Morristown, Nova Jersey — Sean Strickland não apenas nunca foi finalizado por submissão: também não há registro de alguém sequer ter conseguido colocar o atleta em uma situação de tentativa de finalização por finalização.
O americano terá a chance de testar essa invencibilidade no sábado, quando enfrenta o campeão peso-médio Khamzat Chimaev no evento principal do UFC 328, que acontece no Prudential Center, em Newark, no estado de Nova Jersey. A luta é válida pelo título da categoria e está marcada para o streaming Paramount+.
Chimaev chega com um cartel impecável: são 15 vitórias e nenhuma derrota na carreira, com 9 triunfos no UFC. No aspecto das finalizações, porém, o destaque é ainda maior: seis de seus triunfos profissionais vieram por submissão. Seu estilo costuma se apoiar na luta agarrada para derrubar adversários e, em seguida, encaixar o controle até o fim rápido — algo que ele fez ao longo da carreira contra nomes como Kevin Holland e Robert Whittaker. Mesmo assim, diante de Strickland, Chimaev terá pela frente um adversário que, até aqui, não permitiu que ninguém construísse sequer uma tentativa real de submissão.
O desafio nas palavras de Sean Strickland
Durante a coletiva de imprensa e o dia de mídia do UFC 328, realizado na quarta-feira, Strickland tratou o tema com provocação e confiança. Em suas declarações, ele afirmou que não tem uma explicação clara para o fato de nunca ter sido submetido, sugerindo que talvez seja por só ter enfrentado homens no MMA. Também deixou claro que não se vê confortável em posições que facilitem tentativas de finalização e reforçou que, na prática, costuma evitar cenários em que o adversário consiga trabalhar a partir do chão.
“Talvez seja porque eu só lutei contra homens — eu realmente não sei”, disse Strickland aos repórteres no evento de mídia, incluindo a imprensa especializada. “Submissões são uma coisa… (ele usou uma expressão ofensiva no contexto). Fico triste por eu potencialmente ter de lidar com alguém que quer algo no estilo de forçar um contato na minha perna. Mas o ponto é que eu nunca acabo em uma posição em que deem chance para submissão. Eu não quero ficar de costas. Não tenho interesse nesse tipo de coisa.”
O que aconteceu na derrota para Dricus du Plessis
Mesmo com a sequência de segurança na defesa, Strickland já passou por um teste de wrestling em um duelo de grande porte. Na disputa de cinturão contra Dricus du Plessis, no UFC 297, ele acabou derrubado seis vezes ao longo da luta. Ainda assim, o desafiante sul-africano não conseguiu transformar o domínio em ameaças de submissão reais — não houve tentativas que levassem a finalização, e Strickland resistiu ao período no controle sem ser preso em chaves decisivas.
Além disso, o atleta também enfrentou ao longo da carreira grapplers reconhecidos pelo poder de luta no chão. Entre os adversários citados no histórico recente, aparecem Kamaru Usman e Brendan Allen, dois nomes que costumam impor ritmo e pressão com quedas, controle e transições. Ainda assim, o padrão permanece: apesar de ser levado ao solo, Strickland segue sem permitir o tipo de finalização por submissão que marca boa parte do caminho de lutadores de alto nível no MMA.

