UFC 328: Chimaev domina Strickland e estrela noite no Prudential Center

No sábado, 9 de maio de 2026, o Ultimate Fighting Championship (UFC) desembarcou no Prudential Center, em Newark, Nova Jersey, para realizar o UFC 328. O card numerado teve variedade de estilos e emoções: no evento principal, um duelo carregado de rivalidade entre Khamzat Chimaev e o ex-campeão Sean Strickland; no co-main, mais um compromisso importante na divisão dos moscas (flyweight), com disputa de cinturão. No restante do espetáculo, o público também viu confronto pesado no peso-pesado, um embate de trocação contra grappling e lutas que reforçaram a força dos atletas veteranos — além de mais um episódio envolvendo controvérsias relacionadas a apostas.

O evento principal: Strickland derruba o “Borz” e vira o jogo

Sean Strickland conseguiu uma das maiores zebras recentes ao superar Khamzat Chimaev e conquistar o resultado que o colocou novamente no topo do UFC.

  1. Round 1: Chimaev iniciou como se esperava: pressionou, ameaçou costas e levou Strickland ao chão em diferentes momentos. Ainda assim, não conseguiu encaixar uma finalização por estrangulamento com real perigo, enquanto o desafiante mostrou controle melhor para manter o ritmo e evitar que a luta virasse exclusivamente grappling.
  2. Round 2: o desgaste cobrou. Strickland conseguiu vencer a etapa com mais consistência e inverteu a tentativa de queda do rival, passando a maior parte do período por cima e deixando Chimaev mais desconfortável do que no início.
  3. Round 3: mesmo pressionado e com o cenário ficando mais difícil, Chimaev reagiu. O russo? Não: o sueco? — aqui é Chimaev — aumentou o volume no boxe e no striking, andando para frente e voltando a deixar a luta competitiva com golpes em sequência.
  4. Round 4: a ofensiva seguiu. Com Chimaev insistindo mais no ataque e conseguindo perturbar o ritmo de Strickland, o quarto assinalou um novo equilíbrio parcial no confronto.
  5. Round 5: foi o “round da virada” em competitividade. Strickland anotou bastante ponto com jabs, mas Chimaev respondeu com alguns golpes mais pesados e ainda conseguiu duas quedas. No fim, dois dos três jurados deram a vitória para Strickland, que se tornou campeão do UFC pela segunda vez.

Apesar do resultado, a análise geral levantou dúvidas sobre os dois lados: Chimaev pareceu ter “gas” cedo demais e a luta de wrestling perdeu força após pouco tempo, com o atleta chegando a adotar guarda duas vezes. Já Strickland, que encontrou o adversário em condição ruim no segundo round, não transformou isso em domínio com dano: praticamente não houve golpes de corpo relevantes na segunda metade, e o plano passou muito pela repetição do jab como arma principal. Ainda assim, o placar final foi suficiente para fechar a noite com a vitória mais impactante do main event.

Título do flyweight: o “começo da era Van” com finalização e controle

Joshua Van vs. Tatsuro Taira foi um verdadeiro festival de intensidade, daqueles que definem carreira e consolidam reinado. O japonês começou voando: acertou jab, aplicou chutes na canela e ainda colocou a luta no chão com frequência, parecendo confortável no “pocket” trocando golpes com Van. Só que a disposição em entrar demais na trocação cobrou o preço no fim do segundo round: enquanto Taira arremessava um chute “sem proteção”, Van respondeu com um cruzado forte que quase apagou o adversário.

  1. Round 3: Taira seguiu machucado. Van o perseguiu pelo octógono com ataques em sequência, e o rosto do desafiante foi ficando cada vez mais coberto por sangue, além de inchar. Mesmo com várias chances do corner para parar, Taira continuou. No final, ainda conseguiu reagir um pouco, pontuando com golpes e levando o confronto para o chão.
  2. Round 4: ao invés de recuar para “jab-and-pull”, Taira foi para cima de maneira mais direta. Nessa dinâmica, ele acertou o direto com mais frequência e achou entradas melhores para as quedas. Van, por outro lado, seguiu entregando golpes mais pesados, enquanto Taira acumulou tempo de controle a partir de boas posições.
  3. Round 5: com o cinturão em jogo e cinco minutos decisivos no relógio, Van confirmou o que precisava. Partindo para frente com entradas rápidas, ele chegou primeiro nos momentos-chave, negando tentativas iniciais de queda. Depois, passou a cavar o corpo, e o cansaço de Taira ficou evidente. Com o ritmo caindo e os pés mais lentos, Van montou combinações brutais e colocou um ponto final na luta.

Ainda que uma revanche com Alexandre Pantoja parecesse favorecer Van? O texto aponta que o favoritismo seria de Pantoja em um recomeço, mas o desempenho diante de Taira foi exatamente o tipo de apresentação que fortalece a trajetória de campeão. A vitória no quinto round, com impacto e controle, carimbou a condição de Van como rei do flyweight. Próximos passos citados como possibilidades incluíram Pantoja, Manel Kape ou Kyoji Horiguchi — e qualquer um desses cenários foi tratado como “obrigatório de assistir”.

Alexander Volkov desmonta a perna diante de “Salsa Boy”

A vitória de Alexander Volkov sobre Waldo Cortes-Acosta não pareceu “bonita” para quem busca espetáculo puro, mas foi eficiente. O russo talvez não esteja, neste momento, mais perto de uma chance de título; ainda assim, o duelo mostrou um recorte claro: Volkov destruiu a perna de apoio do rival.

Na segunda metade da luta, foram vários momentos em que o chute baixo de Volkov gerou reação visível de dor em Cortes-Acosta. “Salsa Boy” terminou mancando, e as provocações com gestos do tipo “venha pra cima” pareciam motivadas mais pela dificuldade de encurtar distância sem sofrer novamente na parte interna da coxa do que por confiança real.

Mesmo sem soltar mãos com tanta frequência quanto poderia, o jab do atleta foi um elemento castigador. Em algumas oportunidades, ele atingiu e chegou a comprometer o olho do adversário por causa do toque firme do golpe de distância. Ainda assim, faltou continuidade em alguns momentos: o texto reconhece que seria interessante ver mais sequência, mas também lembra que Cortes-Acosta tentava responder com cada swing como se fosse a última chance, o que ajuda a explicar a hesitação.

Por fim, a perspectiva levantada foi que Volkov pode acabar enfrentando quem sair do duelo entre Josh Hokit e Derrick Lewis, em vez de uma disputa imediata de cinturão.

King Green: veterano bate Jeremy Stephens e confirma vigência no peso-leve

Com 39 anos, Bobby Green — agora conhecido como King Green — fez mais um capítulo da longevidade no UFC. Desde a estreia profissional, há 18 anos, ele acumulou 54 lutas no cartel e, mesmo com o tempo passando, segue competitivo em uma das divisões mais profundas do MMA.

Na luta contra Jeremy Stephens, King Green atropelou o adversário. Desde o soar do gongo, foi mais rápido, com confiança imediata nos contra-ataques. Ele acertou Stephens “no tempo” repetidas vezes, trabalhou o fígado com chutes e, quando “Lil Heathen” carregou o overhand, King Green o derrubou do jeito mais pesado possível na primeira vez em que isso aconteceu. Por cima, ele foi implacável com cotoveladas até que a finalização por estrangulamento por mata-leão traseiro se abriu no fim do primeiro round.

Com o resultado, King Green emendou a terceira vitória consecutiva com uma atuação quase impecável. Ainda que não seja mais um nome do Top 10, a leitura foi que ele está acima do nível de boa parte dos atletas da mesma geração. A única objeção considerada no texto foi Jim Miller, mas a comparação foi reforçada lembrando que Green venceu Miller de forma contundente lá no UFC 300. A vontade apontada para o futuro foi um confronto com outro veterano: se Michael Chandler não for retirado do circuito por Mauricio Ruffy no evento da Casa Branca no mês seguinte, o caminho sugerido foi Green contra “Iron Mike”.

Yaroslav Amosov impõe ritmo e finaliza com triângulo de braço

Yaroslav Amosov dominou Joel Alvarez de forma convincente. O espanhol vinha de um jejum de derrotas desde o revés para Arman Tsarukyan em fevereiro de 2022, mas não conseguiu oferecer respostas para o jogo de quedas do vencedor.

O plano de Amosov foi claro desde o primeiro round. Mesmo com Alvarez conseguindo colocar alguns golpes em momentos iniciais, a estratégia seguiu: o ex-campeão do Bellator arrastou o adversário mais alto para o chão repetidas vezes, utilizando chutes para afastar a base e trancar o posicionamento, além de tropeçar Alvarez quando ele tentava recompor postura.

No segundo round, Alvarez voltou diferente e pressionou com mais agressividade, mordendo o protetor bucal e voltando a trocar. Ele avançou através das pancadas, devolveu na sequência e parecia voltar ao jogo com combinações que encaixavam. Só que, no momento em que a recuperação ganhava forma, Amosov derrubou Alvarez ao chão e encaixou uma finalização quase instantânea com triângulo de braço.

Com esse triunfo, Amosov fechou campanha de 2 a 0 no UFC com duas paradas convincentes. Aos 32 anos e com 31 lutas no profissional, a mensagem do texto foi direta: não há necessidade de esperar tanto por uma pedreira no Top 10.

Grant Dawson sobrevive, acha as costas e pune erro de Rebecki

O confronto entre Grant Dawson e Mateusz Rebecki teve um elemento central: Dawson não é lembrado como atleta de grande “durabilidade”, mas aguentou um segundo round difícil e virou o jogo com uma finalização tardia.

O destaque inicial foi reconhecer Dawson. Depois de ser atingido e sangrar no segundo round, ele retornou ao básico do próprio estilo: encontrou as costas e tirou a decisão das mãos dos jurados ao finalizar com mata-leão traseiro no fim.

O maior problema, porém, foi atribuído ao raciocínio de Rebecki. A avaliação foi que era perceptível para quem assistia que Dawson acabaria vencendo — e a única maneira pela qual Dawson costuma perder seria com nocaute, o que deixaria a decisão de Rebecki de buscar quedas cedo algo ainda mais estranho. O texto aponta que, inexplicavelmente, Rebecki tentou levar a luta para o chão já nos primeiros trinta segundos, apesar de a leitura ser que Dawson é superior no grappling. Esse erro teria se repetido diversas vezes ao longo do combate.

No segundo round, Rebecki chegou a derrubar Dawson com uma sequência de dois golpes. Dawson ficou “tremendo” e, ao invés de finalizar, Rebecki escolheu prolongar a existência do adversário indo para clinch e mantendo a luta em posição de curta distância. Quando o combate entrou no terceiro round, Rebecki insistiu na mesma rota. O resultado foi o oposto: Dawson interrompeu a tentativa, “deslizou” para as costas e venceu a luta.

Mesmo com a reputação de Rebecki como atleta leve resistente e habilidoso, a conclusão foi que ele agora soma três derrotas seguidas e que o peso da responsabilidade recai sobre decisões dentro do octógono.

Jersey Jim: Jim Miller finaliza Jared Gordon com mata-leão em guilhotina pela quinta vez no UFC

Atuando como azarão relevante e lutando em casa, Jim Miller, de 42 anos, voltou a assinar sua marca registrada: uma finalização com guilhotina “arm-in” pela quinta vez no octógono. O texto reforça que, dentro do UFC, não existe quem tenha mais esse tipo de finalização na história.

Logo no início, Miller não pareceu estar em desvantagem. Ele entrou mais rápido, com o impacto do braço esquerdo se fazendo sentir. Por isso, Jared Gordon — mais conhecido recentemente por uma fase baseada em boxe — optou por tentar capturar uma perna e levar para a luta agarrada, uma escolha que acabou conduzindo o adversário para a armadilha de Miller.

Com a vitória, Miller alcança dois recordes no UFC: mais lutas e mais vitórias na história da organização. E, pela narrativa, a tendência é continuar forte: a esperança apresentada foi de manter casando com veteranos e, quem sabe, ver Miller alcançar até mesmo o UFC 400.

Outros destaques e resultados do card

  • Sean Brady x Joaquin Buckley: Brady venceu por decisão unânime. O texto descreve que Brady dominou na luta em solo, com wrestling firme e jogo de controle de alto nível. Ao mesmo tempo, aponta falhas no ground and pound: mesmo mantendo montada por nove minutos, não teria causado dano relevante. Já Buckley teria mostrado que atletismo não resolve seleção ruim de golpes: durante a luta inteira, teria entregue quedas por chutes e joelhadas sem o timing correto, além de não tentar um jab de corpo ou um direto para o tronco. A atuação foi classificada como muito ruim.
  • Ateba Gautier x Ozzy Diaz: Gautier venceu por nocaute no segundo round (destaques). A crítica foi direcionada ao tipo de adversário escolhido para o prospect: o texto questiona por que o UFC continua escalando Gautier — descrito como o meio-médio mais musculoso e atlético do elenco — contra adversários mais “de vitrine”, sendo a quinta aparição promocional dele. Ainda assim, não houve reclamação do resultado: Gautier teria encaixado um golpe forte e acertado “no ponto”, apagando Diaz. No primeiro round, Diaz teria mostrado tática e timing de quedas, mas no restante o trabalho de corpo de Gautier teria reduzido a resistência e, então, veio um direto que finalizou o duelo.
  • Baisangur Susurkaev x Djorden Santos: Susurkaev venceu por finalização com mata-leão traseiro no terceiro round (destaques). Com esse triunfo, Susurkaev chegou a 3-0 dentro do octógono e manteve a trajetória de prospect. O texto, porém, aponta uma sensação de inconsistência: há momentos de técnica e atletismo que fazem pensar em um futuro especial, mas também existem instantes em que arrogância e falta de capricho aparecem, deixando o desempenho “com cara de regular”. A conclusão foi que em breve os “alvos fáceis” vão acabar, e a grande pergunta passa a ser se ele vai elevar o nível diante de adversários realmente fortes — ou se vai virar mais uma vítima do “fraud check”.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.