Mike Malott emplaca nocaute técnico em Winnipeg e mira o próximo desafio no UFC

Mike Malott entrou como favorito na sua primeira chance de comandar um evento principal no UFC e transformou esse grande momento diante do seu público contra Gilbert Burns, em Winnipeg, no Canadá. O lutador, que carregava a responsabilidade de uma luta em casa, sustentou o ritmo desde o início e acabou selando a vitória com um nocaute técnico na terceira rodada, em um desfecho marcado por uma sequência avassaladora.

Antecedentes

Malott chegou ao headliner dos meio-médios no sábado com cartel de 14-2-1 na carreira e aproveitamento de 7-1 dentro do octógono. Do outro lado, Burns, ex-desafiador de cinturão, acumulava 22-10 no histórico e também vinha com números expressivos no UFC, 15-10. A luta aconteceu no Canada Life Centre, em Winnipeg, na província de Manitoba, com o duelo valendo o confronto principal do UFC Fight Night 273.

O desempenho do brasileiro em ascensão (apelidado de “Proper”) chamou atenção pelo momento. Desde a única mancha em sua trajetória no octógono — uma derrota para Neil Magny no UFC 297, em janeiro de 2024 — Malott emplacou uma sequência de quatro vitórias consecutivas, o que fortalece a leitura de que ele está evoluindo para figurar entre os nomes mais ameaçadores da categoria.

Apesar disso, o contexto do pós-luta adicionou um fator de cautela para medir o teto do meio-médio. Poucos instantes depois do fim do combate, Burns tirou as luvas e comunicou sua aposentadoria, o que inevitavelmente muda a forma como essa vitória pode ser interpretada como “termômetro” definitivo para o nível máximo de Malott, especialmente por envolver um adversário em fase final de carreira. Ainda assim, a proposta do lutador é clara: manter o foco e continuar provando seu valor a cada apresentação.

Na rota do UFC para os próximos passos de Malott, os nomes seguem pesados. O principal deles pode ser Colby Covington, ex-desafiador de título, que tem cartel de 17-5 no MMA e 12-5 no UFC. Em março, Covington afirmou que o executivo Hunter Campbell estava mantendo sua agenda em espera para encarar o vencedor de Malott contra Burns, o que faz sentido tanto do ponto de vista esportivo quanto pelo apelo de estilo e personalidade para o público.

A luta

  1. Malott abriu a luta mantendo o combate em pé, com trocação constante e controle do ritmo, enquanto Burns tentava encontrar caminhos para impor seu jogo.
  2. O duelo seguiu majoritariamente na trocação, sem que a luta migrasse de forma decisiva para um cenário de grappling, e Malott foi consolidando a pressão com ações efetivas no striking.
  3. Na terceira rodada, Malott acelerou o ataque e transformou o encontro em uma ofensiva final: a sequência de golpes evoluiu para um TKO com “swarm”, encerrando a luta de maneira rápida e contundente.

O pós-luta

Com o triunfo, Malott chega a quatro vitórias seguidas no UFC e reforça a candidatura para entrar de vez no grupo dos principais da divisão. A vitória, porém, vem acompanhada de um elemento que gera debate: a aposentadoria anunciada por Burns logo após a luta, o que reduz a clareza sobre o quanto esse resultado reflete o ápice do adversário — ainda assim, não diminui o mérito do desempenho do vencedor, que sustentou a proposta de enfrentamento em pé e executou o final com força na rodada decisiva.

Enquanto isso, o UFC parece desenhar o caminho para um novo desafio de alto nível. A expectativa, de acordo com a movimentação envolvendo Colby Covington, é que o próximo passo do meio-médio venha de um confronto envolvendo o vencedor do duelo entre Malott e Burns — um encaixe que tende a ser relevante tanto tecnicamente quanto no quesito de impacto entre os principais nomes da categoria.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.