O UFC 328 ganhou mais um capítulo fora do octógono envolvendo Khamzat Chimaev. O russo chegou ao mês com a defesa de cinturão marcada contra Sean Strickland em Newark, mas enfrentou um problema relevante na balança: o “Borz” teria iniciado o camp com cerca de 50 libras acima do limite da categoria dos médios (185 lb) e, com isso, a própria confirmação de que ele realmente bateu o peso exigido ainda não está totalmente clara. A história ficou ainda mais explosiva após comentários do ex-campeão TJ Dillashaw, que acompanhou de perto o período de treinos e levantou suspeitas sobre a condução do corte.
O corte de peso vira o centro da narrativa em Newark
A situação chama atenção porque Chimaev precisou fazer o peso para a defesa do título contra Strickland, mas não teria conseguido manter o planejamento esperado desde o início do camp. De acordo com o relato, o lutador começou a preparação praticamente “quase 50 libras” acima do limite da divisão, o que tornaria o processo de secar mais agressivo do que o ideal. Além disso, segue em dúvida se ele efetivamente concluiu o corte dentro dos 185 lb exigidos.
Quem trouxe detalhes adicionais foi TJ Dillashaw, ex-campeão dos galos e conhecido por cortes extremos (inclusive com casos historicamente delicados). Dillashaw afirmou que testemunhou boa parte do treino do rival e sustentou que Chimaev teria colocado sua confiança em um profissional responsável pelo processo de perda de peso, que ele chamou de “fraude”. Na visão do americano, o método teria colocado o lutador em risco sério.
Em declarações, Dillashaw descreveu o camp de Chimaev como se o atleta estivesse em um nível “animal”, com a sensação de que ele seria difícil de ser superado durante o período de preparação. Porém, para o ex-campeão, o cenário mudou quando entrou em cena a forma como o corte teria sido conduzido.
- Dillashaw disse que o corte foi “horrível”, segundo a forma como foi feito.
- O ex-campeão relatou que Chimaev teria demonstrado desespero ao ponto de querer “pagar” para Strickland aceitar a luta mesmo caso ele não conseguisse bater o peso.
- Outro ponto citado foi uma condição ligada à tireoide: Dillashaw mencionou que Chimaev teria “metade” da função normal, o que, em sua leitura, deixaria o metabolismo em patamar diferente.
- Na interpretação de Dillashaw, se a condição não for tratada corretamente, o risco pode ser letal.
O ex-campeão também descreveu sinais que, segundo ele, teriam ocorrido durante o corte — incluindo relatos de vômito com coloração esverdeada — e concluiu que, pelo que viu, Chimaev “não deveria ter chegado” à luta. Ainda assim, o atleta teria apresentado desempenho competitivo no combate.
Desempenho após “quase morrer”: o que isso diz sobre a luta e a leitura do ranking
Apesar de toda a polêmica envolvendo o peso, Dillashaw afirmou que, mesmo após um processo arriscado, Chimaev teria mantido ritmo e capacidade ao longo dos rounds finais. Ele citou especificamente os rounds 4 e 5 como momentos em que, ainda assim, Chimaev teria sustentado melhor o aspecto ligado ao condicionamento do que Strickland — algo que, para Dillashaw, seria um indicativo importante, já que Strickland costuma ser associado a resistência.
Na avaliação do ex-campeão, a narrativa de “quem venceu” não se encaixa na leitura de que Strickland teria sido melhor por manter um plano de luta mais conservador. Dillashaw argumentou que, ao contrário do que muita gente pode imaginar, Chimaev teria sido quem seguiu avançando e conectando golpes mais pesados, enquanto Strickland teria lutado “indo para trás” e usando o jab como ferramenta para marcar território.
- Dillashaw mencionou que Chimaev, mesmo no fim do combate, teria tido a vantagem em cardio em relação a Strickland nos rounds 4 e 5.
- Ele também sustentou que Chimaev estaria conectando os golpes mais significativos e continuando a pressão.
- Segundo o relato, Strickland teria vencido um cenário “indo para trás” e apostando no jab.
Com isso, o caso passa a carregar um peso extra para a análise do resultado: se o lutador realmente enfrentou um corte muito perigoso, a leitura do desempenho dele tende a ganhar outra camada — não apenas “como foi o combate”, mas também “o quanto o corte mexeu com a capacidade física e técnica no dia da luta”. Dillashaw fechou o pensamento sugerindo que pode ter havido nervos pré-competição, mas sem apagar a gravidade do que ele afirma ter visto no camp.
Próximo passo: disputa de peso, rematch imediato e impacto no cartel de Chimaev
Após a derrota por decisão dividida para Sean Strickland, Chimaev havia declarado que iria subir para o peso-pesado (light heavyweight). No entanto, poucos dias depois, ele voltou atrás e passou a exigir uma revanche imediata. Esse giro rápido no planejamento reforça o quanto a questão do peso pode ter influenciado a percepção do atleta sobre o próprio desempenho e o caminho mais seguro para voltar a competir em nível máximo.
Michael Bisping, ex-campeão dos médios e comentarista, opinou que Chimaev deveria tratar a próxima luta como se estivesse fazendo um corte mais leve — comparando a preparação com a lógica de quem luta em 170 libras (welterweight). Para Bisping, o lutador deveria entrar no ringue mais próximo do peso ideal, com um corte “normal” ou até mesmo sem corte expressivo, aproximando a estratégia do que seria esperado em uma divisão abaixo.
Na visão do inglês, os cortes de peso são um problema estrutural do esporte e deveriam ser reduzidos, com mais atletas lutando perto do peso natural. Bisping argumentou que isso limitaria lesões, deixaria o desempenho mais consistente e permitiria recuperação mais eficiente após camps, além de melhorar a chance de acertar golpes com mais potência e precisão.
- Bisping defendeu que Chimaev seja mais leve antes da luta, com corte regular ou, idealmente, sem corte agressivo.
- Ele sugeriu que a preparação seja encarada como se fosse uma luta na faixa dos 170 lb.
- O ex-campeão também criticou a cultura de cortes como um “mal” do esporte, citando impacto em recuperação e risco de lesões.
Apesar de toda a discussão pública, um dado duro permanece: o próprio Chimaev (com cartel de 15 vitórias e 1 derrota, 15-1) também teria falhado na balança ao tentar lutar na casa dos 170 libras. Esse detalhe adiciona mais incerteza ao próximo capítulo: antes mesmo de falar em rematch e em estratégia de luta, o tema central segue sendo se o atleta conseguirá organizar um processo de perda de peso que seja seguro, repetível e compatível com o nível que ele busca no octógono.

