UFC 328 pode ter mudanças: Khamzat x Strickland ameaça cancelar encaradas

A semana de lutas do UFC 328 começou com mais fumaça do que foco técnico, e isso pode mexer diretamente com o cronograma do evento. O duelo principal — uma luta valendo cinturão em cinco rounds entre Khamzat Chimaev e Sean Strickland — está marcado para a noite de sábado, 9 de maio de 2026, no Prudential Center, em Newark, New Jersey. Ainda assim, a organização pode decidir cancelar as tradicionais encaradas ao longo do fight week depois que “Borz” e “Tarzan” trocaram ameaças pesadas, em uma tentativa de “se superar” no lado mais caótico do confronto.

  • Evento: UFC 328 (fight week)
  • Data do main event: 9 de maio de 2026 (sábado)
  • Luta principal: Khamzat Chimaev vs. Sean Strickland (disputa por título, 5 rounds)
  • Local: Prudential Center, Newark, New Jersey
  • Tema do fight week: possível cancelamento das encaradas após ameaças públicas

Possível cancelamento das encaradas e pressão nos bastidores

Diante do clima de confronto, o ex-campeão do UFC e comentarista de lutas Dominick Cruz apontou que é possível que a promoção nem tente fazer as encaradas formais. Para ele, quando dois atletas já estão trocando ameaças desse nível, a ideia de “colocar os dois frente a frente” deixa de ser apenas um espetáculo e vira um risco desnecessário.

Cruz questionou a lógica de realizar face a face em um cenário em que os próprios lutadores deixam claro que estão dispostos a “ir além” do que seria normal em uma coletiva. O comentarista também destacou que, se a organização está ciente de que os dois estão no modo provocação máxima, a chance de transformar um momento de marketing em um problema maior aumenta bastante — especialmente considerando que já houve situações parecidas no passado.

Referência ao episódio envolvendo Jon Jones e Daniel Cormier

Ao comentar o possível impasse, Cruz relembrou um episódio marcante do UFC: a media day do UFC 178 entre Jon Jones e Daniel Cormier, no verão de 2014. Na ocasião, houve contato físico durante a dinâmica de encaradas, e a confusão escalou rapidamente, com repercussão pesada para o evento e para o formato daquele tipo de interação.

Segundo Cruz, a partir daquele episódio, a organização acabou implementando uma medida para reduzir ou impedir trocas físicas durante encaradas, justamente para evitar que um novo caos desse tamanho voltasse a acontecer. Ele, porém, fez um alerta: essa restrição “ainda não foi colocada em prática” no contexto atual descrito para o UFC 328, o que mantém a possibilidade de atrito no ar.

“Eles não vão começar a ser legais agora”: leitura de Cruz sobre o comportamento de Chimaev e Strickland

O comentarista ainda tentou explicar o que, a seu ver, está por trás das provocações. Na avaliação de Cruz, não se trata apenas de uma encenação vazia: existe pressão de fight week e também uma necessidade de manter a imagem que cada atleta construiu ao longo da carreira. Para ele, Chimaev e Strickland querem parecer “os mais difíceis da sala” e, por isso, tendem a aumentar o nível das provocações em vez de suavizar o tom.

Cruz resumiu a lógica com uma ideia clara: os dois lutadores não podem “começar a ser gentis agora”, porque isso quebraria a persona que eles estão tentando vender ao público. Assim, a tendência seria que um tentasse superar o outro no lado mais agressivo, como um teste de quem aguenta mais pressão — e, ao mesmo tempo, como uma forma de deixar recado de que não haverá facilidade no confronto dentro do octógono.

Caos de bastidores e realidade da luta

Ao mesmo tempo em que reconheceu o jogo psicológico, Cruz fez questão de lembrar que a tensão por trás das provocações também é real. Para ele, é possível que os dois estejam atuando para provocar e, ainda assim, estarem nervosos de verdade com a proximidade da luta. Em outras palavras, “duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo”: o espetáculo do confronto e o medo/ansiedade próprios de uma disputa de título que pode decidir uma carreira.

No fim, a leitura do ex-campeão é direta: se Chimaev e Strickland querem provar quem é mais duro, quem melhor para responder isso do que o próprio octógono?

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.