Pacheco vence Harrison, mas UFC não demonstra interesse em contrato imediato

Larissa Pacheco (23-5) é uma das lutadoras mais vitoriosas do MMA profissional na atualidade. A brasileira, porém, já viveu caminhos diferentes dentro do esporte: ela chegou ao UFC ainda em 2014, aos 19 anos, quando enfrentou Jessica Andrade e Germaine de Randamie, duas futuras campeãs do Ultimate, e acabou derrotada em sua estreia na organização. Pouco depois, Pacheco migrou para o PFL, onde entrou no elenco da liga com uma fase difícil no começo — foram duas derrotas logo nos quatro primeiros combates sob o comando da promoção, incluindo duelos contra Kayla Harrison.

Depois desse começo conturbado, a trajetória de Pacheco virou uma sequência de afirmação. A “slugger” brasileira engrenou de vez, venceu dez lutas seguidas e ainda conseguiu uma vitória de cinco rounds como forma de revanche sobre Harrison, que na época já era a campeã do peso-galo feminino do UFC. Em sua última apresentação, Pacheco enfrentou Cris Cyborg em uma guerra de cinco rounds, mas saiu derrotada, e o resultado acabou encerrando o contrato dela com o PFL.

Agora como atleta livre, Pacheco apareceu de forma inesperada no Karate Combat na última semana. No evento, ela entregou uma finalização com golpe de impacto absurdo: um nocaute de cotovelada em estilo tomahawk, algo que chamou atenção pelo impacto e pela forma como interrompeu a luta.

Diante do histórico dela no alto nível, do retrospecto que inclui um índice elevado de vitórias por finalização (82%), e do currículo construído ao longo dos anos, a expectativa natural seria de que Pacheco estivesse próxima de retornar ao UFC. Mesmo assim, embora ela tenha discutido a possibilidade de voltar à divisão de 135 libras, o cenário parece não favorecer a brasileira no momento, já que o trabalho de articulação dos matchmakers do Ultimate, aparentemente, não está interessado em colocá-la no caminho do peso-galo feminino.

Desde que deixou o octógono, Pacheco vem lutando em categorias como pena e leve. Ainda assim, a lutadora demonstrou disposição para retornar ao patamar de 135 libras. O impasse, no entanto, teria ficado claro em uma conversa recente: ao falar com Ag. Fight, Pacheco puxou o celular para mostrar um suposto e-mail encaminhado por um dirigente do UFC, Mick Maynard.

No conteúdo exibido, a mensagem é curta: “I am not interested but thank you”, resposta dada ao assunto “Larissa Pacheco (135)”. Em outras palavras, mesmo com o recorte de peso que ela declarou estar disposta a fazer, a proposta não teria avançado.

Para quem acompanha a divisão, a recusa soa como uma decepção. A justificativa seria compreensível se Pacheco não estivesse disposta a voltar abaixo de 145 libras, mas, segundo o que foi apresentado, ela estaria aberta a cortar até 135. Com o peso-galo feminino vivendo um momento delicado, com nomes que já fazem parte de uma geração anterior e pouca renovação clara, Pacheco ainda teria espaço por estar em plena fase produtiva e por ser conhecida por nocautes com grande impacto.

Fica a pergunta: por que não assinar com ela e inserir a lutadora no radar do UFC? E, principalmente, qual seria o próximo caminho para Kayla Harrison caso ela saia vitoriosa de um confronto contra Amanda Nunes, já que Nunes, recentemente, encerrou a carreira? No fim, a impressão é de que a organização pode realmente estar inclinada a encerrar a divisão — ainda mais se Harrison e Nunes confirmarem o que está colocado no planejamento.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.