Ronda Rousey rebate etarismo e diz que idade não impede luta no octógono

Dizer que Ronda Rousey e Gina Carano “não lutam há eras” até faz sentido. Só que, se alguém resolver criticar a idade delas na frente da ex-campeã, corre o risco de receber uma resposta dura.

  • Encontro: Ronda Rousey vs. Gina Carano
  • Quando: 16 de maio
  • Formato: luta transmitida ao vivo pela Netflix
  • Local: Intuit Dome, em Inglewood, Califórnia
  • Idade (na luta): Ronda Rousey com 39 anos; Gina Carano com 44 anos (completou 44 em 16 de abril)

Quase uma década sem cage para Rousey e quase 17 anos para Carano

Quando Rousey e Carano subirem ao octógono para esse duelo com streaming ao vivo pela Netflix no dia 16 de maio, a “fila” de tempo fora do ambiente competitivo será enorme. Para Rousey, a última vez em que ela entrou para uma luta de MMA em jaula foi há quase dez anos. Já para Carano, o afastamento é ainda maior: quase 17 anos sem esse tipo de confronto em um cage.

Com 39 anos, Rousey chega para o confronto após um longo período distante da modalidade. Carano, por sua vez, está com 44 anos e celebrou seu aniversário em 16 de abril, mantendo-se como um nome conhecido do público, mas sem o mesmo histórico recente de atuação regular no esporte.

Críticas sobre idade e tempo longe do esporte viram alvo

O debate em torno do encontro ganhou força justamente por causa da idade das duas atletas e do tempo que elas ficaram afastadas das lutas. Parte do público e dos críticos questiona por que deveria acompanhar um combate que, na visão deles, poderia não ter o ritmo, o acabamento técnico ou a competitividade esperada para um evento do porte desse duelo.

Rousey, no entanto, não parece concordar com essa linha de argumentação. Ela reage com firmeza e sugere que a discussão sobre idade tem relação com questões de viés e sexismo, ressaltando que a forma como o assunto é tratado para mulheres e para atletas homens não costuma ser a mesma.

Rousey rebate: “por que falam da minha idade, e não das deles?”

Em entrevista ao podcast “The Breakfast Club”, Rousey direcionou a crítica ao que chamou de tratamento desigual. Ela afirmou, em tom de provocação, que não existe o mesmo tipo de questionamento público quando nomes do esporte masculino estão prestes a lutar, citando como exemplo o fato de ninguém tratar, como fator decisivo para desqualificar, a idade de Jon Jones ou de Francis Ngannou.

A lutadora também declarou que, na verdade, se sente “mais fresca”, destacando que, enquanto alguns atletas do passado recente mantiveram seus corpos mais desgastados por um histórico de lutas frequentes e por isso teriam mais “quebras”, ela teve condições de se recuperar melhor ao longo desse tempo. Para Rousey, o que realmente a separou como atleta foi o domínio dos fundamentos das artes marciais: não apenas o fato de ser maior, mais forte e mais explosiva do que a maioria — algo que ela diz ter também por aptidão atlética —, mas a evolução do que ela aprendeu com o passar dos anos e com a transformação do próprio esporte.

Na mesma fala, ela completou que ficou mais experiente e mais informada sobre a evolução do MMA e que, por isso, se considera mais perigosa do que em qualquer outro momento da carreira.

Rousey ainda ironizou a discussão ao dizer que não ouve os mesmos comentários sobre a idade dos lutadores masculinos e questionou por que o tema aparece justamente quando se trata dela, afirmando de forma provocativa que não é como se “ovários” estivessem lutando — apontando para o absurdo do foco na vida pessoal e no envelhecimento como critério.

Últimas lutas: Rousey atropelada por Nunes e Carano finalizada por Cyborg

O histórico recente em eventos de grande porte reforça o contraste entre o momento atual e os últimos registros de cada uma. A última vez que Rousey competiu em uma luta em jaula terminou com uma derrota devastadora: ela foi “obliterada” por Amanda Nunes em apenas 48 segundos no UFC 207.

Já a última luta de Gina Carano também terminou em derrota. O revés aconteceu em um combate valendo título no Strikeforce, quando ela foi superada por Cris Cyborg com finalização do tipo TKO ainda no primeiro round.

“Será a melhor luta que eles já viram”: promessa de espetáculo

Apesar de toda a discussão sobre idade e sobre o tempo longe dos holofotes do MMA, Rousey garantiu que o duelo contra Carano será, para ela, um tipo de atração obrigatória. A ex-lutadora afirmou que a adversária deve partir para o ataque e que ela pretende fazer o mesmo: a ideia, segundo Rousey, é “ir para cima” e permitir que o combate aconteça do jeito mais livre possível, entregando ao público o que ela considera ser o melhor confronto que alguém vai assistir.

Em declarações feitas em fevereiro, Rousey foi além e deixou claro como enxerga esse duelo: não apenas como “a melhor luta feminina”, mas como a melhor luta de MMA que o público já viu.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.