Ronda Rousey “se livrou do travesseiro” — e, com isso, também deixou para trás a sensação de ser “assombrada” pela derrota para Holly Holm no UFC 193, disputado no fim de 2015. Ex-campeã do peso-galo feminino do UFC, Rousey não demonstra interesse em uma revanche contra “The Preacher’s Daughter”, provavelmente porque conseguiu voltar a vencer no início do mês, ao finalizar Gina Carano em uma luta exibida na Netflix, recuperando o caminho das vitórias.
Holm chegou a tocar no assunto em entrevista dada nesta quarta-feira, ao comentar a possibilidade de uma nova luta. Para ela, a chance de Rousey querer repetir o confronto é muito baixa.
“Eu acho altamente improvável que ela queira uma revanche”, disse Holm. “Eu sempre falei, desde o instante em que a última luta acabou, que eu sempre vou rematchar ela. Isso sempre esteve disponível. Só que ela queria voltar, conseguir essa vitória e depois voltar a curtir a vida. Com essa vitória, ela conseguiu o que queria. Sem ressentimento de minha parte. Eu espero que ela vá bem. Eu espero que ela faça o que quiser com a vida dela. É a vida dela. Eu sempre ficaria aberto para lutar outra vez.”
Antes de Holm, Rousey vinha em uma sequência perfeita, com cartel de 12 vitórias e zero derrotas, todas finalizações, somando 12 triunfos antes do revés no UFC 193.
“O motivo de eu bater nela ter sido algo tão grande é porque ela era dominante”, acrescentou Holm. “Para existir uma grande zebra, você precisa de uma campeã dominante. Então eu respeito demais ela e o que ela fez. Eu nunca vou falar algo negativo sobre isso. Mas aí entra a parte do orgulho do atleta: uma vitória é ótima, mas também é tentar vencer da forma mais marcante possível, colocar aquele ‘carimbo’ em algo. Qualquer um que disser que não está orgulhoso estaria mentindo. Eu fiquei orgulhosa de ter entrado e feito o que eu fiz. Mas eu sou lutadora. É isso que a gente faz: a gente vai para vencer.”
Rousey, por sua vez, conseguiu apagar essa marca recente ao vencer Carano, e a tendência é que permaneça aposentada.
Em conversa com Up and Adams, Rousey reforçou que não pretende voltar ao octógono. Ela afirmou, também, que se considera uma lutadora diferente do que era antes.
“Eu já disse que estou aposentada, A, e B, e eu acho que eu sou uma lutadora completamente diferente agora”, declarou Rousey. “Eu limparia o caminho dela e certamente agora que eu tenho essa nova medicação. Eu já tomava antes. Fui diagnosticada com disfunção chamada cortical spreading depression, que sempre estava acontecendo nas minhas lutas anteriores — e, basicamente, foi por isso que eu decidi que precisava parar. Eu achava que minhas concussões estavam cobrando. Foi a primeira luta em que eu consegui lidar com isso. Quando eu espetei minha cabeça no chão, na hora, era exatamente o tipo de ocorrência que antes me faria ‘desligar’. Eu perderia grandes partes da visão e não voltaria de jeito nenhum. No fim, funcionou perfeitamente em uma situação ao vivo.”
Rousey diz que teve uma espécie de histórico de concussões “escondido” por muito tempo.
“Eu acho que eu definitivamente tenho a capacidade e a oportunidade de acabar com ela, de varrer o que ficou e reescrever toda essa história”, continuou Rousey. “Mas não é mais importante para mim. Isso não me assombra. Não é o mais relevante na minha vida e nem o que essas pessoas pensam sobre o quão boa eu sou e toda essa conversa. Eu sei do meu nível. E meus filhos precisam de mim na vida deles. Eu quero estar presente. Isso não é mais a coisa mais importante. Claro que, se eu chegasse num ponto em que pudesse voltar e fazer isso, eu ainda não quero voltar. Eu só quero seguir em frente.”
Com a decisão, Rousey também indicou que pretende deixar para trás os fãs “tristes” que ficaram no aguardo de uma volta ao esporte.

