O UFC 328 acontece neste sábado no Prudential Center, em Newark, no estado de Nova Jersey, com um confronto que promete definir o rumo da categoria até o próximo ciclo: uma luta pelo cinturão dos médios entre Khamzat Chimaev e Sean Strickland. Chimaev tenta fazer a primeira defesa de seu título, enquanto Strickland chega com a missão de reconquistar a faixa que já foi sua.
O caminho de Khamzat Chimaev para vencer no UFC 328
Khamzat Chimaev é, frequentemente, descrito como uma força difícil de conter — e a forma como ele chegou ao topo no meio dos médios reforça essa percepção. Logo em sua estreia no octógono, o mundo do MMA já enxergava um potencial enorme. “Borz” foi apresentado ao UFC com um pacote completo: explosão, preparo físico acima da média, força e, principalmente, um jogo de chão capaz de desorganizar qualquer plano do adversário.
Mesmo com um período em que problemas de saúde quase atrapalharam sua trajetória, Chimaev retomou o ritmo e, no ano passado, finalmente transformou o favoritismo em realidade ao conquistar o cinturão dos médios no UFC. E, como costuma acontecer em praticamente todas as grandes atuações de sua carreira, o triunfo veio com o domínio técnico e físico no grappling.
Na luta que lhe deu o título, Chimaev enfrentou Dricus du Plessis, um dos nomes mais perigosos do mundo e com reputação de potência física. Ainda assim, o sul-africano foi praticamente neutralizado pela velocidade absurda do campeão e pela forma como Chimaev encaixa posições, controlando o corpo do oponente antes mesmo de ele conseguir reagir. Houve um ponto que ficou como “única mancha” naquele desempenho: em vez de buscar uma finalização a todo momento, Chimaev pareceu hesitar em acelerar o desfecho. Ainda assim, trata-se de uma observação pequena, especialmente considerando o histórico do atleta — e a tendência é que isso não se repita diante de Strickland, sobretudo pela dinâmica que a rivalidade pode provocar.
Para Chimaev, a resposta sobre como ele deve atuar é sempre praticamente a mesma: levar o combate para o chão e dominar. Mesmo que Strickland tenha se mostrado, ao longo da carreira, competente na defesa de quedas e em conseguir levantar quando a tentativa acontece, o cenário tende a ser diferente contra Chimaev. A leitura é que Strickland não está acostumado com o tipo de velocidade e timing que o campeão imprime nas entradas.
Na prática, a tendência é que Chimaev busque as pernas do adversário com um shot rápido vindo de muito longe, criando uma espécie de “atalho” para colocar o confronto na sua zona de controle. Se Strickland normalmente tenta criar distância para encaixar o próprio jogo e forçar trocação, a proposta de Chimaev é cortar esse caminho antes que o desafiante tenha tempo de organizar a estratégia.
Quando o combate cair no chão, o roteiro mais provável é Chimaev se posicionar rapidamente por trás, já que Strickland costuma tentar encostar na grade para se recuperar em postura e tentar voltar. Esse comportamento, porém, abre espaço para que o campeão avance para uma posição dominante e comece a caçar o golpe final.
Se houver um ajuste importante para este duelo, ele passa por aumentar o volume de ground and pound. Chimaev não é conhecido por ficar “castigando” tanto no chão; em geral, ele persegue finalizações. A expectativa é que uma abordagem um pouco mais agressiva na pressão possa transformar a ameaça ainda mais completa e, ao mesmo tempo, reduzir parte da vantagem de fôlego que Strickland pode tentar explorar caso a luta se estenda para rounds mais tardios.
Há ainda um detalhe tático a ser observado: se Chimaev conseguir marcar o timing de um chute e transformar isso em queda, Strickland pode ser obrigado a abandonar uma de suas armas mais importantes. Esse tipo de ajuste pode definir o ritmo do confronto desde cedo.
O caminho de Sean Strickland para vencer no UFC 328
Explicar o UFC 328 pelo lado de Sean Strickland é um exercício delicado porque, no papel, o duelo apresenta poucas incógnitas — ambos os lutadores chegam ao octógono com construção completa e estilos que se repetem em essência: cada um tenta impor seu jogo e sustentar seu plano ao longo do combate.
O problema para Strickland, porém, está em uma pergunta central: ele vai conseguir defender as quedas de Chimaev? A resposta tende a ser um desafio grande. Strickland tem qualidade na parte defensiva contra o wrestling e também é muito bom em voltar aos pés assim que consegue. Só que, contra um atleta como Chimaev, as ferramentas que costumam funcionar podem perder eficiência.
A leitura é que Chimaev consegue “ligar” de forma rápida quando precisa, acelerando o controle e mudando o ritmo do confronto. Strickland, embora seja um lutador perigoso, provavelmente terá dificuldade para acompanhar o tempo do campeão, principalmente no início, quando Chimaev costuma impor seu ritmo com mais intensidade. Além disso, a estratégia de usar a grade para se levantar pode servir como uma oportunidade para Chimaev “escapar” para as costas, cenário que já se repetiu em lutas anteriores.
No quadro geral, o plano de Strickland parece simples: sobreviver ao começo, fazer Chimaev gastar esforço, aumentar o volume com jabs e chutes de base (como teeps) para começar a drenar o condicionamento do rival e, então, assumir o controle mais tarde, quando a sequência de ataques puder pesar. Mas existe uma condição para isso dar certo: ele não pode “desistir” dos primeiros minutos nem entregar o controle sem resistência.
A preocupação é que, se Chimaev conseguir o domínio completo e transformar a luta em um cenário de controle prolongado, não é algo em que Strickland possa apostar para “vencer pelo cansaço”. A ideia é que Strickland precise preencher o espaço entre os dois o tempo todo, evitando que Chimaev consolide posição no chão. Trata-se de uma tarefa alta, e a sensação é de que pode ser difícil para Strickland executar com consistência durante os rounds.
As confusões fora do octógono e a previsão para o duelo
Além das perguntas óbvias sobre o confronto em si, existe um fator adicional: quanto as provocações e o clima pesado ao redor da luta podem influenciar o que acontecerá dentro do octógono. Chimaev e Strickland trocaram mensagens e falas duras um com o outro, e, em especial, Strickland demonstrou estar mais instável em alguns momentos durante a semana. A tendência é que isso não altere tanto o desempenho técnico dos dois, mas, se algum detalhe emocional escapar do controle, pode acabar custando caro justamente no tipo de luta em que a menor brecha vira oportunidade.
Na hora de projetar o resultado, existe um argumento que daria margem para Strickland sair vitorioso no papel. A comparação feita é a de um cenário improvável, quase como uma “reviravolta” em que a teoria aponta para um caminho, mas a realidade muda rápido — com a sensação de que, mesmo quando uma história parece preparada para um desfecho, o perigo real encontra outra forma de aparecer e virar o jogo.
Apesar disso, a projeção mais forte segue a favor de Chimaev: a leitura é que, no combate real, o campeão deve conseguir levar a luta para onde ele quer com eficiência e, então, transformar o controle em finalização. A expectativa é que o resultado venha de maneira rápida o suficiente para impedir que Strickland entre no plano de longo prazo e construa o volume necessário para virar o confronto.
Resultado do UFC 328
Khamzat Chimaev derrotou Sean Strickland por finalização (guilhotina/estrangulamento — “rear-naked choke”), aos 4:11 do 1º round.

