Jim Miller cita “não são os anos, são as milhas” e mira 50 no UFC

NEWARK, Nova Jersey — Jim Miller recorreu ao imaginário de Indiana Jones para explicar como se sente ao chegar ao marco de duas décadas de carreira. O veterano da categoria dos leves usou o famoso bordão do professor Henry Jones Jr., “não são os anos, são as milhas”, para resumir o desgaste acumulado no corpo ao longo do tempo.

Miller dominou rapidamente Jared Gordon, em luta realizada na divisão dos leves no card preliminar do Prudential Center, em Newark, também em Nova Jersey. O triunfo veio com finalização ainda no primeiro round, quando o norte-americano encaixou uma guilhotina. Com o resultado, Miller ampliou sua marca de mais vitórias na história do UFC, além de garantir o bônus de Performance da Noite.

O desempenho teve um sabor especial para o lutador, que vinha de um período descrito por ele como turbulento em 2025. No ano anterior, Miller passou por cirurgia, e o mesmo ocorreu com seu filho adolescente. A intervenção foi necessária por conta de um tipo raro de câncer, que acabou sendo vencido, e o próprio Miller citou essa superação como uma fonte de inspiração durante o camp de preparação.

Retornar em casa, diante do público da região de Nova Jersey, marcou o primeiro compromisso do atleta no estado em 13 meses. Foi também o maior intervalo sem lutar de toda a carreira dele. Mesmo assim, a resposta dentro do octógono foi carregada de emoção, com toda a família acompanhando de perto, na área ao lado do cage. Ao todo, Miller chegou a 11 vitórias seguidas com interrupção antes do fim, somando paradas em sua sequência recente, e oito desses triunfos terminaram por finalização.

O veterano já vinha dizendo que deseja chegar a 50 lutas dentro do UFC — um número que, por si só, parece difícil de ser alcançado por qualquer atleta. Aos 42 anos, porém, Miller reconhece que precisa superar os efeitos das incontáveis pancadas acumuladas ao longo de duas décadas.

“Tem um professor bem famoso da faculdade, Henry Jones Jr. — talvez você conheça como ‘Indiana’. Ele disse: ‘não são os anos, são as milhas’, né? Eu tenho muita quilometragem no corpo”, afirmou Miller.

“Eu quero chegar a 50. Eu não quero que nada de ‘bobeira’ aconteça. É por isso que eu treino com o time que eu treino. São caras incríveis. Eu não consigo ver, na prática, todos os tipos de corpo e estilos que eu gostaria, mas eu tenho um grupo de lutadores que eu confio e que confia em mim. A gente faz o que precisa para se preparar. Eles me dão os estímulos que eu preciso e eu consigo fazer isso de um jeito seguro. Eu acho que várias carreiras nesse esporte acabam cortadas por lesões bobas e preveníveis, que acontecem dentro da sala de treino. Por isso eu quero chegar a 50 e, depois disso, conseguir encerrar a trajetória com tranquilidade”, completou.

E, caso uma das últimas lutas necessárias para alcançar o objetivo de 50 apresentações no UFC viesse justamente contra um dos maiores nomes da história do MMA, Miller não demonstraria incômodo. Conor McGregor, que não luta há quase cinco anos, já deu sinais de que cogita um retorno em breve.

Miller disse que aceitaria o desafio. “Acho que seria uma luta divertida”, declarou. “Eu vou testar aquele novo tornozelo que ele tem aí, aquele titânio. Eu não sei… sinceramente, eu sinto um pouco de pena dele, porque ele não teve a oportunidade de lutar por tanto tempo. Sim — eles sabem o meu número.”

Para a busca de Miller por 50 lutas no UFC, “não são os anos, é a quilometragem” — como já era para o lendário arqueólogo

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.