer. Brown comentou que acredita que Diaz venceu a segunda luta de forma mais favorável, mas tratou isso como detalhe diante do tamanho do impacto comercial e midiático do confronto. Para o ex-lutador, um encontro entre Diaz e McGregor seria muito maior do que a alternativa contra Perry em termos de atenção e exposição, mesmo que os números de audiência não correspondam exatamente ao hype gerado. Ele ainda colocou a disputa como provavelmente o maior combate que o UFC poderia montar naquele momento fora de um cenário envolvendo Alex Pereira e Jon Jones. Segundo Brown, Diaz contra McGregor poderia até superar esse patamar em razão do alcance do nome e da mobilização do público, inclusive para além da bolha mais tradicional do MMA.
Apesar da escolha por lutar fora do UFC agora, Brown reconheceu que a porta para o retorno de Diaz à organização não está totalmente fechada, principalmente porque o compromisso com a MVP está ligado ao combate de curto prazo contra Perry. Ainda assim, ele sustentou que Diaz provavelmente queria controlar melhor o próprio destino no futuro, e que a proposta do UFC poderia ter vindo com condições, como a exigência de assinar um acordo de múltiplas lutas para voltar ao octógono. Seja qual for o motivo, Brown insistiu que não imagina Diaz abrindo mão de um pagamento superior ao preferir um caminho que ele considera potencialmente mais difícil apenas por gostar do adversário.
Na sequência, Brown levantou outras hipóteses: talvez Diaz não quisesse assinar outro contrato com a empresa, ou houvesse algum tipo de detalhe escondido “nos bastidores” que não é possível enxergar publicamente. Ele reforçou a ideia de que a frase de “oferta que não dá para recusar” pode não se resumir a dinheiro na conta imediata, mas envolver outras camadas de negociação. Brown citou que, quando se fala em proposta maior, pode ser que o valor oferecido de entrada tenha sido superior também, e isso faria ainda menos sentido para ele admitir que Diaz aceitasse um montante menor em uma luta que, na avaliação dele, tende a ser mais dura.
No fim, a conclusão de Brown foi que a conta não fecha apenas com a justificativa apresentada publicamente por Diaz. Para ele, existem variáveis sendo tratadas em reuniões fechadas, longe do que o público consegue acompanhar, e que o recorte feito em uma frase pode esconder uma decisão mais complexa. Ele mencionou a habilidade de Nate e do irmão na forma de se comunicar, destacando como isso contribui para a popularidade do casal de lutadores e para a capacidade de transformar conversas em narrativa. Brown ainda citou como Diaz colocou a história: que teria derrotado McGregor “com facilidade” e, por isso, não teria vontade de repetir a cena. No entanto, o ex-lutador sustentou que há mais camadas do que isso e que, no momento, ninguém consegue afirmar exatamente quais são.

