Ronda Rousey voltou ao octógono e precisou de apenas 17 segundos para finalizar Gina Carano com um mata-leão de braço, fechando a luta por meio de uma chave de braço do tipo armbar. Com esse triunfo, a lutadora agora dá um ponto final na carreira no MMA, encerrando o que foi tratado como seu último capítulo na modalidade.
Apesar do dinheiro envolvido e do apelo do confronto, a pergunta que ficou no ar foi simples: qual seria o sentido de Rousey colocar o ponto final da trajetória dela justamente enfrentando Carano, em vez de escolher outro caminho mais “óbvio” dentro do esporte? Em um novo comunicado divulgado na terça-feira à tarde, Rousey explicou que o objetivo era ajudar Carano a se recuperar fisicamente — e que, em consequência, isso também teria contribuído para que ela própria reencontrasse um equilíbrio emocional.
No texto, Rousey afirmou que a motivação do duelo era direta: “Eu e Gina literalmente brigamos para lutar uma contra a outra”. Ela também comentou que ouvia críticas de que Carano não estaria realmente focada, além de questionamentos sobre o peso da adversária. Para Rousey, no entanto, não bastava “voltar para competir”: o plano era, acima de tudo, enfrentar Carano. Mais do que um resultado esportivo, ela disse que enxergava a oportunidade de construir uma história conjunta baseada na ideia de que ninguém fica tão baixo a ponto de não conseguir voltar a subir, que o corpo não está “condenado” a um limite definitivo e que sempre existe espaço para melhorar — mesmo quando parece tarde demais para isso.
A brasileira do jiu-jitsu? (Não, a matéria fala de Rousey e Carano.) Rousey destacou ainda o que chamou de coragem impressionante de Carano. Segundo ela, no momento mais difícil, Gina teria traçado o maior alvo possível: eliminar 100 libras e encarar “a pior lutadora do planeta”. Rousey admitiu que não esperava presenciar, ao longo do ano seguinte, a transformação da adversária a ponto de sentir uma alegria semelhante à da própria evolução. Sempre que via Carano, descreveu, ela parecia mais forte, mais confiante e mais bonita — não apenas por estar reduzindo medidas, mas porque a “luz” que estaria apagada voltava a brilhar.
Ao mesmo tempo, Rousey relatou que estava desmontando camadas das próprias barreiras emocionais que construiu ao longo do tempo, reaprendendo a enxergar um mundo que estaria profundamente ligado ao que ela carrega por dentro, mas que teria sido difícil admitir que precisava. Ela reforçou que ama MMA, judô, luta profissional, coreografia de lutas, atuação e escrita, porém fez questão de colocar a identidade em primeiro lugar: antes de qualquer outra coisa, ela se define como uma artista marcial. Rousey sustentou que é no MMA que se sente mais competente do que em qualquer outra área, e declarou, sem rodeios, que o sentimento de dominar seu ofício e criar dentro da própria especialidade não tem comparação.
Na sequência, ela disse se sentir privilegiada por ter vivido esse nível de maestria e garantiu que não deixaria ninguém afastá-la da escolha de abraçar isso. “Isso curou minha alma”, escreveu. Ela também descreveu o gosto agridoce de encerrar a luta: pela primeira vez, o processo de preparação teria superado a alegria que uma vitória poderia trazer. Mesmo assim, afirmou que finalmente está pronta para seguir em frente, desta vez mantendo a cabeça erguida.
Rousey já vinha de uma saída anterior do MMA após uma sequência de derrotas em duas lutas, ambas marcadas por nocautes ruins. Agora, ela encerra a carreira com um último triunfo em seu cartel, e o resultado, segundo a mensagem, é exatamente o que mais importava para ela. Com mais um ano no octógono, Rousey poderia responder a várias perguntas sobre o que ainda faria dentro do esporte — inclusive contra nomes como Cris Cyborg, Kayla Harrison, Amanda Nunes ou Holly Holm. Ainda assim, a decisão foi clara: ela escolheu a vitória mais “tranquila” no caminho e encerra a caminhada satisfeita.

