Patricky “Pitbull” viveu uma semana turbulenta em Miami por conta do Karate Combat 61 — e, no fim, ele nem chegou a entrar na arena para enfrentar o campeão Shahzaib Rind. Depois de uma sequência de brigas em ambiente externo ao evento, o brasileiro foi retirado do card do dia seguinte, enquanto os dois lados seguem discordando sobre quem começou tudo e como a situação foi conduzida.
O que aconteceu antes do duelo com Rind
- Patricky Pitbull e Shahzaib Rind tiveram uma encarada tensa em 30 de abril, com troca de socos e chutes entre as equipes.
- No dia seguinte, MMA fighters CJ Brant e Austin Spivey usaram armas d’água contra Patricky, seu irmão Patricio e as respectivas esposas, iniciando uma grande confusão.
- Patricky sofreu um corte e foi retirado do próximo card do Karate Combat.
A encarada oficial de 30 de abril terminou com clima pesado entre Patricky e Rind. O confronto, segundo o relato das partes, evoluiu com membros das equipes trocando golpes e aumentando a tensão já no momento do cara a cara.
Na manhã seguinte, a confusão tomou proporções maiores. CJ Brant e Austin Spivey foram ao hotel que sediava a hospedagem do evento com armas d’água e atacaram Patricky, Patricio e as esposas dos dois, disparando o gatilho para uma briga generalizada. O episódio terminou com Patricky com um corte e, por consequência, ele foi removido do card do Karate Combat no dia seguinte.
Versão do presidente do Karate Combat
- Asim Zaidi disse que não havia segurança na encarada de quinta porque o encontro ocorreria “perante a comissão”.
- Zaidi defendeu o tratamento dado ao caso e afirmou que o episódio “escalou” após contato físico entre Rind e um dos irmãos Pitbull.
- O dirigente admitiu que a segunda briga teve relação com o que aconteceu no dia anterior.
Asim Zaidi, presidente do Karate Combat, sustentou que sua equipe não colocou segurança na encarada de quinta, argumentando que o evento ocorreria diante da comissão e que, por isso, não seria esperado um incidente. Ele afirmou que a situação fugiu do controle após um contato direto: Rind teria avançado no “peito a peito”, e um dos irmãos Pitbull não teria recuado, partindo para um abraço em tentativa de empurrar o campeão para trás — o que, segundo Zaidi, desagradou Shahzaib e fez a sequência sair do controle.
Zaidi também minimizou a intenção de causar dano, dizendo que não acredita que os irmãos Pitbull tenham planejado que o conflito acontecesse. Para ele, o que ocorreu foi uma soma de circunstâncias infelizes, com a escalada acontecendo em poucos instantes e sem que alguém se machucasse gravemente no momento da encarada.
Já a briga seguinte, na manhã de sexta, foi tratada como outro degrau de escalada. Zaidi explicou que não colocou segurança porque o fato ocorreria em área ligada à comissão e que, historicamente, não teria havido episódios semelhantes em situações sob esse tipo de fiscalização.
O presidente relatou ainda o estilo do ataque com armas d’água: os disparos teriam acontecido com os envolvidos a poucos metros, mirando e espalhando água em uma mesa de café da manhã, alcançando pessoas ao redor. A partir daí, os irmãos Pitbull teriam saído para a rua para perseguir os agressores, e a confusão teria continuado mesmo enquanto os responsáveis seguiam “sprinkling” a água durante o corre-corre.
O que Patricky e Patricio disseram sobre a culpa
- Patricky afirmou que Rind foi responsável pelo incidente da quinta por não respeitar limites da encarada.
- Patricio disse que, para uma encarada tranquila, não deveria haver toque no adversário.
- Patricio declarou que o conflito só “esquentou de verdade” após um chute na direção do rosto de Patricky.
Patricky, ex-campeão peso leve do Bellator, afirmou que o campeão Shahzaib Rind teria falhado ao não respeitar os limites definidos para a encarada. O brasileiro disse que apenas sustentou posição, mas que o problema teria começado quando o rival tentou acertar dois golpes com cotoveladas, e que, depois de empurrar o adversário, a sequência teria incluído chute.
Na interpretação de Patricky, a intervenção do irmão teria acontecido porque o descontrole passou do “normal” de uma encarada para algo além do empurrão. Ele também sustentou que os envolvidos teriam preparado o terreno para o que ocorreu no dia seguinte.
Patricio reforçou que, se a proposta era manter o cara a cara sob controle, o campeão não deveria tocar no adversário. Segundo ele, Rind teria forçado o irmão a perder o equilíbrio e recuado, e antes desse momento Patricio descreveu que o contato teria sido feito de forma amigável, com o irmão sorrindo, antes de a situação piorar.
O brasileiro detalhou que, após uma tentativa de cotoveladas, ele teria entrado para pedir calma, presenciando o adversário preparar uma nova investida. Para Patricio, a escalada real aconteceu quando o rival tentou acertar Patricky no rosto com um chute, e o conflito então teria saído do padrão. Ele mencionou ainda que alguém teria atingido Rind por trás, algo que considerou “não correto”, ressaltando que, apesar do caos, a situação teria ocorrido em episódios isolados envolvendo cada pessoa, e não como uma agressão simultânea em um “contra três” contínuo.
Zaidi confirma causa da segunda briga, mas questiona se passou do ponto
- Zaidi disse que não há disputa sobre o que provocou a segunda confusão: Brant e Spivey miraram a mesa onde os irmãos e suas esposas estavam.
- O dirigente afirmou que ambos os envolvidos seriam “crianças tentando se divertir”, apesar de serem lutadores.
- Zaidi criticou a escolha de fazer o ato no hotel e durante o café da manhã com família.
Zaidi admitiu que não existe controvérsia sobre o gatilho da segunda briga. Ele citou que CJ Brant e Austin Spivey teriam argumentado que viram pessoas atacando um amigo na noite anterior e que, por isso, teriam decidido “espalhar água” como resposta.
Ainda assim, o presidente discordou totalmente do método e do local escolhido. Para Zaidi, a ação não poderia ter ocorrido no hotel, tampouco durante o café da manhã com esposas e família, já que o episódio teria se transformado em agressão e não em brincadeira.
O dirigente também tratou a motivação como imaturidade, dizendo que a conduta parecia uma tentativa de “brincadeira” feita por dois homens de 25 anos, mas que não deveria ter sido feita de forma alguma.
Acusações sobre “conhecimento prévio” das armas d’água
- Os irmãos Pitbull afirmaram em vídeo que o Karate Combat sabia das armas d’água antes do início da confusão.
- Zaidi negou e disse que não existe “escritório do Karate Combat” dentro de hotel ou em qualquer lugar.
- Patricio explicou que, quando falou em “escritório”, se referiu a um cômodo onde a equipe trabalhava durante a semana junto da comissão.
Após o tumulto, os irmãos Pitbull alegaram em vídeo que a promoção tinha ciência das armas d’água antes do início da confusão, dizendo que teriam saído do local onde a equipe trabalhava no hotel.
Zaidi rechaçou a acusação, afirmando que não existe um “escritório” do Karate Combat dentro de hotel. Ele disse que ficou decepcionado com a narrativa e sugeriu que o objetivo seria distorcer o contexto. Na visão do presidente, a repercussão das imagens teria sido tão grande que, especialmente no público americano, a reação teria sido dura contra os brasileiros, o que poderia ter levado a tentativa de criar uma explicação alternativa.
Ele também apontou um argumento que, na leitura de Zaidi, contraria a versão: caso fosse uma conspiração real, a comissão não teria suspendido apenas Patricky, Diego Brandao e treinadores envolvidos até aquele momento, além de estar investigando os responsáveis pelos disparos com água.
Patricio, por sua vez, esclareceu que “escritório”, na fala dele, significava um quarto no hotel onde a equipe do Karate Combat trabalhava durante a semana, junto com a comissão. Ele ainda disse estar convencido de que Zaidi já teria sabido da existência das armas d’água antes do episódio.
Patricio afirmou que não vê como o presidente não ter percebido, já que os envolvidos teriam saído de dentro do hotel segurando as armas. Ele justificou que, como havia esposas presentes, a escalada poderia acontecer e que, como ele descreveu, um homem “honrado” defenderia a família. O brasileiro afirmou que não foi apenas por ser uma arma d’água, mas pelo fato de os disparos terem atingido diretamente o rosto da esposa, especialmente quando o agressor teria ajustado o alvo enquanto Patricio estava por perto.
Segundo Patricio, Patricky teria reagido rapidamente, arremessando uma garrafa, e foi nesse momento que tudo explodiu.
Reação de Patricky e Patricio contra a condução de Zaidi
- O UFC featherweight criticou Zaidi por como o caso foi tratado durante a semana.
- Patricio afirmou que Zaidi teria garantido primeiro a versão do próprio lado e ainda assim colaborou com publicações no Instagram.
- Patricio acusou o presidente de “tomar partido” e de promover caos para beneficiar o lutador rival.
Na sequência, houve críticas mais diretas do lado dos irmãos Pitbull à forma como Zaidi teria conduzido o caso durante a semana. Patricky apontou que o presidente teria dado um rival substituto para Rind em poucas horas e, além disso, teria promovido o episódio nas redes sociais de modo que favoreceria a perspectiva do campeão.
Zaidi respondeu dizendo que a promoção buscou ouvir primeiro Patricky e que, mesmo com críticas ao Karate Combat, as partes teriam colaborado com posts no Instagram.
Patricio, no entanto, sustentou que Zaidi falou como se não quisesse distorcer o caso, citando que a comissão estaria acompanhando, mas que o presidente teria promovido a situação. Ele citou ainda um post em colaboração com uma influenciadora paquistanesa, com a mensagem descrevendo os brasileiros como se fossem “três hienas contra um leão”. Para Patricio, o objetivo teria sido manter o caos para alavancar o lutador do outro lado.
O brasileiro afirmou que, apesar de a postura de Zaidi ser de “neutralidade” no discurso, haveria contradições. Ele disse que o presidente teria publicado no Instagram uma congratulação ao responsável por atingir a esposa com água, além de entender que uma gestão correta exigiria suspensão imediata dos envolvidos, punição e prevenção do primeiro descontrole.
Patricio completou que, do ponto de vista dele, não faz sentido Zaidi agora alegar que quer “deixar tudo assentar” e manter os agressores trabalhando. Para ele, isso não condiz com o que aconteceu e com as responsabilidades da promoção.
Patricio também justificou a reação física como defesa da família. Ele afirmou que, como lutador e praticante de artes marciais, ensina um sistema anti-bullying dentro de sua equipe e que esse é exatamente o tipo de postura repassada às crianças: se defender quando necessário. Ele disse que não tinha familiaridade com os lutadores envolvidos a ponto de imaginar uma agressão dessa natureza, principalmente contra as esposas, e argumentou que não havia debate possível quando alguém desconhecido atira água no rosto e na face da companheira.
Na visão de Patricio, a agressão teria cruzado limites claros e, por isso, o conflito virou luta. Ele relatou que teriam sido “em número maior”, citando que pessoas de fora estariam chutando alguém chamado Junior, além de socos acontecendo durante a confusão. Patricio disse também que algumas pessoas fingiram separar enquanto participavam do tumulto, e concluiu que a sequência teria sido consequência direta da provocação.
Defesa de Zaidi sobre expulsão no hotel e risco de punição
- Zaidi disse que o hotel pediu para retirar três pessoas dos quartos, mas ele teria negado.
- O presidente afirmou que Diego Brandao teria sido incluído no conflito e que a polícia teria sido informada apenas parcialmente sobre quem agrediu.
- Zaidi disse que enviou um médico para realizar pontos em Patricky no quarto do hotel.
Zaidi afirmou que, após o incidente, o hotel teria solicitado a remoção dos brasileiros dos quartos, mas que ele defendeu a permanência. Ele estendeu a defesa também para Diego Brandao, alegando que o argentino teria se envolvido no tumulto.
Segundo Zaidi, ao ser procurado para expulsar três pessoas, ele teria dito que não e garantiu que eles ficassem. O presidente alegou que, quando a polícia chegou, o hotel teria reclamado apenas de Patricky e Diego Brandao, mas que ele teria contestado essa versão, afirmando que a situação era diferente. Com isso, a polícia teria deixado o local.
Zaidi disse ainda que encaminhou um médico para fazer os pontos em Patricky dentro do quarto, para evitar novos problemas e garantir que ninguém fosse prejudicado por causa do ocorrido.
Apesar de afirmar que vinha “protegendo” os envolvidos, Zaidi criticou a tentativa de colocar o Karate Combat como se estivesse controlando uma narrativa. Para ele, o que importa é que os atletas precisavam lutar, já que teria sido uma semana inteira de preparação em Miami para o camp de luta e, após o cancelamento, o prejuízo seria tanto esportivo quanto financeiro.
Patricio rebateu dizendo que Zaidi não teria trazido a família toda dos irmãos Pitbull para a competição. Ele afirmou que não houve pagamento de despesas e que Patricio teria ido apenas para acompanhar o evento porque seu irmão lutaria. Na leitura do brasileiro, o presidente não teria feito contato com o irmão durante o período e, inclusive, ele teria sido quem pediu por um médico.
Patricio acrescentou que o profissional chamado não seria especialista em olho, e que o responsável pelos pontos no rosto de Patricky teria sido alguém do evento que agiu por boa vontade.
A possibilidade de acerto e o clima de ruptura
- Zaidi disse que aceitaria trabalhar novamente com os irmãos Pitbull, mas com mais cuidado.
- O dirigente afirmou que só conheceu o histórico mais profundo do Bellator após o episódio.
- Patricio e Patricky continuaram criticando a postura do presidente, chamando de “não profissional” e de “covarde”.
Zaidi chegou a considerar oferecer a Patricky uma luta em um card futuro que aconteceria no Azerbaijão, mas indicou que um acordo para eventos futuros parece improvável. Ele disse que, apesar de não ser fã do Bellator quando comparado ao histórico mais antigo dos irmãos, ainda assim poderia voltar a negociar.
O presidente afirmou que, depois de tudo, teria se lembrado de “Chute Boxe” ao observar a postura e a dinâmica do grupo, e que preferiria uma conversa direta para alinhar que o próximo encontro precisa ser feito “do jeito certo”.
Patricky, por outro lado, criticou Zaidi por comportamento “totalmente não profissional” na semana, alegando que o dirigente teria “tomado partido” no episódio envolvendo Rind. Ele disse que um presidente de organização não deveria se posicionar, nem incentivar brigas ou tentar tirar vantagem do conflito, destacando que vários pontos do caso não combinariam com a postura esperada de alguém no comando.
Patricio foi mais duro e chamou Zaidi de covarde e de promotor ruim. Ele também declarou que o presidente não mereceria conceder entrevistas e, na visão dele, nem deveria ganhar holofote, defendendo que a figura de Zaidi fosse ignorada após o ocorrido.
Comissão estadual analisa sanções e possível impacto no pagamento
- A comissão da Flórida estuda punir os irmãos Pitbull.
- Zaidi disse que a entidade trata o tumulto de sexta como continuação do que ocorreu na quinta.
- Patricky afirmou que existe risco de não receber a premiação por causa de bloqueios relacionados à decisão da comissão.
A comissão da Flórida estuda aplicar sanções aos dois irmãos Pitbull. Zaidi disse que o órgão avalia a briga de sexta como desdobramento do que aconteceu na quinta, o que pode agravar a situação dos brasileiros.
O presidente reconheceu que o conflito teria passado do limite. Ele argumentou que, se fosse apenas entre os irmãos Pitbull e os envolvidos diretos, talvez não tivesse escalado, mas que treinadores ao redor teriam entrado e reiniciado a confusão repetidas vezes. Zaidi relatou que as imagens de segurança indicariam uma briga com duração de aproximadamente 12 minutos, algo que ele disse nunca ter visto acontecer em briga de rua.
Zaidi também contou que, ao chegar com a comissão durante o andamento do episódio, os responsáveis já estavam acompanhando ao vivo. Ele declarou que o chefe da comissão estadual teria assistido diretamente, e que a decisão teria sido tomada com base na análise do vídeo e no que foi visto no momento.
Na sequência, segundo Zaidi, a comissão teria suspendido na hora os envolvidos considerados responsáveis e, além disso, estaria investigando os “sprinklers” para decidir o que fazer com os responsáveis pelo uso de água.
Em meio a isso, Patricky teme que uma sanção impeça o pagamento da premiação dele no Karate Combat. Ele afirmou que o presidente teria dito que a comissão bloqueou o pagamento da bolsa e que, na prática, a intenção seria não quitar o valor mesmo com o brasileiro tendo feito peso e cumprido as obrigações de mídia do evento.

