Prochazka diz que foi “misericordioso” e comenta nocaute de Ulberg no UFC

Logo após a derrota no UFC 327, Jiri Prochazka gerou repercussão ao afirmar que havia “mostrado misericórdia” a Carlos Ulberg. A declaração veio depois de o adversário sofrer uma lesão séria no joelho durante a luta, mas mesmo assim conseguir encontrar um golpe decisivo para arrancar um nocaute surpreendente e conquistar o cinturão vago na categoria dos meio-pesados. Ulberg não engoliu a explicação e rebatou Prochazka com um “balela”, questionando a versão do rival. Com o tempo passando e a possibilidade de analisar o combate com mais calma, o tcheco voltou a falar sobre o que, segundo ele, realmente aconteceu no octógono.

Em publicação no Instagram, Prochazka tentou deixar a situação “registrada” para cortar qualquer interpretação que, na visão dele, estaria sendo criada fora do contexto. Ele sustentou que não foi exatamente misericórdia, e sim uma perda total de foco no momento decisivo. O lutador explicou que, quando Ulberg machucou a perna, a luta passou a girar em outro ritmo dentro da cabeça dele e que, a partir daí, ele não teria conseguido manter o nível de atenção necessário para fechar o confronto. Prochazka também citou que já viveu situação parecida em uma luta no Japão, em que precisou atravessar a dor e a instabilidade causadas por uma contusão, entendendo o quanto o corpo “luta” para seguir em frente enquanto a mente tenta se organizar.

Na sequência, o campeão interino reconheceu o mérito do desafiante por manter a postura e conseguir reagir na hora certa, especialmente ao encaixar o golpe que o pegou. Ainda assim, Prochazka foi duro ao admitir que, a partir do instante em que Ulberg se lesionou, ele não estaria mais em 100%. Segundo o relato, ele teria ficado em algo como 40% ou 50% da performance, como se estivesse apenas “treinando” e esperando o árbitro interromper a luta a qualquer momento. Essa percepção, de acordo com o próprio Prochazka, teria aberto espaço para o nocaute acontecer antes mesmo do primeiro round chegar ao fim.

Apesar do problema no joelho, Carlos Ulberg continuou lutando e aproveitou a janela criada para buscar o golpe de impacto que derrubou Prochazka antes do encerramento da primeira parcial. Após a vitória, Ulberg comentou que, se ele realmente tivesse recuado para o canto após o término do round, a chance de ser autorizado a seguir seria pequena, dada a gravidade da lesão. No entanto, foi justamente o contrário: Ulberg permaneceu em ação e finalizou do jeito que marcou a luta. Prochazka, por sua vez, colocou a responsabilidade sobre si mesmo, dizendo que aquela foi uma grande falha — possivelmente “uma das maiores” — e que não pretende ficar se punindo continuamente, mas sim transformar o aprendizado em combustível para evoluir e voltar mais forte.

O tcheco ainda tratou do que chamou de “especialistas” que passaram a criticá-lo após a derrota. Ele mencionou nomes como Paulo Costa e Magomed Ankalaev, além de outros que estariam dando opiniões, mas fez questão de não entrar em debates diretos com o grupo. Prochazka reagiu com ironia, inclusive com um gesto, e ainda levantou uma dúvida sobre a continuidade de Ankalaev como “o mesmo lutador” apresentado publicamente, questionando se seria apenas um personagem sendo trabalhado por assessoria ou se ele próprio estaria por trás das falas.

Depois do combate em Miami, Prochazka retornou ao seu país e, em breve, viveu um marco pessoal: sua parceira deu à luz a primeira filha do casal. Nesse momento, ele afirmou que a prioridade segue sendo a família, embora espere conversar com o UFC em breve para iniciar o planejamento do retorno aos treinos e à competição. O lutador disse que começaria a tratar de negociações para a próxima luta apenas cerca de um mês depois, justificando que agora é hora de manter o foco no ambiente doméstico e no novo momento que a filha representa, mesmo com as emoções ainda “lutando” por dentro por causa da luta.

Prochazka também projetou o próximo ciclo de preparação, destacando a expectativa pelo próximo adversário e pelo “próximo round” de treinos, com o objetivo de ficar mais forte e mais ajustado, mantendo o caminho certo. Para fechar o desabafo com confiança, ele ainda lançou uma previsão envolvendo o cinturão: na visão do lutador, o combate em que foi derrotado teria reacendido a motivação, e ele acredita que voltará a disputar o título dos meio-pesados do UFC antes de Carlos Ulberg estar liberado para competir após a cirurgia no joelho.

“Essa luta só acendeu ainda mais o fogo em mim”, afirmou Prochazka, reforçando que, antes de Ulberg retornar ao caminho da disputa, ele pretende estar na rota do cinturão. A declaração encerra a mensagem com a convicção de que a próxima etapa da carreira deve ser uma nova chance pelo posto máximo da categoria, mirando o retorno ao topo antes do adversário ter condições oficiais de seguir no calendário.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.