Arnold Allen x Melquizael Costa no UFC Vegas 117: duelo de strikers no Apex

Arnold Allen e Melquizael Costa se enfrentam nesta noite (sábado, 16 de maio de 2026), no UFC Apex, em Las Vegas, Nevada, em luta válida pela categoria peso-pena no UFC Vegas 117. O duelo coloca frente a frente dois strikers de alto nível, com estilos capazes de transformar qualquer troca em um espetáculo — apesar do clima de “evento paralelo” que costuma tomar conta do card quando há outras atrações muito comentadas no mesmo fim de semana.

Allen chegou ao topo do peso-pena com uma sequência impressionante: foram nove vitórias seguidas logo em sua fase inicial no UFC, fazendo com que o inglês passasse a encarar nomes de elite, como Max Holloway e Movsar Evloev. Mesmo assim, nas últimas oportunidades contra adversários do Top 5, ele acabou ficando aquém em três ocasiões. Ainda que não tenha fechado os resultados nesses confrontos, o desempenho foi sempre de quem esteve muito perto da virada, consolidando Allen como um atleta de nível mundial no peso-pena.

Costa vive um momento de escalada semelhante, só que em outro ritmo. O brasileiro emplacou quatro vitórias de grande qualidade ao longo de 2025 e começou 2026 com força, nocauteando Dan Ige com um chute giratório meses atrás. No ranking, ele ocupa a posição de número 12, e segue como uma alternativa perigosa para entrar de vez na briga pelo topo caso consiga estender sua sequência atual de triunfos até chegar ao número sete diante de Allen.

Allen x Costa: apostas

  • Vitória de Arnold Allen: -154
  • Arnold Allen por TKO/KO/DQ: +380
  • Arnold Allen por finalização: +1400
  • Arnold Allen por decisão: +170
  • Vitória de Melquizael Costa: +120
  • Melquizael Costa por TKO/KO/DQ: +600
  • Melquizael Costa por finalização: +650
  • Melquizael Costa por decisão: +330

As odds foram apresentadas pela FanDuel Sportsbook.

Como Allen pode vencer

Allen é um dos melhores boxeadores do peso-pena. Seu jogo de distância é muito eficiente: ele se movimenta bem no lado de fora e trabalha com aquele jab de Tristar, além de acelerar com blitz usando o contragolpe pela mão esquerda. Mesmo sendo um striker com base forte no boxe, ele também consegue chutar com qualidade na média e na longa distância, o que o torna um lutador completo em pé.

Outro ponto que pesa no plano de Allen é o lado defensivo no grappling. Como ficou claro em seu confronto contra Movsar Evloev, o inglês tem um manejo de quedas muito eficiente e ainda conta com um mata-leão do tipo guilhotina que costuma aparecer de forma traiçoeira.

O desenho do combate lembra, em parte, a luta de 2024 de Allen contra Giga Chikadze. Ele tende a gostar de encaixar o boxe trabalhando de fora, mas não pode permitir que a noite vire uma sequência de golpes de chute dominantes, algo que já ficou evidente quando boxeadores foram castigados em outro duelo recente, como Jack Della Maddalena vs. Carlos Prates. Por isso, o caminho mais inteligente para Allen é pressionar, tentar prolongar combinações e transformar as trocas em momentos em que seu boxe mais fluido consiga ditar o ritmo.

Contra um canhoto, a forma de reduzir a distância sem “pagar caro” com chutes na perna é um detalhe crucial. Allen deve dobrar o jab para avançar, mas com o cuidado de não entregar a perna para ser destruída por chutes. A chave passa por simulações e “falsos começos” com frequência, além de esconder o jab real entre variações de ombro e toques feitos apenas com o braço, sem compromisso total. A ideia é fazer Costa desorganizar o chute baixo, esperar o momento em que ele voltar a recuperar a postura e, então, apertar enquanto o brasileiro tenta reestabelecer o posicionamento.

Ficar apenas correndo e chutando no perímetro também cansa demais, especialmente em um combate de até cinco rounds. Para acelerar a fadiga de Costa, Allen deve mirar mais no corpo com golpes de boxe e buscar oportunidades para capturar chutes e, aí sim, converter em quedas que drenam energia e criam um caminho mais estável para o controle.

Como Costa pode vencer

Costa tem apenas 29 anos, mas construiu uma evolução técnica rápida. O estilo dele tem muito da lógica “ou vai até o fim, ou vai até o fim”, típica do muay thai: o melhor trabalho acontece quando ele consegue disparar chutes com força na distância ou, então, encurtar para o clinch com joelhadas e cotoveladas. No meio da trocação, ele também é capaz de responder com um contragolpe rápido, mas o boxe tende a perder eficiência quando o combate exige troca por longos períodos e ele precisa sustentar o ritmo na mesma cadência.

Além do trabalho em pé, Costa também amadureceu no aspecto de grappling, formando um pacote que combina bem com a ofensiva. Do mesmo modo que Allen, ele carrega uma ameaça perigosa com guilhotina, o que aumenta o risco para qualquer tentativa de aproximar para lutar ou pressionar sem proteção adequada.

De modo geral, Costa costuma enfrentar adversários canhotos de maneira mais comum, o que facilita o jogo de ameaça dupla entre mão esquerda e chute com a esquerda. Quando o rival é um canhoto como Allen, essa dinâmica muda bastante. A tendência é Costa priorizar o trabalho com a perna esquerda para “cortar” a canela dianteira de Allen, reduzindo base e movimentação. Um exemplo recente reforça o impacto desse tipo de estratégia: Jean Silva encontrou bons resultados castigando Allen com chutes durante as mudanças de ângulo, algo que pode ser ainda mais danoso contra um lutador que precisa avançar para encaixar combinações.

Se a perna dianteira de Allen ficar comprometida a ponto de ele não conseguir encurtar com segurança, o cenário para o inglês se torna bem difícil. Costa tem variedade no arsenal e deve usar essas ameaças para ocultar o chute baixo. Chutes “crus” de canela podem não ser tão fáceis de acertar para “The Dalmatian”, mas a precisão tende a melhorar quando o golpe é preparado por outros estímulos, como chutes frontais ou avanços com joelhadas enquanto o rival tenta fechar distância.

Outra rota para Costa é, em alguns momentos, parar de apenas recuar e chutar: ele pode firmar o chão, entrar no clinch e tentar “quebrar” a pressão de Allen. Se Costa deixar Allen correr contra ele e, ao interromper a investida, encaixar uma joelhada ou uma cotovelada, o resultado tende a ser o desestímulo do ímpeto do inglês — e, com isso, Allen passa a ficar mais tempo na zona em que o chute é mais eficiente para o brasileiro.

Prognóstico para Allen x Costa

Se o público gosta de kickboxing técnico e com violência, o confronto deve valer a atenção. É possível que o ritmo não seja de uma briga caótica o tempo inteiro, mas a tendência é que os dois ajustem táticas constantemente ao longo dos cinco rounds, criando momentos de virada e trocas disputadas. Mesmo com cara de “processo” mais lento em alguns trechos, a expectativa é de que os dois lutadores encontrem espaço para marcar presença com impacto.

No fim, a leitura é que a luta vai para as cartas e se manterá competitiva pelos 25 minutos completos. O desfecho deve depender de onde o combate mais acontece: se ele ficar muito no longo alcance ou se evoluir com mais frequência para o miolo, onde as trocas ganham outro tipo de dinâmica.

Conforme o tempo passa, a projeção é de que Allen, com um boxe mais eficiente para pontuar e controlar o ritmo, consiga desgastar Costa em partes decisivas. Isso pode fazer com que o destaque inglês capture o suficiente do segundo tempo do combate para inclinar a leitura dos juízes.

Previsão: Allen por decisão.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.