INGLEWOOD (CALIFÓRNIA) — Ronda Rousey e Gina Carano lideraram o primeiro evento de MMA já transmitido na plataforma Netflix. Mesmo assim, a pergunta que ficou no ar após o show de sábado no Intuit Dome é se haverá uma segunda edição nesse formato, com a mesma grandeza.
Netflix, futuro incerto e um “teste” de longo prazo
Ainda não existe clareza sobre quais são os planos da empresa de streaming para o MMA em relação ao futuro. Também permanece em dúvida se a apresentação de sábado foi apenas um caso pontual, puxado pelo peso específico das duas estrelas envolvidas — ou se a companhia realmente pretende manter o produto ativo no calendário de eventos.
Na parte de organização, a Most Valuable Promotions comandou a produção. E um dos responsáveis pela empresa, Nakisa Bidarian, tratou o acontecimento como um experimento, com critérios definidos para medir se o modelo funcionaria.
Bidarian afirmou que o card foi, na visão do grupo, uma espécie de rodada de validação. Segundo ele, havia “marcadores” que precisavam ser alcançados para que a aposta fizesse sentido.
Sem ter como garantir antecipadamente o resultado, o cofundador disse que enxergou sinais positivos de que a noite foi bem-sucedida.
O que Bidarian disse na coletiva pós-luta
Em conversa com a imprensa durante a coletiva realizada após o evento, Bidarian reforçou a postura de transparência do projeto. Ele citou que, no mercado, existem promessas grandiosas feitas por promotores em relação a objetivos futuros — como a realização de torneios milionários ou a entrega de uma sequência de grandes espetáculos — e destacou que a MVP optou por uma abordagem diferente: deixar o tempo confirmar o desempenho do formato.
Conforme o cofundador explicou, a empresa deixou claro desde o início que se tratava de um teste: a ideia era ver se funcionaria. A partir disso, ele apontou os fatores que, na visão da organização, poderiam favorecer o sucesso caso a execução desse certo.
Bidarian mencionou a capacidade de Jake Paul de divulgar e comercializar o produto, citou sua própria formação na área de contabilidade e também destacou o entendimento do UFC que ele afirmou possuir. Além disso, colocou a Ronda Rousey como peça-chave por ser o rosto da promoção tanto dentro quanto fora do octógono.
O dirigente então resumiu o sentimento após o evento: na prática, “funcionou” — e ele tratou isso como um resultado bem acima do mínimo esperado. Bidarian disse que números seriam divulgados, indicando que existe acompanhamento detalhado do desempenho do show.
Visão de Jake Paul: estratégia, execução e foco em lutadores
Jake Paul também comentou o momento, apresentando uma leitura alinhada ao que a MVP vinha sinalizando. Para ele, o evento não foi apenas o primeiro da Netflix no MMA, mas também o primeiro da MVP nesse contexto — e, ao mesmo tempo, mais um passo dentro de uma estratégia que ele descreveu como de longo prazo.
Paul ressaltou que, embora tenha participado de vários eventos próprios, sua trajetória anterior era principalmente no boxe. Ainda assim, ele argumentou que conseguiu atrair a atenção de parte do público de MMA ao enfrentar lutadores ligados ao UFC em fases anteriores da carreira.
Na coletiva, o lutador e empresário afirmou que a estratégia duradoura depende do que o grupo decidir construir, destacando que a empresa se enxerga como “visionária” e focada em execução. Ele disse que o plano é colocar os atletas em primeiro lugar, garantir pagamentos relevantes e levar ao público eventos “insanos”, ao mesmo tempo em que a organização busca “desestabilizar” (disrupt) o ambiente em que atua.
Jake Paul também conectou a proposta ao trabalho que ele já vinha fazendo no mundo dos esportes de combate, argumentando que o evento de sábado serve como exemplo do que pretende seguir fazendo no MMA daqui para frente. Segundo ele, a ideia é “quebrar recordes”, além de entregar entretenimento e conteúdo exatamente para o que o público quer.
Por fim, ele reforçou novamente o foco central do projeto: priorizar lutadores, assegurar que eles recebam por seu esforço e criar eventos capazes de gerar impacto, mantendo o mesmo tom de ambição visto no card transmitido pela Netflix.

