Edgar Chairez relata quase morte: “Acertaram só uma vez” antes do UFC

Edgar Chairez relembrou, com detalhes, um episódio que quase encerrou sua vida há mais de uma década. O mexicano de 30 anos entra em ação neste sábado, no UFC Vegas 118, quando enfrenta Bruno Silva, em luta marcada para acontecer cinco dias antes do início da campanha da seleção do México na Copa do Mundo de 2026 — evento que será disputado em três países (México, Canadá e Estados Unidos). Enquanto prepara o combate, Chairez também contou a origem da foto que compartilhou nas redes sociais, retratando-o em uma cama de hospital após sobreviver a um ataque a tiros.

De acordo com o lutador, tudo começou em uma briga de rua envolvendo um amigo. Ele explicou que tentou separar os envolvidos, mas, por estar no mesmo grupo, acabou atingido durante a ação. Segundo o relato, o ataque mirou os dois e, enquanto o amigo foi baleado quatro vezes, Chairez teria sido atingido uma única vez. Ele ainda afirmou que conseguiu escapar correndo, porém os disparos continuaram até que os agressores terminassem as munições.

Chairez também contextualizou como a violência sempre esteve presente em sua formação, descrevendo que, na visão dele, o ambiente social de seu país guarda semelhanças com o Brasil. Para o mexicano, o cenário de criminalidade e a facilidade de acesso a armas fazem com que situações desse tipo sejam recorrentes nas ruas. “Acabei envolvido em uma dessas circunstâncias e quase perdi a vida. O lado bom é que eu ainda estou aqui por algum motivo”, resumiu.

O combate no octógono, no entanto, contrasta com a infância longe do MMA. Chairez disse que não tinha contato com as artes marciais quando era criança e que a porta de entrada para o universo dos esportes de combate veio por histórias envolvendo boxeadores mexicanos. Ainda assim, o sonho principal dele era outro: ser jogador de futebol. Ele afirmou que, desde cedo, sua rotina girava em torno do esporte e que, embora tenha crescido em um bairro difícil, nunca se envolveu com gangues nem frequentou esse tipo de vida.

“Minha mentalidade nunca foi de ser ‘marginal’, roubar ou usar drogas. Era futebol. Eu fui jogador desde que eu me lembro até os 18 anos. Meu sonho era ser um atleta profissional do futebol”, declarou, brincando ao final sobre a própria especialidade no MMA: “Eu chuto, mas na cara — não na bola mais, né?”

O duelo com Bruno Silva acontece em uma semana simbólica para Chairez. O atleta afirmou que a motivação extra vem do calendário da Copa do Mundo e do desejo de, com uma vitória no UFC Vegas 118, abrir caminho para assistir a um jogo ao vivo. Ele comentou que, na prática, espera ser convidado para acompanhar uma partida com a delegação.

“Eu preciso motivá-los, porque eu quero que eles me convidem para um jogo. A gente está na seleção de MMA, então eles têm que convidar a gente. Eu não sei por que ainda não convidaram. Somos só cerca de 15 pessoas, bem poucos. Tomara que a gente comece da maneira certa, uma semana antes do torneio. Depois, eu queria tirar algumas semanas e ir ver uma partida da Copa do Mundo”, afirmou, rindo.

Chairez ainda recordou o histórico do torneio no México. Ele lembrou que a única edição realizada no país ocorreu em 1970, quando o Brasil conquistou mais um título. Os Estados Unidos também já sediaram a Copa do Mundo em 1994, e o torneio terminou com o Brasil campeão novamente. Com isso, o mexicano projetou uma atuação forte da seleção nos próximos jogos, com a meta de alcançar ao menos as semifinais.

Na visão dele, apesar da dificuldade, o México precisa manter a esperança e continuar acreditando mesmo diante de críticas. Ele citou a fala de Chicharito (Hernández) e adotou a ideia de “imaginar coisas grandes” como combustível. Chairez também afirmou que não lembra de Copas recentes em que o país tenha sido humilhado, destacando que a equipe sempre chega e costuma competir bem. Para ele, momentos complicados tendem a revelar força do elenco.

“A gente vai praticamente jogar em casa, e eu acho que vai ser uma grande performance. Eu espero pelo menos chegar às semifinais. Eu ficaria feliz com uma campanha forte. Talvez um dia Deus me permita ver o México campeão do mundo, mas mesmo uma boa atuação vai me orgulhar”, disse.

No UFC, Chairez chega para o confronto como um lutador em fase de construção. O mexicano tem retrospecto de 3-2 na organização e, além disso, registra um resultado sem vencedor (no-contest) no cartel pelo UFC. Ele vem de duas vitórias anteriores, contra CJ Vergara e Felipe Bunes. Já suas derrotas mais recentes vieram justamente diante de dois nomes envolvidos na luta mais recente pelo cinturão do UFC: Joshua Van e Tatsuro Taira.

Para a análise do próprio combate, Chairez apontou que está com um camp “bem bom”. Ele também disse que não foi cercado por atletas de outras nacionalidades que estariam, na visão dele, tentando se provar contra um lutador do UFC e buscar nocaute durante o sparring. O resultado, segundo ele, é uma preparação mais direcionada e com condições para ter domínio no confronto.

Chairez afirmou que tenta se enxergar vencendo desde o início, além de procurar a melhor posição possível mesmo que a luta fique complicada. Ele sustentou que acredita ter uma defesa de quedas muito sólida — área que, segundo o próprio atleta, evoluiu mais. Ao mesmo tempo, ele se considera perigoso no boxe e vê força significativa também nos chutes.

O mexicano ainda falou sobre o peso do momento e sobre como enxerga o adversário como alguém que merece respeito. Para ele, Bruno Silva é um oponente duro, ranqueado há muitos anos, e era alguém que Chairez imaginava que poderia enfrentar no futuro. Agora, ele trata a luta como a oportunidade de transformar a expectativa em resultado e provar que pertence ao grupo dos melhores.

Chairez também cravou que vê o duelo como potencial candidato a “Luta da Noite”. A justificativa é simples: ambos são lutadores de trocação, especialistas em nocaute e com histórico de finalização, além de estarem mais inclinados a permanecer de pé e trocar golpes. “Vai ser uma luta excelente. Desde que anunciaram o bônus de 100 mil dólares, todo mundo entra buscando a finalização”, concluiu.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.