Ronda Rousey mira revanche com Holly Holm, mas diz que está aposentada

Ronda Rousey acredita que, caso uma revanche contra Holly Holm fosse possível, o resultado seria completamente diferente. Mesmo assim, Holm já deixou claro que esse encontro provavelmente nunca vai acontecer. O contexto atual envolve uma luta de Rousey no boxe neste sábado, quando ela encara uma nova fase fora do MMA — enquanto Holm, que viveu o momento mais marcante da carreira da rival em 2015, comentou a situação e tratou o tema com respeito.

Holm comenta a possibilidade (remota) de revanche

Antes de sua luta de título no boxe, no sábado, Holly Holm falou sobre a volta de Rousey ao combate após um longo período, destacando a vitória rápida e intensa da ex-campeã sobre Gina Carano em sua primeira apresentação em uma década. A lutadora reconheceu o mérito da adversária e, ao mesmo tempo, admitiu que a dupla dificilmente voltará a se enfrentar.

Holm foi responsável por um nocaute brutal em 2015, com uma forte joelhada/cabeçada (head kick) que encerrou a luta e fez Rousey perder no UFC, no momento em que a norte-americana conquistou o cinturão dos pesos-galos na organização. Naquele mesmo duelo, a brasileira de medalha olímpica teve sua primeira derrota no MMA.

“Eu acho muito improvável que ela queira uma revanche”, disse Holm. “Eu sempre falei desde o instante em que a luta acabou: eu sempre estaria aberta para rematch. Isso sempre esteve disponível. Mas ela quis voltar, buscar essa vitória e depois aproveitar e sair com um resultado como aquele. Sem nenhuma implicância da minha parte. Eu espero que ela vá bem. Espero que ela faça com a vida dela o que quiser. É a vida dela. Eu também estaria sempre aberta para lutar de novo.”

A volta de Rousey após Carano e a aposentadoria interrompida

Depois de derrotar Gina Carano no primeiro evento do MVP MMA, Rousey rapidamente anunciou que estava encerrando a carreira no esporte e afirmou que, naquele momento, estava muito mais interessada em criar a família do que em voltar a competir. Ainda assim, ela sustenta que evoluiu muito desde a última vez que esteve em um octógono, e que uma revanche contra Holm teria outro desfecho em comparação ao primeiro confronto.

Rousey diz que é outra lutadora — e cita tratamento

Em entrevista, Rousey declarou que se considera uma atleta totalmente diferente do que era 10 anos atrás. Ela também mencionou que teria condições de “limpar o caminho” da rival de forma mais eficiente justamente por conta de um novo tratamento médico, citando mudanças no controle de sintomas neurológicos que, segundo ela, afetavam seu desempenho nas lutas anteriores.

“Eu falei que estou aposentada, A e B. Eu acho que eu sou completamente outra lutadora agora. Eu apagaria ela e, definitivamente, agora que eu tenho esse novo medicamento”, afirmou Rousey. “Eu já tomava antes. Fui diagnosticada com depressão por espalhamento cortical, que sempre estava acontecendo nas minhas últimas lutas, e basicamente era por isso que eu precisava parar. Eu achava que as concussões estavam me alcançando.”

Rousey também explicou que, no momento atual, pela primeira vez ela conseguiu passar por um combate com a medicação atuando de forma diferente. Ela citou um episódio em que, ao impactar a cabeça no chão, sentiu que o que poderia ter desestabilizado seu quadro antes não ocorreu como antes.

“Essa foi a primeira luta em que eu consegui fazer isso e, quando eu bati a cabeça no tapete, era exatamente o tipo de situação que antes me deixaria mal. Eu teria perdido grandes partes da minha visão e ela não voltaria. Mas acabou funcionando perfeitamente numa situação real”, completou.

De derrotas no passado a uma explicação sobre lesões repetidas

A trajetória de Rousey teria sido encerrada inicialmente após duas derrotas seguidas por nocaute: uma para Holm e outra para Amanda Nunes. Anos depois, durante a preparação para lançar uma autobiografia, Rousey afirmou que lesões na região da cabeça teriam contribuído para essas punições severas e, por fim, para sua saída do esporte antes que novos danos acontecessem.

Mais tarde, Rousey também declarou que o presidente da organização, Dana White, a colocou em contato com novos médicos. Segundo ela, os profissionais concluíram que suas lesões não teriam sido causadas por concussões repetidas como se acreditava anteriormente. A orientação teria sido o uso de medicação para tratar os sintomas, o que, na prática, teria encerrado o ciclo que afetava sua carreira de forma direta.

Independentemente da narrativa médica, Rousey enfatizou que suas prioridades mudaram. Foi por isso que ela aceitou voltar apenas para enfrentar Carano, mas não permaneceu no circuito para encarar outras adversárias — Holm inclusa.

Rousey compara sua transformação a uma “alquimia”

Rousey descreveu o próprio processo como uma transformação profunda, afirmando que, depois de passar por tudo o que viveu, voltou diferente. Ela também disse que, lá atrás, imaginava que teria voltado para buscar redenção e vencer Holm — mas que agora, com o tempo e as mudanças pessoais, aquilo deixou de ter a mesma importância.

“Eu estava conversando ontem sobre como eu sinto que sou tipo um alquimista, como se a pessoa passasse por tudo o que passou e, no fim, voltasse transformada. Eu sinto que, tantos anos atrás, 10 anos atrás ou o que quer que fosse, isso seria exatamente o que eu teria desejado. Mais do que tudo. Ter uma chance de voltar, buscar redenção e derrotar ela. E eu poderia, realisticamente, ter a Amanda Serrano ou algo assim depois disso, criando lutas cada vez maiores, com mais dinheiro, mais fama, mais tudo”, disse Rousey. “E agora isso está completamente ao meu alcance.”

Na sequência, Rousey afirmou que sua evolução técnica seria superior à de antes, destacando que tem treinadores melhores do que em qualquer fase anterior e que, agora, não convive mais com os problemas neurológicos que sentia antes. Ainda assim, ela reforçou que, ao perceber tudo que poderia ter novamente, as prioridades mudaram.

“Eu sou melhor do que nunca. Eu tenho melhores coaches do que eu já tive. E finalmente eu não tenho esses problemas neurológicos que eu tinha antes. Mas agora que tudo está colocado na minha frente, eu mudei e as coisas que eu quero mudaram. E, de repente, essas não são mais as coisas mais importantes do mundo pra mim. São essas crianças e passar tempo com elas. Eu acho que essa foi a jornada que eu precisava viver”, declarou.

Rousey seguiu explicando que precisou chegar a esse ponto para perceber que, mesmo podendo repetir certos desejos de quando ainda era outra pessoa, não quer mais seguir na mesma direção.

“Eu tive que chegar no ponto em que você poderia ter todas aquelas coisas que você queria há 10 anos, mas você cresce, você vira uma pessoa diferente, e você não quer mais essas coisas agora”, concluiu.

Revanche não deve acontecer: foco total na família

Apesar de insistir que poderia produzir um desfecho muito mais favorável em uma eventual revanche contra Holm, Rousey deixou claro que a luta não vai ocorrer porque ela não pretende competir novamente. Para ela, o MMA fica para trás outra vez, e o foco passa a ser a família.

“Eu acho que eu definitivamente tenho a capacidade e a oportunidade de limpar o caminho, de apagar tudo aquilo e reescrever essa história. Mas não é mais importante pra mim”, disse Rousey. “Não me assombra. Não é a coisa mais importante da minha vida e nem é sobre a percepção de outras pessoas sobre o quanto eu sou boa e todo esse tipo de coisa.”

Rousey finalizou afirmando que conhece seu próprio nível e que, principalmente, seus filhos precisam dela por perto. Ela também deixou claro que, quando surge a possibilidade de retornar ao esporte, não quer voltar — quer seguir em frente.

“Eu sei o quanto eu sou capaz. E meus filhos precisam de mim na vida deles. Eu quero estar com eles. Isso não é mais a prioridade. Claro que, em algum momento, eu poderia voltar e fazer isso, mas eu não quero voltar. Eu só quero ir em frente”, finalizou.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.