Dana White afirmou que não está “muito preocupado” com questionamentos sobre o pagamento aos atletas, mas disse não querer ouvir comparações que coloquem lutadores do UFC recebendo menos do que jogadoras da WNBA. O tema ganhou força após um acordo de negociação coletiva recente, que elevou garantias salariais na liga feminina de basquete, enquanto, do lado do UFC, a estrutura de remuneração segue baseada em valores fixos por luta, com bônus adicionais em caso de desempenho.
- Contexto salarial comparativo: WNBA passou a garantir pelo menos US$ 270.000/ano, ante um mínimo anterior de US$ 66.000.
- Modelo de pagamento no UFC (exemplo citado): lutador recebe US$ 12.000 para lutar e mais US$ 12.000 caso vença.
- Evolução de contrato (exemplo citado): promoção de US$ 12.000 para US$ 14.000 e depois US$ 16.000 ao longo de três combates resultaria, no melhor cenário, em US$ 84.000 no ano.
- Declaração sobre reajuste futuro: White reiterou que salários de lutadores devem subir em 2026, ano de início do novo acordo de 7 anos e US$ 7,7 bilhões do UFC com a Paramount.
- Bônus citados (UFC): bônus padrão por finalização com US$ 25.000; Performance of the Night e Fight of the Night tiveram aumento de US$ 50.000 para US$ 100.000.
- Exemplo fora do UFC: o primeiro card de MMA da Most Valuable Promotions, exibido na Netflix, teve salário mínimo de US$ 40.000 como taxa fixa, sem o formato tradicional de “valor para lutar + valor por vitória”.
White reage a comparações com a WNBA
De acordo com Dana White, ele não se opõe ao debate sobre remuneração, mas considera “absurda” qualquer tentativa de equiparar o cenário salarial do UFC ao da WNBA. O dirigente ressaltou que, no UFC, a entrada de um atleta no elenco passa por uma etapa de avaliação esportiva — e que, por isso, o pagamento mínimo não deveria ser tratado como garantia imediata em valores equivalentes aos de uma liga que já tem outra dinâmica de contratos e projeção.
White argumentou que, ao ingressar no UFC, um lutador pode assinar um acordo de três lutas, mas o objetivo inicial é verificar se ele realmente tem espaço na organização. Para ele, não faria sentido começar pagando valores muito altos apenas para “testar” a capacidade do atleta de se firmar no alto nível do octógono.
Por que o UFC não adotaria “mínimos” iguais aos de outras ligas
O presidente do UFC reforçou que a remuneração dos atletas vem aumentando continuamente e que a tendência é de crescimento, desde que a empresa siga sendo bem-sucedida. Ainda assim, ele rechaçou a ideia de estabelecer um piso salarial para iniciantes, dizendo que a pergunta central é quanto se paga para que alguém venha competir e provar que merece continuar no plantel.
White também citou que, ao contrário de esportes em que apenas alguns nomes no topo concentram a maior parte do faturamento do evento, o UFC distribui ganhos de forma mais ampla. Segundo ele, no ecossistema da organização “todo mundo ganha dinheiro”, enquanto em outros modelos do boxe, por exemplo, os dois principais do card tendem a levar quase tudo e o restante não acompanha esse mesmo nível de recompensa.
Estrutura de contratos e o exemplo de progressão salarial
Ao explicar o funcionamento dos acordos, White mencionou um cenário em que o atleta começa com US$ 12.000 para lutar e recebe mais US$ 12.000 se vencer. Ele também destacou como, em contratos padrão do UFC, o valor pode subir conforme o desempenho e a sequência de lutas: um lutador poderia sair de US$ 12.000 para US$ 14.000 e depois para US$ 16.000 ao longo de três compromissos.
Mesmo assim, White considerou que comparar esse tipo de evolução com garantias anuais fixas — como o novo piso da WNBA — não faz sentido. No exemplo apresentado por ele, esse caminho resultaria, no melhor cenário, em US$ 84.000 no ano, considerando apenas a parte “garantida” associada ao número de lutas e os valores citados na progressão.
Aumento em 2026 e repercussão dos novos bônus
White voltou a afirmar que o pagamento aos lutadores deve aumentar em 2026, quando começa o novo ciclo de contrato do UFC com a Paramount: um acordo de sete anos e US$ 7,7 bilhões. O dirigente disse que esse é o marco esperado para uma nova fase financeira do esporte dentro da organização.
Enquanto isso, ele reconheceu que alguns atletas reclamaram que não perceberam mudanças tão expressivas desde o início do acordo de transmissão, mas também apontou que houve elogios ao UFC por incluir novas premiações. Entre elas, está um bônus padrão de US$ 25.000 para lutadores que garantirem a vitória por finalização.
Além do bônus por interrupção da luta, o UFC aumentou os valores dos prêmios pós-evento ligados aos destaques: Performance of the Night e Fight of the Night passaram de US$ 50.000 para US$ 100.000. White destacou, porém, que apenas o bônus por finalização (nocaute ou finalização) é garantido, enquanto as outras premiações dependem de critérios discricionários escolhidos pelos executivos do UFC.
Comparação com o modelo de salário mínimo em evento de MMA na Netflix
Para reforçar sua visão de que o UFC não deve seguir um formato semelhante ao de outras promoções, White citou a Most Valuable Promotions, que realizou recentemente o primeiro card de MMA de sua história, com transmissão na Netflix. Nesse evento, o salário mínimo foi de US$ 40.000 como taxa fixa, sem o modelo tradicional de pagamento dividido entre “valor para lutar” e “valor por vitória”.
Na leitura de White, é improvável que o UFC adote uma estratégia parecida no futuro, especialmente quando o assunto é a remuneração mínima para quem está começando e ainda precisa provar seu valor dentro da organização.
“Desde 2001, todo lutador recebeu mais do que era contratado”
Fechando o raciocínio, White afirmou que os “mínimos” no UFC aumentaram e explicou a lógica por trás do pagamento: trata-se de definir quanto vale colocar um atleta para competir e demonstrar se está pronto para permanecer no plantel. Ele também sustentou que a empresa construiu um produto bem-sucedido, com atletas ganhando bastante dentro do UFC e com a existência de uma “classe média” ao longo do roster.
Por fim, White acrescentou um dado histórico que, segundo ele, reforça o argumento de que não há desvantagem salarial no modelo atual. Ele disse que, desde 2001, mesmo em períodos em que a empresa teria enfrentado prejuízos de dezenas de milhões de dólares, todos os lutadores que participaram do UFC receberam valores superiores aos que estavam previstos em contrato.

