UFC Macau: Song Yadong x Deiveson Figueiredo e a briga pelo cinturão no galo

O UFC Macau deste sábado, 30 de maio, coloca frente a frente dois nomes que representam caminhos bem diferentes no peso-galo: Song Yadong, tentando acelerar rumo ao topo, e Deiveson Figueiredo, ex-campeão de duas conquistas no flyweight, buscando reacender a disputa por cinturão com uma vitória de impacto em sua nova divisão. Além do duelo principal, o card ainda traz Zhang Mingyang tentando reagir após uma derrota recente, confrontos de alto risco no peso-pesado e o retorno de Kai Asakura ao peso-galo, enquanto o restante do evento serve de vitrine para lutadores que querem subir no ranking e consolidar trajetórias no UFC.

Main event em Macau: Song x Deiveson e o que está em jogo no ranking do peso-galo

O duelo entre Song Yadong e Deiveson Figueiredo acontece no card principal do UFC Macau, em uma batalha que mistura urgência e oportunidade. Song chega ao evento com números de ranking que o colocam como 7º colocado, enquanto Figueiredo aparece em 9º na lista. O contexto competitivo, porém, não é simples: o lutador de China vem de derrota para Sean O’Malley e de vitória sobre Henry Cejudo, mas esse triunfo foi marcado por um episódio desagradável, quando houve um golpe que atingiu o olho e gerou um cenário ruim para o adversário.

Com apenas 28 anos, Song ainda tem tempo para provar que pertence ao patamar de disputa real por título no peso-galo, mas o próprio ritmo da divisão costuma cobrar caro. A leitura para o lado do brasileiro é ainda mais pesada: Deiveson é mais velho, tem 10 anos a mais que Song, e vem de um período de turbulência, tendo perdido três de suas últimas quatro lutas. Para ele, a janela de crescimento para o cinturão parece ter diminuído, porém uma vitória sobre um nome ranqueado pode reposicioná-lo como candidato em um cenário que abre espaço para “surpresas” no curto prazo.

  • Song Yadong (7º no ranking): vem de derrota para Sean O’Malley e vitória sobre Henry Cejudo com desfecho complicado por lesão ocular.
  • Deiveson Figueiredo (9º no ranking): perdeu três das últimas quatro lutas, mas uma vitória pode reanimar a esperança de disputa de cinturão.

No estilo, a discussão gira em torno de como Figueiredo tentará transformar o wrestling em vantagem. A defesa de quedas de Song é destacada como um ponto forte, então, caso Deiveson opte por levar a luta para o chão, ele precisa estar pronto para entrar no raio de ação, trocar controle e, principalmente, aceitar o custo físico de “sujar” o combate para dificultar o plano do adversário.

Em pé, a expectativa é de vantagem para Song: a ideia é que, em distância, ele consiga trabalhar volume e pressão suficiente para cansar o ex-campeão e, no fim, buscar uma finalização por nocaute nas partes mais decisivas. A previsão apresentada para o combate é clara: Song deve aproveitar a chance e frustrar as tentativas de queda de Figueiredo, levando o confronto para um desfecho contundente.

Palpite da matéria: Song Yadong.

Co-main e outros combates do card: Zhang, Pavlovich x Teixeira e o retorno de Asakura

No co-main event, Zhang Mingyang encara Alonzo Menifield com a missão de voltar a vencer logo após uma apresentação frustrante. Em agosto, no evento em Xangai, Zhang foi superado por Johnny Walker em nocaute no segundo round. Uma vitória naquela ocasião teria grande chance de o empurrar para o top 10, mas o resultado o deixou precisando de recuperação. Contra Menifield, a obrigação é transformar a oportunidade em resultado e mostrar que o futuro do peso está apontando para ele.

Menifield não é um adversário qualquer. Assim como acontece com Figueiredo, existe uma diferença grande de idade no duelo, e isso pode mexer com a dinâmica do ritmo e com a forma como cada lutador organiza o ataque. O ponto central da análise é que Zhang, por ser um lutador de impacto e agressividade, não pode permitir que o rival chegue “um passo à frente” quando a trocação engrenar. Além disso, o texto ressalta que Menifield tem histórico de vulnerabilidade a nocautes — o que, para o cenário do evento, favorece o planejamento de Zhang diante do público local.

Para este combate, o prognóstico é de que “Mountain Tiger” volte ao caminho das vitórias com um nocaute ainda no primeiro round.

Palpite da matéria: Zhang Mingyang.

Mais adiante no card principal, Sergei Pavlovich encara Tallison Teixeira em um confronto que, pela proposta de combate, pode ser emocionante, mas também carrega risco de se tornar um confronto “pesado” demais para quem busca técnica ao longo do tempo. Os dois são descritos como lutadores com grande poder de finalização e que chegaram ao destaque por sequência de vitórias rápidas dentro do UFC. Com a evolução do nível dos adversários, porém, os ajustes vieram e isso reduziu a quantidade de momentos “explosivos” que antes apareciam com facilidade.

A preocupação levantada é que o confronto possa demorar a acontecer do jeito que o público espera, especialmente se nenhum dos dois dominar cedo. Pavlovich, apesar do impacto, pode se frustrar diante de oponentes mais técnicos — e a análise ressalta curiosidade sobre como ele lidará com um adversário com doses de imprevisibilidade, já que Teixeira pode misturar quedas ao seu repertório. O texto também aponta que Pavlovich pode ser tentado a trocar e ir para o “mano a mano” na trocação, sobretudo se a intenção for demonstrar que está pronto para uma disputa por título em curto prazo.

Mesmo com o peso do poder de nocaute de ambos, o palpite segue no lado de Teixeira. A justificativa é buscar “sangue novo” na imagem de futuros candidatos, além da percepção de que o lutador de 26 anos ainda não mostrou tudo o que tem contra patamares mais altos.

Palpite da matéria: Tallison Teixeira.

Fechando as análises do card principal, Kai Asakura retorna ao peso-galo para encarar Cameron Smotherman. A leitura é de que a mudança de categoria e a liberdade após um corte difícil fazem Asakura parecer mais solto e agressivo. A comparação feita é que ele vive seu melhor momento quando está no peso-galo, como acontecia no RIZIN, onde cortava caminho entre adversários com o estilo que combina pressão e precisão.

Mesmo que exista a dúvida sobre até que ponto ele se encaixa como “contender” real no UFC por causa de uma faixa intermediária entre 125 e 135 libras, o texto aposta em entretenimento garantido. Smotherman, por sua vez, deve receber um companheiro de treino que topa trocar: ele é apontado como alguém que usa bem o alcance para encaixar contragolpes que podem virar a luta em uma janela pequena. A questão é que Asakura tende a não abrir muito espaço para o plano funcionar, mantendo o ritmo agressivo que dificulta a leitura do adversário.

Palpite da matéria: Asakura.

Preliminares e lutas do card: Matthews x Carlston, Perez x Sumudaerji e resultados do evento

Entre os combates listados no restante do card, Jake Matthews encara Carlston Harris. A análise destaca que a troca de adversários aconteceu após Matthews perder o oponente originalmente programado, Muslim Salikhov, e sugere que essa mudança poderia ter sido melhor distribuída entre preliminares e card principal, abrindo espaço para outros confrontos. Ainda assim, o duelo entre Matthews e Harris é descrito como uma luta “de classe” no peso-meio-médio, porque ambos são veteranos com repertório tanto em pé quanto no chão.

O ponto específico do estilo é que Harris acerta mais forte, mas não é apontado como um finalizador de precisão máxima. Isso abre espaço para Matthews ditar o jogo com movimentação e volume para manter Harris distante. Caso Harris comece a encontrar sucesso com os golpes, a estratégia tende a mudar: Matthews deve levar a disputa para o clinch e para o grappling, mas com atenção redobrada às finalizações por estrangulamento que Harris pode tentar.

O palpite é que a combinação de inteligência de luta e capacidade atlética de Matthews faça a diferença. A expectativa é de que ele trabalhe contra o ritmo do adversário e busque ground-and-pound, com possibilidade de ameaçar finalizações próprias.

Palpite da matéria: Jake Matthews por decisão.

Na sequência, Alex Perez encara Sumudaerji. Aqui, a leitura é que esse pode ser o último momento para Sumudaerji brigar por posição no ranking dentro do peso. O texto ressalta que o atleta chinês tem recursos físicos interessantes, com potencial de misturar tamanho e técnica — e menciona uma comparação com a capacidade atlética de Stefan Struve como referência de “quadro” e alcance. A vantagem de envergadura é destacada como algo que pode colocar Sumudaerji à frente de quase todos na divisão, desde que ele consiga usar isso de forma eficiente.

Apesar das características, o problema apontado é que ele ainda não venceu nomes que realmente estejam no topo do peso. Isso gera frustração no cenário descrito. Do outro lado, Perez é retratado como alguém que maximizou suas condições e que, possivelmente ao buscar o auge, acabou acumulando uma carreira marcada por lesões. Mesmo assim, a avaliação é de que, ao pendurar as luvas no futuro, a percepção será de que ele fez o máximo que estava ao alcance para chegar perto — e que faltou pouco para conquistar o cinturão do UFC.

O texto cita que Perez venceu adversários sólidos com a combinação clássica de quedas e mãos rápidas. O palpite, porém, indica que Perez tem fôlego suficiente para superar Sumudaerji, mesmo com um cenário que favorece o “Tibetan Eagle” para brilhar. A chave da previsão é o chão: a dúvida é como Sumudaerji consegue evitar o tempo de controle e impedir que Perez trabalhe por baixo. A projeção final é que Perez ou consiga dominar a luta até a vitória, ou finalize Sumudaerji por finalização.

Palpite da matéria: Alex Perez.

Resultados das preliminares

  • Yi Sak Lee def. Luis Felipe Dias
  • Jose Souza def. Ding Meng
  • Cody Haddon def. Aoriqileng
  • Rei Tsuruya def. Luis Gurule
  • Angela Hill (15) def. Xiong Jing Nan
  • Rodrigo Vera def. Zhu Kangjie
  • Loma Lookboonmee def. Jaqueline Amorim

Evento: UFC Macau
Local: Galaxy Arena, em Macau, China
Data: sábado, 30 de maio
Horários: as preliminares começam às 4h (horário do leste dos EUA) e o card principal às 7h (horário do leste dos EUA)
Exibição: transmissão ao vivo via Paramount+.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.