O presidente do UFC, Dana White, esteve no fim de semana em Washington D.C. para o jantar anual da White House Correspondents’ Association, realizado no salão do Washington Hilton. Durante o evento, um homem de 31 anos, descrito como professor, invadiu a segurança e abriu fogo, atingindo um agente do Serviço Secreto.
White classificou o episódio como uma experiência “fantástica”, em meio ao caos. A declaração, porém, foi alvo de críticas, especialmente de Matt Brown, ex-lutador aposentado do UFC, que questionou o tom adotado pelo dirigente por falta de empatia com as vítimas.
O que Matt Brown disse sobre o caso
- Brown afirmou que não existe nada “fantástico” em situações com tiros.
- Ele criticou a fala de White por considerar que vidas podem estar em risco no local.
- Brown lembrou que, mesmo que o agente atingido tenha sobrevivido, o ferimento continua sendo um evento traumático.
- O ex-atleta disse que não entende como alguém poderia chamar o episódio de “algo legal”.
Em entrevista, Matt Brown reforçou que já esteve próximo de um ataque armado e que, por isso, não concorda com a forma como White descreveu o momento. O ex-lutador destacou que a situação envolve disparos contra pessoas e que o impacto psicológico não deveria ser minimizado.
Brown, que hoje tem 45 anos, tem histórico pessoal ligado a um atentado desse tipo. Em 2004, ele estava presente no show do grupo Damageplan, quando um homem armado entrou atirando e matou quatro pessoas, entre elas o guitarrista do heavy metal “Dimebag” Darrell Abbott.
Na ocasião, outras três pessoas foram feridas e houve a tomada de refém antes de o atirador acabar sendo morto pela polícia. Brown acompanhou de perto o desfecho, no que descreveu como um cenário de carnificina.
Relato de testemunha do atentado em 2004
- Brown estava na plateia durante o show do Damageplan, em 2004, em Columbus.
- Ele descreveu ter visto Nathan Gale ser atingido após disparos do policial James Niggemeyer.
- Brown apontou que o agente precisou tomar uma decisão em cerca de dois ou três segundos por causa da presença de um refém.
- Ele ressaltou que Niggemeyer não estava em serviço, mas entrou na ocorrência e teve a vida mudada a partir daquele momento.
O ex-atleta detalhou como o policial precisou decidir rapidamente entre atirar ou não, devido à ameaça imediata envolvendo o refém. Brown afirmou que a rapidez da escolha torna o contexto ainda mais difícil, e que o impacto na vida do agente é permanente.
Segundo Brown, o episódio foi traumático não apenas para quem presenciou os disparos, mas também para quem precisou agir e até para pessoas que não viram tudo acontecer. Ele disse que considera desrespeitoso tratar o evento como “fantástico” e afirmou que não costuma tocar no assunto, embora o tenha vivido diretamente.
Na visão do aposentado do UFC, há um contraste entre a percepção de quem não está sob risco imediato e a realidade de quem sofre com o impacto do ataque. Para ele, chamar a situação de algo positivo é um exemplo de desconexão com o sofrimento real causado pelo tiroteio.
Outras reações no mesmo jantar
- Matt Brown criticou a fala de Dana White sobre o episódio no jantar.
- Ele citou que outras pessoas no local também demonstraram indiferença ao ocorrido.
- Michael Glantz, agente da Creative Artists Agency, disse que queria acompanhar o desenrolar dos disparos.
- Glantz mencionou limitações físicas e preocupação com higiene para explicar por que não se colocou no chão.
Além de White, nem todos os presentes reagiram de forma semelhante ao ataque. Michael Glantz, agente da Creative Artists Agency, afirmou que “quis assistir” ao que estava acontecendo.
Glantz declarou que, por viver em Nova York, está acostumado com sirenes e movimentação constante, e que não se sentiu assustado. Ele também disse que havia muitos agentes do Serviço Secreto em ação, e que queria observar o momento.
O agente ainda mencionou que tem problemas nas costas, o que dificultaria cair no chão, e que, caso precisasse se deitar, teria de ser ajudado para se levantar. Além disso, ele afirmou ser muito cuidadoso com higiene, dizendo que não faria sentido entrar em um ambiente sujo com o traje formal usado no jantar.
Com ironia, a leitura final do episódio é que, independentemente da intenção de cada um, o ataque armado deixou marcas e abriu espaço para um debate sobre sensibilidade diante do trauma. E, para Matt Brown, não há justificativa para transformar um tiroteio em algo “legal”.

