UFC acelera com IA em teasers e Renato Moicano critica a promoção

O UFC avançou de forma rápida e ostensiva na adoção de inteligência artificial ao longo de 2026. Mesmo com a organização garantindo valores fixos mais altos do que nunca aos lutadores, a empresa tem mostrado pressa para incorporar ferramentas de IA na produção de conteúdo e em materiais promocionais. O movimento ganhou ainda mais destaque quando a promoção lançou um novo teaser para o card do UFC White House, exibindo um vídeo que, na maior parte, foi gerado por inteligência artificial — o que acabou gerando reação e levantando sobrancelhas entre parte do público.

Debate sobre o uso de IA em teasers e campanhas

Com a repercussão crescendo, o presidente do UFC, Dana White, tratou o tema com uma mensagem direta. A postura dele foi basicamente a de encerrar a discussão e pedir que os fãs foquem no que importa: assistir às lutas. Mesmo com o incômodo de parte da torcida, a expectativa inicial é que o impacto prático seja limitado, já que a organização ainda não sinalizou uma mudança de rota apenas por causa das críticas.

Renato Moicano critica e chama de desrespeito ao fã

Além do público, um lutador brasileiro entrou no debate para deixar claro que não gostou do aumento da presença de IA na produção de conteúdo. Renato Moicano, que em sua última apresentação venceu Chris Duncan no main event e saiu com uma atuação unilateral ainda no início deste mês, se posicionou contra a utilização de inteligência artificial como ferramenta de divulgação e avaliação.

O que o brasileiro disse

Em declarações reproduzidas a partir de uma conversa com Ariel Helwani, Moicano afirmou que não curtiu a ideia e interpretou o uso de IA como algo desrespeitoso com a base de fãs. O lutador argumentou que, como ele próprio é fã, entende o quanto esse tipo de material pode soar “preguiçoso” ou “desleixado”.

Para reforçar o ponto, o brasileiro citou que, se fosse para colocar nomes grandes e chamar atenção no contexto do evento, a produção poderia fazer algo mais concreto — como colocar Alex Pereira ou Ilia Topuria em um cenário real, em Washington, diante da Casa Branca, por exemplo. Na visão dele, quando o conteúdo é feito de maneira automatizada e parece “genérico”, a sensação é de falta de cuidado.

Moicano também fez uma distinção importante: segundo ele, inteligência artificial pode até ajudar em alguns usos do dia a dia, mas não como base para criação de conteúdo promocional. A crítica central foi que o público percebe quando o material foi gerado automaticamente, o que, para ele, reforça a impressão de desorganização e falta de capricho.

Reação ainda é pequena, mas o desgaste pode crescer

Apesar de a insatisfação ter aparecido, a repercussão naquele momento foi descrita como moderada e espalhada, sem indícios claros de uma virada imediata na postura da organização. Ainda assim, a avaliação é de que cartazes e vídeos promocionais claramente automatizados contribuem para um clima mais geral de desânimo e desinteresse — um problema que pode se tornar mais relevante com o tempo, mesmo que, por enquanto, não esteja afetando diretamente os resultados financeiros do UFC.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.