Chimaev x Strickland: ambos prometem “superar” na trocação pelo cinturão

À medida que a semana de lutas do UFC 328 se aproxima, a rivalidade entre Khamzat Chimaev e Sean Strickland ganha ainda mais força nos bastidores. Tanto o campeão quanto o desafiante intensificaram o discurso nos últimos dias, elevando a expectativa para o duelo válido pelo cinturão dos pesos-médios, marcado para 9 de maio, no Prudential Center, em Newark, no estado de Nova Jersey.

Dominick Cruz, ex-campeão do UFC e integrante do Hall da Fama da organização, enxerga a situação como um “jogo de galinha” entre dois egos que não querem demonstrar fraqueza. Cruz destacou que Chimaev chega ao combate com campanha de 15 vitórias e nenhuma derrota no MMA, além de 9 triunfos em 9 apresentações no UFC, enquanto Strickland soma 30 vitórias e 7 derrotas no cartel geral e 17 triunfos e 7 reveses na liga. Para Cruz, tudo isso acontece diante de um confronto que já tem o peso de uma luta de vingança pelo título, com um clima de tensão crescente em torno do confronto.

No início da semana, Strickland afirmou que, caso Chimaev e sua equipe tentassem qualquer contato físico durante o período de promoção do evento, ele responderia com uma arma de fogo. Já na quinta-feira, o campeão respondeu dizendo que Strickland “estaria morto” caso tentasse algo nesse sentido, mas deixou claro que sua preferência é punir o rival apenas dentro do octógono.

Com esse cenário, Cruz acredita que a semana de luta pode ser explosiva, já que há muitos elementos imprevisíveis em jogo — principalmente por causa do tamanho das consequências para os dois lados.

“Eu vejo isso como pressão de semana de luta. Os dois têm uma imagem para manter, então vão se exibir ainda mais do que o outro, porque é a personalidade que eles estão tentando passar. Eles não podem começar a agir como gente boa agora”, disse Cruz. “Eles têm que ser os caras malucos. E agora vão tentar superar um ao outro no ‘louco’ para ver quem é mais duro. É como se cada um dissesse: ‘Não, eu sou mais doido que você. Você não pode ser mais doido do que eu, porque eu já te mostrei o quanto eu sou louco.’ Para mim é uma espécie de espetáculo. Mas, ao mesmo tempo, o nervosismo de uma briga até o fim é algo real. Dá para ver as duas coisas acontecendo ao mesmo tempo.”

Cruz também apontou o tipo de pressão que os lutadores carregam antes de um compromisso desse tamanho. “Eu acho que existe muita pressão. Pensa na pressão para esses caras. O Strickland está indo atrás de mais um título. O Chimaev é aquele cara invicto — e tem toda aquela história que as pessoas contam sobre o ego dele: ‘Você é imparável, é o mais forte de todos, ninguém nunca vai te tocar.’ Dá para perceber, pelo jeito que ele fala, que ele realmente compra essa narrativa sobre si mesmo, também. Agora imagina o que o ego dele está dizendo para ele todo dia? Essa é a pressão que a gente sente como lutador.”

Mesmo com Chimaev e Strickland colocando em risco um nível de violência que seria inédito antes de qualquer luta do UFC, o desenrolar da organização ainda segue incerto. Resta saber até que ponto a promoção vai endurecer as medidas para garantir que o único contato físico entre eles aconteça dentro do octógono. Esse planejamento pode até eliminar atividades consideradas importantes da semana, como a coletiva de imprensa e o tradicional frente a frente, o que frustraria parte do público, mas Cruz entende que pode ser necessário para preservar a segurança.

“Eu duvido que eles façam aquele cara a cara, certo?”, comentou Cruz. “Se estão dizendo isso, por que você faria um frente a frente? Por que você assumiria esse risco, se você fosse o Dana, com dois caras desses? É como quando aconteceu com ‘DC’ e o Jones. Poderia virar outra daquelas situações em que qualquer coisa vira confusão, e aí coloca tudo a perder.”

“Eu não acho que eles estão fingindo. Eu acredito que eles só estão falando coisas malucas para deixar bem claro: ‘Não testa a gente.’ Isso é o que foi passado. ‘Não me provoque que eu vou fazer.’ E aí o UFC vai dizer: ‘Ok, vamos seguir isso. Tragam a segurança.’”

Para ouvir mais comentários de Dominick Cruz, a conversa completa está disponível no podcast “The Bohnfire”, em participação com Mike Bohn.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.