Scott Coker está de volta ao cenário das lutas e pretende reacender o espírito da antiga Strikeforce com uma nova promoção de MMA, com estreia prevista para o início de 2027. A ideia é reunir boa parte do elenco de profissionais que fazia parte de seu “time original” e colocar a companhia em ritmo acelerado no calendário.
Quem acompanha o esporte há mais tempo lembra Coker como o responsável por levar o MMA para a Califórnia por meio da Strikeforce. Naquela fase, a organização ganhou destaque com um grande confronto entre Frank Shamrock e Cesar Gracie, além de construir um ecossistema que revelou ou consolidou nomes como Ronda Rousey, Daniel Cormier, Nick Diaz, Luke Rockhold, Cung Le e Cris Cyborg.
Strikeforce, UFC e a “volta” de Coker
- A Strikeforce foi um forte “segundo lugar” ao UFC por volta de 2011, quando a liga principal comprou a promoção.
- Coker retornou para ajudar a administrar o Bellator, mas não ficou, de fato, como líder máximo do projeto.
- A chegada de um controle mais rígido por parte de executivos ligados à Viacom limitou a expansão da marca.
- Agora, Coker diz que volta com a equipe original e pretende movimentar o mercado novamente a partir de 2027.
Depois de deixar marcas profundas com a Strikeforce, Coker teve uma nova passagem para ajudar no gerenciamento do Bellator. No entanto, a experiência não foi como ele imaginava: na prática, ele não seria o principal comandante do dia a dia e acabou subordinado às decisões de um grupo controlador, que mantinha a promoção dentro de um roteiro corporativo.
Agora, a proposta é diferente. Coker volta com integrantes de sua estrutura original e mira uma operação agressiva, planejando promover doze eventos por ano. A meta também passa por montar uma base com mais de cem atletas no elenco da companhia, garantindo variedade de lutas e oportunidades ao longo da temporada.
“Tem uma sensação de estagnação”, diz Coker
Em entrevista ao Ariel Helwani Show, Coker afirmou que percebe um “clima estranho” no MMA no momento. Para ele, há uma espécie de falta de energia no produto atual, e o caminho seria mexer no cenário para reacender o interesse do público.
O dirigente também comparou a proposta com o formato de programas de luta que “mexem” com a torcida, estimulando pessoas a torcerem por personagens específicos. A expectativa é repetir esse efeito na nova promoção, criando identificação e gerando mais engajamento em torno dos confrontos.
Além do entretenimento, Coker disse que acredita ser necessário “agitar as coisas” para o esporte voltar a ter tração. Ele reforçou que enxerga essa como uma área em que sua equipe costuma ser forte.
Visão sobre o UFC: “ficou sem graça”
Quando o assunto foi o produto atual do UFC, Coker sugeriu que a oferta teria se tornado monótona. Para sustentar esse argumento, ele citou a dificuldade de apontar rapidamente campeões de diferentes categorias, afirmando que, hoje, isso seria algo que nem ele nem pessoas próximas conseguiriam fazer com facilidade.
Na leitura do promotor, existe a possibilidade de o UFC estar “demais” na rotina do público: muita frequência, exposição constante e, em consequência, saturação. Ele também levantou a hipótese de que o excesso de presença semanal possa estar tirando o brilho do acompanhamento.
Ao mesmo tempo, Coker reconheceu que esse excesso tem um efeito colateral que, de certa forma, ajuda outras promoções a não ganharem espaço. A saturação do principal players acaba dificultando que concorrentes consigam abrir uma brecha em um ambiente considerado desafiador quando o tema é lucratividade no MMA.
Como administrar uma promoção “no positivo”
Apesar de enxergar o cenário como difícil, Coker disse que sabe como tocar uma empresa do esporte sem perder dinheiro. Ele destacou que existe uma curva de aprendizado na indústria e que, quando alguém não conhece esse caminho, acaba “gastando dinheiro loucamente” por ignorar custos e necessidades do negócio.
Segundo o dirigente, ele já está no ramo há quase quatro décadas, ou seja, teria experiência suficiente para entender como funciona a engrenagem de uma promoção de MMA e como evitar armadilhas comuns do setor.
Coker também afirmou que recusou mais de 40 milhões de dólares em financiamento. A justificativa foi direta: ele não quer diluição a ponto de perder o controle da empresa.
De acordo com o que foi dito, o objetivo é manter autonomia total sobre o projeto e evitar uma situação em que ele não possa conduzir a companhia do modo desejado. Por isso, a proposta de aporte foi rejeitada, mesmo com o valor elevado mencionado por ele.
Agora, a resposta do mercado vai depender do que Coker e sua equipe conseguirem entregar na prática. Com o UFC dominando grande parte do espaço e consumindo boa parte da atenção do público e dos atletas de topo, a nova promoção terá um teste importante pela frente.
Ainda assim, com base no histórico de Coker no período em que esteve à frente, a expectativa é que ele tente colocar em prática exatamente o que disse: mexer no cenário, trazer mais diversão e tentar reverter um MMA que, na avaliação dele, estaria “sem graça” e com uma sensação de estagnação. O dirigente também fez uma observação ao mencionar que uma parcela do foco do mercado teria migrado para a disputa com o boxe, em vez de permitir que o MMA cresça no ritmo que poderia.

