Pentágono convoca militares para evento do UFC na Casa Branca; veja exigências

O Pentágono está selecionando militares dos Estados Unidos para participar de um evento do UFC no gramado da Casa Branca, marcado para 14 de junho, com regras que incluem limite de medidas corporais e custeio próprio de deslocamento até Washington, DC. Apesar de os participantes receberem ingressos sem custo, a exigência de forma física e a necessidade de arcar com as despesas de viagem aparecem como pontos centrais nas informações divulgadas.

Seleção de militares: exigência física e custo por conta própria

Em meio a pedidos oficiais enviados pela instituição a centenas de integrantes das Forças Armadas, a convocação para comparecer ao evento na área externa da Casa Branca foi reportada recentemente, com indicação de que as condições de participação são restritas. Um recorte que circulou em grupos militares e uma pessoa com conhecimento do tema apontaram que apenas militares que não se enquadrem em padrões de sobrepeso e que atendam requisitos específicos de altura e peso podem comparecer.

O critério mencionado na documentação compartilhada estabelece um limite para a razão entre circunferência abdominal e altura: o valor deve ser inferior a 0,55. A informação também foi associada a uma apuração feita por uma emissora de notícias. Além disso, mesmo com a disponibilização de ingressos gratuitos, os militares teriam de chegar à capital federal com recursos próprios.

  • Local do evento: gramado da Casa Branca.
  • Data: 14 de junho.
  • Regra de forma física: razão entre cintura e altura abaixo de 0,55.
  • Ingressos: gratuitos para os militares selecionados.
  • Deslocamento: custeado pelo próprio participante.

Critérios internos e quantidade de ingressos para o Exército

Um oficial do Exército, sem autorização para ser identificado, afirmou que houve preferência para soldados que sejam fãs de lutas do UFC e que também atendam aos padrões definidos pela própria instituição. A declaração foi no sentido de que esse tipo de priorização é um procedimento comum em eventos com presença de militares.

De acordo com a mesma fonte, haverá um total de 300 entradas reservadas para membros do Exército, sendo 100 delas destinadas à Guarda Nacional do Exército. O Pentágono, por sua vez, não respondeu a pedidos para comentar o tema.

Contexto político e estrutura do evento: telas, arena e precedentes

O porta-voz da Casa Branca, Davis Ingle, respondeu a questionamentos direcionando a informação para a forma de distribuição de ingressos do UFC. Em comunicado, Ingle descreveu a ocasião como um dos maiores e mais históricos eventos esportivos, destacando que a presença do presidente no local reforçaria a proposta de celebrar o aniversário de 250 anos dos Estados Unidos.

Do lado do comando do UFC, o presidente da empresa, Dana White, indicou que cerca de 1.200 pessoas do total de 4.300 participantes serão militares em serviço ativo. Ele também afirmou que a organização trabalhará com um modelo em que a entrada é por convite, mas com instalação de grandes telões na área conhecida como Ellipse para permitir que aproximadamente 85 mil pessoas assistam sem necessidade de ingresso.

O episódio ocorre em um momento de mobilização do governo americano para o grande ciclo de celebrações do aniversário nacional. Ao longo do verão, estados devem promover atividades que vão de corridas a reconstituições de batalhas.

Além disso, a escolha de militares com base em exigências corporais se conecta a críticas públicas feitas pelo chefe do Pentágono, Pete Hegseth, que tem atacado o afrouxamento de padrões de preparo físico dentro das Forças Armadas. Em um discurso para a alta cúpula militar no ano anterior, ele usou linguagem para se referir a “tropas gordas” e a “generais e almirantes gordos”.

Esse não seria o primeiro caso em que restrições de peso aparecem na preparação de eventos de alto perfil transmitidos ao público. Em ocasião anterior, quando o então presidente Donald Trump discursou em Fort Bragg em junho do ano passado, a liderança do Exército teria selecionado militares com base em aparência e impedido a presença de “soldados gordos”, conforme um relato publicado por um site especializado.

Preparação na Casa Branca e debate sobre uso do ambiente militar

Nos bastidores, os preparativos para o evento do UFC já estão em andamento. Há obras em curso na Casa Branca para montar uma estrutura de grande porte destinada a receber a luta, além de uma arena com capacidade para 5 mil espectadores.

A iniciativa também acontece no mesmo período do aniversário do presidente, já que a data do UFC coincide com o aniversário de 80 anos de Donald Trump e com o Flag Day, o Dia da Bandeira dos Estados Unidos.

Por fim, o tema volta ao debate político por conta de um precedente recente. No ano passado, no aniversário do presidente, o Exército organizou um grande desfile militar no centro de Washington, com milhares de soldados em uniforme, tanques pelas ruas e paraquedistas descendo de aviões. O ato recebeu críticas por ser visto como uma forma inadequada de politizar as Forças Armadas.

O que o resultado “significa” neste contexto e qual pode ser o próximo passo

Embora a matéria não traga resultados esportivos de lutas, o recorte das regras de seleção serve como termômetro do modelo de participação militar no evento, com foco em critérios físicos e logística de comparecimento. Para o planejamento do UFC, a estrutura com telões na Ellipse e a divisão entre público convidado e espectadores adicionais sem ingresso indica que o objetivo é ampliar alcance sem alterar o formato restrito de entrada no espaço central.

Para os militares, o próximo passo provável é a confirmação formal de quem atende aos parâmetros exigidos e a organização do deslocamento individual para Washington, já que os ingressos seriam gratuitos, mas a viagem seria custeada pelos participantes.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.