UFC Vegas 116: Sterling domina Zalal e Dumont vence Edwards no APEX

No sábado, 25 de abril de 2026, o UFC voltou a atuar em casa, no Meta APEX, em Las Vegas (Nevada), com o UFC Vegas 116. No evento principal, Aljamain Sterling, ex-campeão dos galos, buscou dar mais um passo rumo ao cinturão dos penas ao encarar o jovem em alta Youssef Zalal, apostando em controle e leitura de luta. Já o co-main event colocou Norma Dumont frente a Joselyn Edwards, com a brasileira tentando estender uma sequência vitoriosa para seis lutas consecutivas contra uma finalizadora do Panamá. A noite ainda reservou estreias perigosas e nocautes que chamaram atenção nos confrontos preliminares.

As melhores marcas do evento: Sterling domina Zalal sem “mudar o script”

De modo geral, Sterling não precisou inventar moda para colocar Zalal sob controle. Com 36 anos, o “Funkmaster” usou o pacote que já se provou eficiente: chutes castigantes, mãos pesadas com swings amplos de overhand, wrestling de cerca muito qualificado e, principalmente, um triângulo nas costas que é considerado por muitos como um dos melhores do esporte. Apesar de não trazer novidades, ele venceu a maior parte do combate com autoridade e eficiência.

O ponto central foi a condução de luta e o Fight IQ. Sterling venceu as duas primeiras parciais sem acelerar de forma “séria” — como se poupasse energia e ajustasse o ritmo. Ele até tentou algumas quedas, mas não forçou quando Zalal estava bem posicionado para defender. Em vez disso, o campeão ia no tempo certo: esperava, testava e voltava a tentar um minuto depois. Se recebia uma fresta, ampliava.

O momento mais lembrado veio no round quatro. Depois de quase ser finalizado por uma guilhotina na terceira — o único intervalo real de perigo para Sterling em 25 minutos de ação — ele explodiu no início da quarta e surpreendeu o adversário com uma sequência inesperada de força e agressividade. Zalal não apagou por completo, mas acabou cedendo a queda logo em seguida, ficando visivelmente “no choque”. A partir desse estouro, Sterling fechou o jogo nas anotações dos jurados e, com a vantagem, pôde controlar o restante, incluindo o quinto round, que ele também venceu.

Assim como na revanche com Petr Yan, Sterling mostrou que sabe administrar o jogo como poucos contra atletas de elite. Ele tem experiência suficiente para ajustar sem “pagar caro”: consegue reduzir a intensidade quando quer e elevar quando precisa, sempre tomando decisões no timing certo. No fim, fica a sensação de que ainda existe espaço para um confronto maior no horizonte.

“Eu queria ver ele enfrentando Jean Silva em um eliminador oficial de título”, foi o tipo de caminho que a atuação de Sterling deixou no ar.

O cenário do peso-pena e do co-main: Dumont não vira candidata contra Edwards

As lutas femininas de galos não passaram a sensação de que o caminho do cinturão ficou mais claro para a divisão. Norma Dumont, que vinha em ascensão e buscava chegar a seis vitórias seguidas, não pareceu estar pronta para assumir o papel de próxima desafiante contra Joselyn Edwards.

Dumont é conhecida por lutar no modo resposta, mas Edwards ofereceu poucas aberturas fáceis. Com isso, a brasileira não conseguiu impor um ritmo consistente. Depois de trocas iniciais envolvendo grappling, o combate virou um kickboxing de baixo volume, sem que nenhuma das duas conseguisse tomar o controle com grande impacto. Edwards foi um pouco mais ativa, avançou mais e, com isso, acabou levando a vitória por decisão unânime.

Mesmo com o resultado, não houve clima de “La Pantera” recebendo um pedido de disputa de título — ainda mais considerando que já soma cinco vitórias seguidas.

Preliminares: Mayra Bueno Silva sofre a quinta derrota seguida

Ainda antes do card principal, Mayra Bueno Silva, ex-desafiadora ao cinturão, sofreu mais uma noite difícil: foi a quinta derrota consecutiva, desta vez diante de Michelle Montague. A performance novamente não empolgou, especialmente porque era difícil imaginar que a atleta já esteve cotada como favorita para disputar o ouro apenas dois anos atrás.

Montague conseguiu vencer apoiando-se no wrestling, mostrando tanto capacidade física quanto uma postura que, apesar de verde em termos de MMA geral, funcionou na prática. O kickboxing da jovem chama atenção pela falta de fluidez, e fica a pergunta: com o tempo e o trabalho, ela conseguirá corrigir esse ponto nos anos seguintes.

Independentemente disso, a percepção geral é de um futuro divisional complicado. Fica no ar a dúvida sobre quais caminhos restam depois que o confronto entre Amanda Nunes e Kayla Harrison já tiver sido marcado/realocado no calendário.

Estreia em alto risco: Davey Grant castiga Adrian Luna Martinetti

Os matchmakers do UFC certamente depositam confiança em Adrian Luna Martinetti, já que a estreia dele veio contra “Dangerous” Davey Grant. O inglês, mesmo com 40 anos, segue provando ao longo dos últimos cinco anos que pertence ao topo dos galos: fora um revés considerado injusto em algum momento, ele quase não perdeu desde a década — e quando caiu, foi diante de promessas e nomes em ascensão. Em outras palavras: Grant é acima da média para a divisão, e o equatoriano sentiu isso na prática.

No começo, Grant foi cirúrgico para atacar a perna de frente. Ele minou o membro com golpes por dentro e por fora, mirando o trabalho na região da canela e usando chutes que chegavam misturados com mudanças de postura e ataques lineares nas pernas. O efeito foi rápido: em poucos minutos, a perna líder de Martinetti ficou severamente prejudicada, limitando a capacidade dele de montar combinações.

Martinetti mostrou resistência e não recuou fácil. Ele continuou pressionando apesar do castigo, mas acabou entrando em alguns amplos overhands. Para tentar readaptar, passou a buscar mais cotoveladas, porém os chutes baixos e a sequência de perda de base o obrigaram a lutar em postura canhota (southpaw) por necessidade. O equatoriano tentou uma virada para buscar a vitória de retorno, mas Grant teve experiência e “gana” suficientes para impedir o plano.

Ao final, Martinetti parece um prospect com talento, mas a estreia contra um adversário do nível de Grant foi um degrau grande demais.

Notas adicionais do card: nocaute no pesado e finalização rápida com “d’arce”

  • Ryan Spann vence Marcus Buchecha por nocaute no segundo round: Spann chamou atenção nos weigh-ins ao aparecer com 264 libras, apesar do histórico recente no peso-médio/leve-pesado (light heavyweight). A preocupação era se um ganho de massa poderia atrapalhar o desempenho — mas não foi o que se viu. Ele conseguiu se manter bem no combate, suportando tentativas de queda de Buchecha e, em seguida, forçando o rival a recuar com uma finalização perigosa por guilhotina. Além disso, manteve um ritmo alto e conseguiu surpreender no meio do segundo round com uma combinação 3-2 bem bonita, com impacto suficiente para derrubar o brasileiro.

  • Jackson McVey vence Sedriques Dumas por finalização por estrangulamento d’arce no primeiro round: “The Moose” conquistou sua primeira vitória no UFC do jeito que se espera — com eficiência. Depois de algumas tentativas iniciais envolvendo wrestling, McVey recuou no momento certo enquanto Dumas ainda estava travado na grade. Na primeira troca mais real entre os dois, McVey cravou um uppercut na postura canhota no instante em que Dumas abaixou a cabeça para evitar, levando-o ao chão. Mesmo com Dumas resistindo a alguns golpes por cima, não houve defesa efetiva quando McVey encaixou o estrangulamento frontal, finalizando a luta.

Com o UFC Vegas 116 finalizado, o evento deixou respostas importantes sobre o topo dos pesos e também sinalizou quem pode aparecer com força nas próximas rodadas do ranking — especialmente com o impacto de performances de quem chegou para impor ritmo e punir erros.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.