Ronda Rousey provoca o UFC, mira liderança na MVP e confirma retorno ao esporte

A lutadora Ronda Rousey afirmou que ainda pretende se aposentar das lutas após seu grande retorno na Netflix, contra Gina Carano, neste sábado, 16 de maio. Ainda assim, a campeã olímpica deixou em aberto a possibilidade de seguir ligada ao esporte — agora como “rosto” de uma organização chamada MVP MMA.

Rousey mira liderança na MVP MMA e provoca a cúpula do UFC

  • Ronda Rousey diz que pode aposentar após o duelo com Gina Carano em 16 de maio, na Netflix
  • A atleta cogita seguir no esporte como figura principal da MVP MMA
  • Ela cita que, nos últimos anos, a gestão teria ficado mais “fria” e corporativa
  • Rousey afirma que quer mostrar como uma promoção de MMA deveria ser conduzida

O motivo das críticas, segundo Rousey, é o executivo Hunter Campbell, apontado por ela como quem conduz o dia a dia do UFC no setor de negociações e contratos. A declaração ocorre após a redução do envolvimento direto do CEO Dana White nesses processos.

Em entrevista ao programa do Ariel Helwani, Rousey afirmou que Campbell teria “tirado a alma” do UFC nos últimos anos. Para ela, isso explicaria uma sensação de estagnação e distanciamento do que lutadores precisam dentro do esporte.

Rousey também reforçou que enxerga essa possível virada na carreira como algo que “faz sentido” para ela. A lutadora disse que, além de um objetivo pessoal, a motivação principal seria “devolver poder” aos atletas e alterar a forma como a modalidade é tratada.

Fundo de aposentadoria na Califórnia e a ideia de ações pequenas

  • Rousey citou o trabalho para estruturar um fundo de aposentadoria para lutadores da Califórnia
  • A proposta prevê que um dólar de cada venda de ingresso vá para o programa de ex-atletas no estado
  • Ela defende que iniciativas desse tipo podem melhorar a vida de quem compete

Rousey mencionou sua participação na criação do fundo de pensão dos lutadores na Califórnia, afirmando que o mecanismo destina um dólar de cada bilhete vendido a um programa para atletas aposentados no estado. Para a norte-americana, ações desse tipo — mesmo que pequenas — podem gerar mudanças grandes para atletas de combate.

Na visão dela, ter alguém à frente de uma concorrente colocando os lutadores como prioridade pode pressionar o UFC a agir com mais justiça. E, caso isso aconteça por causa da “rancor” que ela diz sentir, Rousey afirmou que seria algo positivo para o cenário.

Reencontro com Hunter Campbell em 2025 e discurso de confronto

  • Rousey diz que o encontro com Hunter Campbell, em 2025, teria sido “pessoal”
  • Ela relata falas com tom de desdém e postura de rebaixamento sobre ela e Gina Carano
  • A lutadora sustenta que quer provar um ponto após a reunião

A atleta também voltou ao momento do encontro de 2025 com Hunter Campbell, classificando a experiência como desagradável e carregada de desrespeito. Rousey disse que ele teria adotado uma postura machista e trataria ela e Gina Carano como se tivessem menos valor desde o início.

Segundo o relato dela, Campbell teria sugerido que o desempenho do confronto poderia não ser tão bom por conta da idade das duas. Rousey reagiu com indignação, dizendo que não entenderia como alguém poderia menosprezar o impacto de um combate que, para ela, seria um “grande evento” nas mãos de uma pessoa que não teria feito por merecer.

Rousey ainda afirmou que o executivo teria indicado um caminho de luta para que ela e Gina disputassem o cinturão de 145 libras, alegando que a categoria estaria vaga e que isso ajudaria no encerramento do ciclo do título. Ela disse que a forma como Campbell falava sobre a divisão — e o que ela interpretou como desprezo por quem pesa nesse patamar — teria deixado tudo ainda mais irritante.

De acordo com Rousey, a crítica se intensifica porque, em sua leitura, o discurso do dirigente desconsideraria o contexto da família e do ambiente em volta do seu time. Ela mencionou que seu marido mede 2,03m (6’7”) e que, para ela, as condições não combinariam com um padrão de pensamento que tentaria rebaixar lutadoras.

Rousey concluiu dizendo que ficou especialmente incomodada com a ideia de ver a pessoa que, para ela, ajudou a conduzir a situação desagradável no topo de uma empresa ligada ao projeto que ela ajudou a construir. Para a lutadora, esse tipo de escolha “pegou mal” de forma profunda.

AnnMaria De Mars e a acusação de que Campbell “venderia até para quem é devorado”

  • AnnMaria De Mars, mãe de Ronda, teria reagido com forte reprovação a Hunter Campbell
  • Ela teria dito que o dirigente venderia ingressos até em um cenário extremo e degradante
  • De Mars é vinculada à Califórnia State Athletic Commission e já lidou com Campbell

Um reforço às críticas veio da mãe de Ronda, AnnMaria De Mars, que, segundo a lutadora, foi responsável por lapidar o movimento icônico de “arremesso do judô para finalização por chave de braço”. Rousey contou que perguntou à mãe se ela sabia quem era Hunter Campbell e ouviu uma resposta completamente negativa.

De Mars, ainda conforme Rousey, teria dito que Campbell seria um “canalha” e que não mereceria respeito. Ela também teria citado uma imagem agressiva para explicar a forma como Campbell trataria o negócio: Rousey relatou que a mãe afirmou que ele venderia ingressos até para um cenário em que pessoas seriam entregues como alimento para feras.

A médica (Dr. De Mars) é integrante da Comissão Atlética do Estado da Califórnia e teria lidado com Campbell quando ele atuava para legalizar uma modalidade conhecida como Power Slap. Rousey disse que a mãe teria criticado a base moral do tema e, na sequência, relatou uma resposta atribuída a Campbell: ele sustentaria que aquilo seria uma oportunidade para pessoas que, sem a atividade, estariam envolvidas em problemas graves.

Na interpretação de Rousey, o ponto central é o desdém com que Campbell enxergaria lutadores, vistos como “lutas de rua” sem valor real para ele. Ela resumiu dizendo que, para a família, o executivo não teria emprego por competência técnica, mas por conexões e por estar no caminho certo por meio de círculos ligados a figuras influentes.

Rousey diz que vai para o “proveito” e mira desafio contínuo

  • Rousey afirma que Campbell teria sido estagiário no período em que ela esteve no ambiente do UFC
  • Ela declara que pretende colocar ainda mais pressão no confronto com Gina Carano do que qualquer planejamento de Campbell
  • Rousey diz que avisou Dana que não queria deixar a sala irritada sem resposta

Rousey também afirmou que Campbell não teria conquistado espaço apenas por mérito. Ela alegou que o dirigente seria filho do advogado de Dana e Lorenzo e que teria sido estagiário quando ela esteve presente no período anterior. A lutadora relatou que, mesmo assim, agora voltaria a falar com ela como se não soubesse como o duelo com Gina Carano teria desempenho.

Na sequência, Rousey declarou que pretende fazer um enfrentamento ainda maior com Gina do que o próprio executivo faria ao longo de toda a carreira dele. A atleta ainda disse que está mirando o futuro e que quer “viver” esse confronto como uma forma de retomar controle e colocar pressão — inclusive por meio de provocações e repercussão pública.

Rousey relatou que contou a Dana White que a última coisa que ela queria era sair daquele escritório irritada, sem algo para provar. Segundo ela, o sentimento de incômodo teria virado combustível para buscar um tipo de mudança, e Dana teria respondido que a prioridade seria ela ganhar o máximo possível, o que, para Rousey, soaria como uma autorização para ela tentar fazer acontecer.

Com esse cenário, Rousey brincou que seria quase como se fosse ela a enfrentar Hunter Campbell dentro do octógono no mesmo dia, em 16 de maio. Ao mesmo tempo, ela sugeriu que a repercussão e as críticas continuariam por bastante tempo, já que uma voz ativa poderia gerar manchetes sempre que o UFC apertasse o orçamento em lutas grandes.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.