Topuria x Gaethje e Pereira x Gane: o UFC Freedom 250 e a história do feito raro

O UFC Freedom 250, marcado para o dia 20 de junho (domingo), terá um card com peso histórico: no evento principal, Ilia Topuria vai unificar o cinturão dos leves contra Justin Gaethje, enquanto Alex Pereira encara Ciryl Gane na luta principal de apoio pelo título interino dos pesos-pesados. A noite ainda ganha um pano de fundo especial ao colocar em evidência um feito raro no esporte: atletas que se tornaram “campeões em duas divisões” no UFC — um recorte que ajuda a entender como cada um desses nomes chegou ao topo, qual foi o impacto no ranking e o que tende a vir pela frente.

Topuria e Pereira: interinidade e unificação como degraus rumo ao topo

Mesmo com o recorte histórico do texto focando em “Dupla Coroa”, o que acontece no Freedom 250 funciona como um termômetro do momento atual. Topuria, já campeão em duas categorias, entra no octógono com a proposta clara de reunir os cinturões dos leves diante de Gaethje, enquanto Pereira tenta consolidar ainda mais seu legado ao disputar o interino dos pesados contra Gane. No contexto do ranking, unificação costuma reorganizar a hierarquia: quem vence tende a puxar o foco do topo e influenciar diretamente a fila de lutas por futuras defesas e por “caminhos” para o cinturão definitivo.

O card também reforça a lógica moderna do UFC: quando um atleta dominante muda de divisão, as disputas interinas e unificações passam a funcionar como atalho para definir quem realmente manda na categoria — e isso mexe com a dinâmica de contenders e com o valor do próximo duelo.

Henry Cejudo: do duplo título ao retorno e à nova tentativa interrompida

No histórico dos atletas que conquistaram dois cinturões no UFC, Henry Cejudo aparece como um dos primeiros a ilustrar o quanto o feito pode ser construído por reviravoltas e timing. O “Triple C” iniciou sua trajetória como campeão no peso mosca: ele venceu a disputa em 4 de agosto de 2018, no UFC 227. Em seguida, veio o segundo cinturão, no peso galera, conquistado em 8 de junho de 2019, no UFC 238.

Na primeira oportunidade de título no UFC, Cejudo esbarrou em uma diferença de comando: ele foi derrotado por Demetrius Johnson em seu encontro inicial, após ter sido superado por uma fase dominante do então campeão. Porém, em sua segunda tentativa contra “Mighty Mouse”, o cenário virou: nas anotações dos jurados, Cejudo conseguiu vencer e, enfim, faturar seu primeiro cinturão no UFC.

Depois de defender o cinturão dos moscas com sucesso em janeiro de 2019, derrotando o então campeão do peso galera, T.J. Dillashaw, Cejudo entrou para a disputa do cinturão vago na categoria após Dillashaw ser forçado a abrir mão do título. Foi assim que ele enfrentou Marlon Moraes. Apesar de ter perdido o primeiro round e ainda ter lidado com uma lesão no tornozelo, o lutador da região de Arizona reagiu e encaixou o fim do combate no final do terceiro assalto, conquistando o segundo cinturão no UFC.

Após esse momento, Cejudo abriu mão do cinturão dos moscas para focar em defender o cinturão do peso galera. Ele conseguiu manter o título em uma luta contra Dominick Cruz, antes de anunciar sua aposentadoria. Três anos depois, voltou e desafiou novamente pelo cinturão, mas acabou do lado perdedor em uma decisão dividida contra Aljamain Sterling. O atleta então se aposentou pela segunda vez, dois anos e meio depois, após o UFC 323.

Jon Jones e Alex Pereira: legado imediato, retorno em nova divisão e a busca pelo próximo marco

No grupo de campeões em duas divisões, Jon Jones se destaca por uma marca que atravessa a história do UFC: nenhum dos 11 atletas que alcançaram a “Dupla Coroa” demorou tanto tempo entre o primeiro e o segundo cinturão quanto ele. Jones ainda entrou para a lista dos recordistas ao se tornar o campeão mais jovem de todos os tempos na organização quando assumiu a luta em cima da hora e conquistou o cinturão dos meio-pesados com uma vitória por finalização no terceiro round sobre Mauricio “Shogun” Rua, no UFC 128, em 19 de março de 2011.

Durante quatro anos, Jones estabilizou a divisão de 205 libras. Ele fez oito defesas bem-sucedidas do cinturão antes de ser destituído e enfrentar um período de turbulência nas temporadas seguintes. Mais tarde, ele recuperou a faixa no UFC 232 e, depois disso, ainda fez mais três defesas antes de anunciar o encerramento de sua carreira.

Já no peso-pesado, Jones voltou após um hiato de três anos e, rapidamente, tratou de colocar seu nome no centro do debate: ele finalizou Ciryl Gane para ficar com o cinturão interino/vago (na sequência do torneio de divisão) dos pesos-pesados do UFC, quase 12 anos depois do primeiro título. Em seguida, ele defendeu o cinturão contra Stipe Miocic no UFC 309. Por fim, comunicou a aposentadoria ainda durante o ano passado.

No caso de Alex Pereira, o texto reforça que o intervalo entre conquistas não é o menor já visto — Conor McGregor fez isso em 11 meses. Ainda assim, a velocidade com que Pereira acumulou cinturões em duas categorias permanece impressionante quando se observa o total de experiência dele no UFC.

Pereira fez sua estreia na organização em 6 de novembro de 2021. Um ano e seis dias depois, ele finalizou Israel Adesanya para conquistar o cinturão dos médios. A conquista veio em sua oitava luta como profissional e em sua quarta aparição no UFC. No ano seguinte, Pereira voltou ao Madison Square Garden e nocauteou Jiri Prochazka, conquistando o cinturão dos meio-pesados.

Em uma linha direta, o texto resume o feito: em dois anos, sete lutas e dois cinturões em categorias diferentes, o brasileiro transformou a própria carreira em algo raro no catálogo do esporte, sendo descrito como um talento fora do padrão.

O próximo passo, segundo a narrativa, é justamente a tentativa histórica que dá contexto ao co-main do Freedom 250: Pereira busca se tornar o primeiro atleta a vencer ouro em três divisões diferentes no UFC. Para isso, ele precisa passar por Ciryl Gane na disputa do cinturão interino dos pesados. A matéria indica que haverá mais detalhes sobre a magnitude dessa investida e sobre a possibilidade real de atingir o marco na próxima semana.

Ilia Topuria e Islam Makhachev: invencibilidade, transições rápidas e o impacto no topo do ranking

O texto então muda o foco para Ilia Topuria, destacando o aspecto que, além das vitórias, chamou atenção: ele conseguiu o feito de “campeão em duas divisões” com um histórico imaculado, somando títulos em categorias diferentes sem perder o status de invencível. A primeira conquista de Topuria aconteceu no peso pena: ele venceu em 17 de fevereiro de 2024, no UFC 298. O segundo cinturão veio no peso leve, em 28 de junho de 2025, no UFC 317.

Antes mesmo de Topuria e Alexander Volkanovski se enfrentarem no UFC 298, “El Matador” já tinha sinalizado que encerraria a luta para levar o cinturão dos penas. Ainda na véspera do combate, ele teria alterado o próprio perfil na rede social para refletir o título que conquistaria na noite seguinte. No dia do evento, o plano foi executado: Topuria avançou sobre Volkanovski e conseguiu “assentar” o adversário três minutos e meio após o início do segundo round, garantindo o primeiro cinturão.

Depois disso, ele fez a primeira defesa com sucesso diante de Max Holloway. No evento principal do UFC 308, Topuria finalizou Holloway no terceiro round, cumprindo o objetivo de manter o cinturão e deixando claro que a transição para outro patamar ainda estava em curso.

Com o cinturão dos penas sob controle, Topuria anunciou a intenção de subir para o peso leve buscando enfrentar Islam Makhachev pelo título. O texto também ressalta o encontro hipotético entre dois dos principais nomes do pound-for-pound. Quando Makhachev decidiu fazer o caminho semelhante — subindo de divisão com planos de buscar o cinturão no peso meio-médio — Topuria aproveitou a janela: ele entrou no UFC 317 e eliminou Charles Oliveira no primeiro round para ficar com o cinturão vago dos leves.

O texto ainda faz uma comparação relevante: Randy Couture é citado como o único outro integrante desse grupo raro que venceu um título com campanha invicta, ao conquistar o cinturão dos pesados e alcançar 4-0 no cartel naquela fase. Porém, apenas Topuria teria preservado esse registro perfeito enquanto trocava de divisão e, ainda assim, recolhia o segundo cinturão.

Por fim, a matéria fecha o recorte histórico com Islam Makhachev, apontado como o atleta mais recente a alcançar o status de “dupla coroa”, conectando o marco a outra marca histórica conquistada no mês de novembro passado.

O caminho de Makhachev é descrito como uma progressão após a aposentadoria de Khabib Nurmagomedov, seu treinador. Com Khabib se retirando depois de derrotar Justin Gaethje em outubro de 2020, Makhachev acelerou e tomou o topo da divisão. Entre março de 2021 e fevereiro de 2022, ele emplacou quatro vitórias — todas com parada — e se consolidou como número um entre os postulantes. Com isso, ele desafiou Charles Oliveira pelo título no UFC 280.

No combate decisivo, Makhachev venceu por finalização no meio do segundo round: ele teria feito “tap” no adversário considerado o finalizador mais completo da história do UFC. A partir daí, começou um reinado de dois anos e meio, com quatro defesas bem-sucedidas. O texto destaca ainda que as três últimas defesas ocorreram dentro do tempo regulamentar, ou seja, sem deixar o resultado para as cédulas.

Quando Makhachev abriu mão do cinturão no meio do ano, ele seguiu para o peso meio-médio em novembro passado e dominou Jack Della Maddalena para conquistar o ouro na segunda divisão. Ao fazer isso, ele teria igualado Anderson Silva como detentor do maior número de vitórias consecutivas, chegando a 16. A matéria conclui apontando que há a chance de ele estabelecer um novo padrão quando voltar a lutar ainda neste ano.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.