Quando Ronda Rousey sobe ao octógono para encarar Gina Carano neste sábado, a imprevisibilidade é inevitável. Isso porque as duas chegam ao confronto com um intervalo enorme longe de lutas de alto nível: o tempo fora de ação soma 27 anos entre as atletas.
Rousey é favorita nas casas de apostas
As linhas de aposta colocam Rousey como ampla favorita para vencer. A tendência é explicada pelo histórico: ela foi campeã do UFC e construiu uma trajetória recheada de rivais dominadas e finalizadas, antes de sofrer derrotas nas duas últimas lutas de sua fase anterior.
Carano, por sua vez, não alcançou o mesmo patamar de conquistas dentro do cage. O último compromisso dela, em 2009, terminou de forma dura: Cris Cyborg finalizou a rival em uma luta marcada por impacto e controle.
O que Matt Brown espera do combate
- Matt Brown disse que não espera “muita coisa” em termos de luta bonita;
- Ele enxerga Gina Carano com uma rota de vitória, apesar das probabilidades contrárias;
- Brown acredita que Carano possa estar mais bem preparada fisicamente, enquanto Rousey teria parado de treinar e agora estaria voltando;
- O ex-lutador vê o estilo de Rousey como mais previsível, com tentativas de queda em estilo judo;
- Ele afirma que, se Carano fizer o básico, pode reduzir o impacto do plano de Rousey;
- Apesar de apontar Carano, Brown ressalta que a luta tende a ser “feia” e sem grande apelo.
O ex-atleta Matt Brown afirmou que espera um duelo pouco agradável de acompanhar. Em sua leitura, a vantagem física natural seria de Carano, e o momento de preparação também pesaria: ele supõe que a rival tenha tentado manter o condicionamento durante o tempo parado, enquanto Rousey, segundo a percepção dele, teria interrompido o treinamento e apenas agora estaria retornando.
Outro ponto destacado por Brown foi a previsibilidade de Rousey. Ele argumentou que a campeã não trabalha tanto com entradas de “duplo nível” (double leg), e que a tendência seria buscar quedas com base no judo. Para Brown, Carano teria condições de neutralizar parte do que a adversária costuma tentar ao conseguir entrar no clinch e dificultar as tentativas de arremesso e controle.
Exemplo citado: Holly Holm vs. Ronda Rousey
Apesar de reconhecer o talento de Rousey no judô — incluindo a conquista de uma medalha olímpica de bronze — Brown sustenta que as principais investidas da atleta em tentativas de queda podem ser respondidas. Ele citou o confronto entre Rousey e Holly Holm, em 2015, como referência direta do que pode acontecer.
Na visão dele, quando Rousey não conseguiu levar a luta ao chão, Holm começou a pressionar com golpes na sequência, culminando no devastador nocaute provocado por uma grande finalização com chute na cabeça. Brown usa esse histórico para reforçar que o “plano de quedas” pode ser contido.
Segundo Brown, o problema para Rousey é que o repertório dela pode ser mitigado com treinamento específico. Ele afirmou que é possível aprender rapidamente como não ser colocado em finalizações como chave de braço (armbar) e como evitar ser arremessada no judô. Para ele, Holm teria desenhado esse caminho de neutralização.
Brown também fez uma observação técnica sobre a transferência do judô para o MMA. Ele disse que o judo é um esporte com regras e condições próprias — como o uso do kimono e a existência de pegadas específicas — e que, fora desse contexto (em luta sem kimono ou no MMA), apenas parte dos movimentos se adapta com eficácia.
Por isso, na leitura do ex-lutador, Carano teria um conjunto mais limitado de coisas para ajustar para enfrentar Rousey, enquanto Rousey precisaria dedicar tempo para melhorar a parte de trocação — algo que, segundo Brown, ela treinou por bastante tempo sem evolução consistente.
Ele ainda acrescentou que não enxerga Rousey com “intuição natural” para ser strikera em alto nível. Completando o quadro, Brown mencionou o fator tamanho e reforçou a ideia de que Carano provavelmente estaria mais preparada fisicamente, considerando o período de 17 anos sem competir.
“Não é para esperar uma luta inesquecível”
Independentemente do desfecho, Brown disse não esperar um confronto memorável. Ele comparou a expectativa do público com o que aconteceu na luta entre Jake Paul e Mike Tyson: um evento de enorme sucesso em audiência, mas com um conteúdo bem menos empolgante do que a repercussão sugeria.
Um dos motivos, segundo Brown, foi o fato de Tyson ter entrado no ringue aos 58 anos, sem ter competido profissionalmente havia décadas. Ele considera que um cenário semelhante pode surgir no duelo entre Rousey e Carano, já que Rousey volta ao octógono pela primeira vez em uma década e Carano pisa no cage pela primeira vez em 17 anos.
Brown foi direto ao comentar a possibilidade de a luta ser envolvente. Para ele, a chance é grande de o público terminar o evento e pensar que “não valia a pena” ter ficado acordado. Ele ainda brincou dizendo que, mesmo com a família querendo ver, provavelmente acabaria preso à transmissão, mas sem encontrar algo realmente empolgante na proposta.
O confronto de Rousey contra Carano acontece neste sábado, com a expectativa de um duelo de retorno e com um histórico recente que, para Brown, aponta mais para controle e contenção do que para entretenimento contínuo.

