Nem todo mundo está convencido de que “Borz” seja o verdadeiro pesadelo do UFC. O campeão peso-médio da organização, Khamzat Chimaev, fará a primeira defesa de seu cinturão neste fim de semana, no sábado (9 de maio de 2026), quando encara um rival bastante conhecido no octógono: Sean Strickland. O combate principal do UFC 328 acontece no Prudential Center, em Newark, no estado de Nova Jersey, e coloca frente a frente dois nomes que já protagonizaram narrativas fortes dentro da categoria.
Desde que chegou ao Ultimate Fighting Championship, Chimaev construiu a imagem de um dos atletas mais dominantes — e temidos — do elenco. Mesmo assim, em uma discussão conduzida por lutadores no novo programa do Paramount+, “Deep Waters”, a premissa de que ele seria “o mais assustador” da companhia foi colocada em dúvida. O debate, que foi apresentado por Din Thomas e contou com Jorge Masvidal, Dustin Poirier e Chris Weidman, girou justamente em torno do tema: afinal, quem é o lutador mais perigoso psicologicamente dentro do UFC no momento.
E a resposta não foi unânime. Masvidal cravou que, para ele, o cenário é outro: “Não, eu diria que o cara mais assustador agora é Ilia Topuria ou Carlos Prates.” O ex-desafiante seguiu com um argumento direto, atacando a forma como ele enxerga a ameaça apresentada por certos estilos: “Você vai me cheirar por 15 minutos e nem vai arremessar um golpe?” Na sequência, Poirier reforçou a ideia ao provocar um segundo ponto de vista, sugerindo que o “medo” não pode ser entendido apenas como estar sendo controlado ou mantido sob pressão: para ele, a própria situação de ser segurado no combate também entra na conta, mas não resume tudo.
Din Thomas então ajustou o foco do debate para um tipo específico de temor: aquele que nasce do olhar, do reconhecimento imediato de que o adversário pode mudar o jogo a qualquer momento. Ele explicou que a intenção era falar do tipo de receio que um lutador sente ao encarar o rival do outro lado da grade. Nesse contexto, Masvidal retomou a linha e citou Topuria e Prates como exemplos de atletas que impõem esse tipo de alerta. “Eu olho para alguém como Carlos ou Ilia e penso: isso é assustador, porque eu sei que, se eu escorregar hoje à noite, vou acabar olhando para as luzes lá de cima, pensando ‘o que diabos aconteceu?’”, disse o lutador, deixando claro por que considera esse tipo de risco tão pesado.
O momento mais marcante do segmento veio com uma frase que resumiu o sentimento do grupo sobre Chimaev: “Quando você enfrenta esses caras, você leva um travesseiro. Quando você enfrenta o Khamzat, você leva um remédio de plano B.” A provocação foi dura e, ao mesmo tempo, reforçou o quanto as percepções sobre perigo e “assombração” no octógono podem variar de acordo com a leitura de cada atleta.
Apesar do debate, a realidade é que o público certamente tem em mente a performance mais recente de Chimaev. O campeão voltou ao centro das atenções com uma vitória dominante pelo cinturão, mas sem o apelo mais empolgante para quem buscava finalizações rápidas — um triunfo que, para parte dos fãs, ficou aquém do impacto de lutas anteriores. Antes disso, porém, Chimaev já havia mostrado um caminho mais explosivo, incluindo uma interrupção brutal e devastadora contra Robert Whittaker, com uma finalização que virou referência pelo estrago causado.
Com o UFC 328 a poucos dias de acontecer, “Borz” tem a chance ideal de responder a essas dúvidas e reacender o motivo pelo qual ele ganhou a fama de alguém que assusta de verdade. Contra Sean Strickland, na luta principal do card, o campeão tenta transformar a conversa em consenso — e lembrar, no octógono do Prudential Center, por que o nome dele virou sinônimo de perigo.

