Pai e filho no corner: Davey Grant encara Adrian Luna Martinetti no UFC

Davey Grant chega pronto para o 16º compromisso de sua trajetória no UFC, mas desta vez o clima ao redor do camp tem um ingrediente a mais. O veterano do octógono terá uma presença especial ao lado durante a noite de luta: o filho Jay fará parte do corner.

Grant encara o estreante Adrian Luna Martinetti em uma luta de pesos-galos no Meta APEX, neste sábado, na programação do UFC Fight Night: Sterling vs Zalal. O confronto marca, além do desafio esportivo, um momento familiar que ganha peso dentro do planejamento do inglês.

Empolgado em aproximar os filhos do universo das artes marciais, Grant passou a incluí-los no dia a dia do treino, apresentando o ambiente de academia como parte da rotina. Agora, eles se tornaram figuras frequentes nos tatames do novo lar do treinador, o Syndicate MMA, em Las Vegas, em uma decisão consciente para estimular hábitos saudáveis, incentivando movimento e condicionamento desde cedo.

“Jay sempre foi meu parceiro de treino, meu ajudante. Ele já estava na academia desde quando era pequeno, do tamanho que era. E, falando bem a verdade, é provavelmente um dos melhores presentes que eu poderia ter dado para todos os meus filhos”, explicou.

“Foi incutido neles que eles simplesmente acham que todo mundo vai para a academia todos os dias. Então espero que eles levem isso para a vida. Assim, minha carreira vale mais a pena. Se meus filhos treinarem e se exercitarem pelo resto da vida, aí sim minha trajetória vale 100%.”, completou.

Grant afirmou que a participação do filho no treino evoluiu para algo maior do que apenas aprendizado. Segundo o lutador, Jay será efetivamente parte do corner no dia do combate.

“No meu tempo livre, eu tenho feito exercícios com as manoplas do meu filho Jay. Como eu disse, ele já sabe todas as minhas combinações”, contou.

“Ele está lado a lado comigo, ajudando com ajustes, e também contribui no acompanhamento das turmas que eu treino. Ele sempre fez isso. Então ele está virando um treinador bem promissor, por conta própria.”

“Eu tenho treinado todas as combinações e usado ele para as manoplas. Por isso, ele conquistou o espaço no meu corner neste sábado. Vai estar comigo lá, e é um momento enorme para mim. Eu fico muito orgulhoso de ter ele ali, porque eu sei exatamente o que ele vai acrescentar ao trabalho do corner.”

Morando em Bishop Auckland, na Inglaterra, Grant mantém uma academia na cidade de origem, mas agora ele também integra o grupo de treinadores no Syndicate. Além de trabalhar o próprio camp como atleta profissional, o lutador ministra aulas com auxílio dos filhos. Para ele, o MMA deixou de ser apenas trabalho: virou uma atividade familiar, da qual ele não esconde a felicidade.

Rotina no Syndicate e o “clima de família”

“Tem sido fantástico. O Syndicate é exatamente como eu costumava promover a minha academia em casa: tem uma cultura ótima. Todo mundo ali cuida um do outro. É um clima de família mesmo.”

“Eu me sinto muito sortudo e grato por ter um trabalho em que meus filhos podem ir e curtir isso comigo. A maioria dos caras, imagino, passa o dia inteiro no trabalho e não vê os filhos. Para mim, é um bônus absoluto. Não é só fazer o que eu amo: é poder ver meus filhos fazendo o que eles amam. Sinceramente, às vezes eu só preciso beliscar pra acreditar. Parece um sonho realizado. E, mesmo eu tendo trabalhado muito para chegar aqui, eu ainda sinto que sou extremamente privilegiado por tudo isso estar acontecendo.”

“A gente fica lá praticamente todas as noites. Jay ajuda a orientar as turmas. Meu filho mais novo, Nate, também ajuda a orientar as aulas. Ele começou treinando as crianças pequenas. E minha filha, Heidi, treina todas as noites também. Então é realmente muito especial.”

No UFC, Grant encara Martinetti neste sábado em um duelo que, no papel, promete ritmo acelerado e ação para agradar a torcida. A expectativa cresce porque ele acompanhou a vitória do adversário na ocasião em que Martinetti fechou contrato no reality de Dana White, ao superar Mark Vologdin em uma luta de três rounds, no mês de outubro passado, em uma apresentação emocionante.

Com o estilo do novo oponente chamando atenção, Grant afirmou estar empolgado com a possibilidade de um confronto de alta energia. A ideia é oferecer ao estreante tudo o que o adversário conseguir suportar.

“Foi uma luta boa, uma briga de verdade. Sim! Vamos pra cima e fazer uma dessas”, disse, sorrindo.

“Eu gosto de lutas empolgantes – é isso que eu quero. Vou entrar para tentar nocauteá-lo o mais rápido possível, mas, seja o que for que aconteça, acontece. Pelo jeito, vai ser um combate fantástico, do jeito que ele luta e do jeito que eu luto.”

“Eu faço tudo durante cada acampamento, porque você nunca sabe o que pode acontecer. Às vezes, as pessoas chegam com algo novo. Eu também posso chegar com algo novo. As coisas podem mudar no meio do combate, entende? Às vezes o plano muda. Por isso eu tento focar em tudo, tentar deixar eles se preocuparem comigo de verdade, concentrar no que eu tenho de mais forte, mas ainda buscando a rota mais curta para chegar à vitória.”

Melhorias contínuas e ajustes fora do desempenho

Mesmo já estando na fase mais experiente da carreira, Grant fez questão de deixar claro que seu desenvolvimento como lutador não estagnou. Ele afirmou que segue evoluindo de luta para luta e buscando chegar ao octógono cada vez melhor. Ainda assim, grande parte dessas mudanças passa pela manutenção de uma abordagem consistente, embora ele tenha citado uma novidade recente que não está diretamente ligada a desempenho dentro do ringue.

“Foi só o transplante de cabelo. Agora eu também estou parecendo mais jovem!”, brincou, dando risada.

“Mas não, eu sigo fazendo exatamente a mesma coisa. Estou treinando de forma mais inteligente. Minha nutrição está em dia e eu não vou deixar nada por fazer. Eu sou bem meticuloso quando o assunto é lutar. Então, sim, eu tento aproveitar cada possível vantagem que eu conseguir. Eu fico até enlouquecido assistindo aqueles vídeos curtos, tipo rolinho do Instagram, e pensando: ‘Pronto, eu preciso desse suplemento!’. Eu caio fácil nessas coisas. Tem tantos suplementos. Mas eu faço tudo que eu conseguir, somando isso à recuperação, ao treinamento e ao trabalho com as pessoas que eu uso.”

Grant, sempre com um sorriso no rosto, parece mais feliz do que em qualquer outra preparação. Ainda assim, ele alerta: quando a porta do octógono fecha, é hora de colocar tudo em prática para aumentar sua contagem de vitórias. Contra Martinetti, ele acredita que a experiência e a vivência no UFC vão ajudar na busca pelo 16º triunfo de sua carreira.

“Eu penso que é uma questão de níveis, honestamente. Eu estou há muito tempo aqui, e eu ainda entrego meu melhor nível. E a cada vez que eu perdi, eu aprendi muito. Eu perdi minha última luta e aprendi demais com isso. Eu sigo aprendendo, e vou continuar aprendendo. Vai ser a melhor versão de mim que você vai ver dentro do octógono.”

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.