Ray Longo não poupou críticas a Jiri Prochazka após a mais recente derrota do checo na franquia, ocorrida no UFC 327. Para o treinador, o cenário era de grande oportunidade — mas uma escolha durante a luta acabou custando caro, especialmente diante de um adversário que já chegava com o corpo comprometido.
Prochazka vinha embalado para conquistar, no último sábado, o que seria o segundo cinturão dos meio-pesados. O plano, porém, não se concretizou: Carlos Ulberg sofreu uma lesão na perna ainda durante a luta, mas, em vez de Prochazka aproveitar o momento com a finalização, ele hesitou e acabou nocauteado de forma surpreendente por um Ulberg claramente limitado.
Depois do combate, Prochazka admitiu que se arrependeu de ter dado “misericórdia” ao rival, em vez de insistir na busca pelo nocaute. Longo, por sua vez, disse que tenta entender o que passa pela cabeça de um atleta quando toma uma decisão desse tipo — e foi além, sugerindo que o episódio não pode ser tratado apenas como “erro tático”.
O que Longo disse sobre o “arrependimento” de Prochazka
Em participação no podcast Anik & Florian, Ray Longo afirmou que considera necessário discutir “questões mentais” no MMA, argumentando que o que parece engraçado ou distante em outros contextos pode virar um desastre quando chega a hora de agir dentro do octógono.
Para o treinador, a reação de Prochazka após perceber a condição do adversário teria sido confusa e cara: ele criticou a ideia de “misericórdia” no momento em que o combate ainda exigia proteção total e agressividade para evitar que o outro encontrasse uma janela de contra-ataque.
Longo também ironizou a situação citando um paralelo com um clássico do cinema: ele comparou o comportamento de Prochazka ao enredo do “Karate Kid”, lembrando que o vilão, no filme, orienta seus alunos a provocar dano intencional ao personagem principal. Na visão dele, a comparação faz sentido por causa da forma como a luta teria sido “largada” quando o mais importante, segundo o treinador, era concluir o trabalho.
Lesão de Ulberg, chutes na perna e a leitura do treinador
Apesar de reconhecer que Prochazka seguiu mirando a perna dianteira de Ulberg com chutes ao longo do combate — e de que a outra perna do adversário, em alguns momentos, parecia também falhar —, Longo não acredita que a estratégia tenha sido efetiva caso a intenção fosse realmente chegar ao nocaute.
O treinador declarou que sente pelo atleta lesionado, destacando que Ulberg agora precisa conviver com a percepção de que recebeu uma “chance” por misericórdia. Ainda assim, Longo foi firme na avaliação de que Ulberg cumpriu seu papel: ele poderia ter parado, desistido ou apenas mancado para sobreviver na luta, mas optou por lutar até o fim.
Nas palavras de Longo, Ulberg merece o resultado que obteve, pois escolheu permanecer competitivo apesar das condições físicas. Já Prochazka, na avaliação do treinador, precisaria conversar com alguém para entender o que aconteceu, já que o que ele enxergou na luta foi “ridículo”.
Ray Longo também argumentou que não dá para sustentar duas coisas ao mesmo tempo: se o lutador decide aliviar o ritmo por consideração, não deveria sair do octógono ao mesmo tempo insatisfeito com o desfecho. Na leitura dele, ou você decide proteger o outro e aceita as consequências, ou você busca finalizar e assume o risco do combate.
A principal lição: proteger-se enquanto tenta vencer
Para Longo, o ponto mais importante que ele acredita que Prochazka esqueceu é o princípio básico dentro do octógono: em qualquer momento, o lutador precisa se proteger o tempo inteiro. E, segundo o treinador, a forma mais segura de evitar que o adversário faça o mesmo contra você é tirar o oponente da jogada antes que ele consiga retaliar.
Longo voltou a elogiar Ulberg, mas reforçou que o que o deixou impactado foi a imprevisibilidade do MMA quando a “porta fecha”. Na visão dele, quando a luta está valendo, qualquer evento pode acontecer — e, por isso, não existe espaço para relaxar.
Ele concluiu dizendo que, quando o combate termina, aí sim faz sentido retomar gestos de respeito e confraternização. Contudo, quando as regras entram em vigor e o octógono está em funcionamento, o treinador afirmou que “a coisa muda” e que, na opinião dele, não importa o que aconteça: a obrigação é lutar com foco absoluto e segurança.
Com isso, Ray Longo resumiu o caso como uma combinação de hesitação, falta de agressividade no momento decisivo e uma leitura equivocada do perigo — exatamente o tipo de detalhe que, no MMA, pode transformar uma vantagem em derrota em questão de segundos.

