O Ultimate Fighting Championship (UFC) informou que vai elevar o nível de segurança para o UFC 328, em Newark, no estado de Nova Jersey, no dia 9 de maio de 2026. A medida, porém, levanta uma pergunta inevitável: será que a organização vai conseguir reforçar o esquema com intensidade suficiente para controlar o clima de tensão em torno do card — especialmente por causa do temperamento explosivo de Khamzat Chimaev e Sean Strickland?
A preocupação não nasce do nada. Qualquer confusão durante a semana de lutas já seria motivo para alerta, e o cenário ficou ainda mais sensível depois que Strickland passou a sinalizar que pretende levar uma arma para um eventual confronto físico. Em meio ao debate sobre o “quanto” a rivalidade entre os dois pode sair do controle, a fala do lutador chamou atenção, aumentando o temor de que a disputa ultrapasse os limites do octógono.
Em entrevista recente, Oscar Willis, do “The Mac Life”, retomou o tema durante a conversa com Strickland e lembrou que, segundo ele, o adversário teria comentado algo nesse sentido. “Ele já está falando que, se vocês se encontrarem, ele vai ter os amigos dele com ele e vocês não vão ter nenhuma chance”, disse Willis a Strickland, durante a entrevista. A resposta do atleta foi direta e ainda mais grave: “Eu só vou fazer uma coisa: vou puxar a minha arma do meu sapato.”
Na sequência, Strickland tentou enquadrar o argumento de forma “condicional”, descrevendo como reagiria caso Chimaev o abordasse sozinho, em uma suposta conversa “de homem para homem”. O norte-americano afirmou que, se o rival aparecesse para ele dizendo que Strickland teria falado algo sobre o pai de Chimaev, Ramzan Kadyrov, e que ele quer “resolver” a situação, Strickland sugeriria que a solução deveria ser feita “como homens”. No entanto, o lutador deixou claro que, se Chimaev surgisse acompanhado por “três caras” ligados ao contexto citado e que, segundo ele, não falariam inglês, a situação mudaria: Strickland disse que tiraria a arma e que atiraria contra “cada um” daqueles envolvidos.
Esse tipo de declaração coloca a rivalidade entre os dois em outro patamar. Strickland historicamente tem pressionado os limites da política de “liberdade de expressão” da liga, e recentemente viveu um episódio que reforçou o quanto a postura dele pode ultrapassar o aceitável. Durante uma entrevista coletiva após a vitória no UFC Houston, seu microfone teria sido desligado após o lutador começar a chamar Khamzat Chimaev de um apelido ofensivo relacionado a conduta sexual — um insulto que Strickland tem usado com frequência na preparação para o UFC 328. Por isso, torna-se difícil tratar do conflito entre os dois sem mencionar essa escalada verbal que já vinha acontecendo.
Agora, com ameaças de violência armada entrando no discurso, o caso deixa de ser apenas uma briga de egos e vira um risco real de segurança. A expectativa é que o UFC faça o máximo possível para evitar que o palco do evento em Newark se transforme em um episódio de agressão em massa, principalmente porque o card traz nomes relevantes e a disputa de bastidores pode ganhar tração antes mesmo da primeira luta começar. Entre as medidas esperadas está manter os atletas em hotéis separados e reduzir o número de interações promocionais entre eles até a data do evento, tentando diminuir as chances de um encontro precipitado.
Mesmo assim, com os dois lutadores demonstrando disposição para brigar antes do combate oficial, a dúvida permanece: a promoção conseguirá conter o “caldeirão” e impedir que a tensão se transforme em algo muito pior do que uma discussão em frente às câmeras? Enquanto a data se aproxima, o UFC 328 passa a ser acompanhado não apenas pelo que acontece dentro do octógono, mas também pelo que pode acontecer fora dele, na fase mais sensível da semana de lutas.

