UFC em Newark: card do UFC 328 ganha prévia com Chimaev x Strickland

Newark volta ao calendário do UFC pelo terceiro ano consecutivo. A cidade já recebeu o evento 11 vezes desde o UFC 78: Validation, quando vencedores do The Ultimate Fighter e nomes que seguiriam para a condição de campeões e até para o Hall da Fama dividiram o holofote no card principal — com Michael Bisping e Rashad Evans se enfrentando na luta principal.

Pela segunda edição seguida, confrontos valendo cinturões dominam o topo do card. Desta vez, o Octógono desembarca no Prudential Center com duas disputas de título: Joshua Van defende o cinturão dos moscas contra Tatsuro Taira no coevento principal, enquanto Khamzat Chimaev coloca o cinturão dos médios em jogo pela primeira vez diante de Sean Strickland, em duelo que fecha o programa.

Com um elenco de apoio forte e várias histórias interessantes ao longo do card, o UFC 328 promete ser um dos melhores eventos do ano do ponto de vista atlético, do primeiro ao último combate. A seguir, confira o que está em jogo neste fim de semana.

Main Event: Khamzat Chimaev vs Sean Strickland

Co-Main Event: Joshua Van vs Tatsuro Taira

Local: Prudential Center — Newark, New Jersey

Onde assistir: Paramount+

Antecedentes

Campeão invicto, Khamzat Chimaev volta a lutar após conquistar o título em agosto do ano passado. Agora, o atleta mira a primeira defesa do cinturão dos médios, com Sean Strickland como adversário — ex-campeão e um dos nomes que mais pressionou a fila de disputas recentemente.

Chimaev conquistou o cinturão no UFC 319 com uma atuação dominante contra Dricus Du Plessis, quando o desafiante não conseguiu encontrar respostas para o jogo de quedas e para o controle no topo do novo campeão. Apesar de não ter exibido o mesmo nível de “ameaça constante” visto nos primeiros três combates no UFC, o lutador seguiu sem derrotas, enfrentando desafios mais duros e recebendo mais atenção e escrutínio. Nas duas últimas apresentações, ele respondeu com performances convincentes.

Strickland, por sua vez, abriu caminho rumo ao title shot com uma apresentação marcante contra Anthony “Fluffy” Hernandez em fevereiro. Com mais urgência e agressividade, o norte-americano impôs o ritmo e garantiu a vitória com interrupção no terceiro round. Aos 35 anos, ele chega ao desafio depois de ter sido derrotado nas duas últimas lutas por cinturão — tendo surpreendido Israel Adesanya e conquistado o título no UFC 293. Para voltar a ser campeão pela segunda vez, Strickland precisa repetir um desempenho com características semelhantes ao que mostrou em Houston.

Mesmo antes do combate, a leitura é clara: o resultado deve girar em torno de como Strickland consegue pressionar o campeão e, principalmente, como vai defender as tentativas de queda. O estilo de avançar com constância e manter volume tende a ser um caminho para desafiar o arsenal de grappling agressivo de Chimaev. Du Plessis, por exemplo, não conseguiu fazer o campeão “trabalhar” como outros fariam, e o duelo ficou unilateral rapidamente. Se Strickland não achar um jeito de tirar Chimaev do controle em deslocamento para trás e causar impacto com golpes, corre o risco de repetir um enredo parecido com o de seu desafeto sul-africano.

A luta principal tem ainda um tempero histórico: originalmente marcada para o UFC 327, a disputa por Newark acabou compensando a agenda e garantindo o coevento principal na casa. Assim, a cidade recebe Joshua Van defendendo o cinturão dos moscas contra Tatsuro Taira neste sábado.

Van encerrou uma temporada extraordinária em 2025 ao conquistar o título no UFC 323, em dezembro, quando Alexandre Pantoja sofreu lesão no braço durante a tentativa de finalizar o chão — enquanto Van “tree-topped” (passou por cima) para reagir na ação. Com apenas 24 anos e vindo da Birmânia, o lutador emplacou seis vitórias seguidas e nove triunfos em dez desde que chegou ao UFC, ainda sem completar três anos na organização. A combinação de talento e projeção faz com que ele tenha tudo para virar um campeão de longa duração na divisão.

Taira chega embalado por um desempenho forte logo após Van derrotar Pantoja. Pouco antes, o japonês interrompeu Brandon Moreno, duas vezes campeão, fechando um ciclo de atuação dominante. Aos 26 anos, ele também carrega um histórico consistente: dentro do Octógono, perdeu apenas uma vez, por decisão dividida, para Brandon Royval em uma luta de cinco rounds que entregou entretenimento do início ao fim. Além disso, ele coleciona finalizações em seis das oito vitórias que obteve na organização.

Apesar do rótulo de “striker contra grappler”, o confronto parece mais ligado a resistência e determinação do que às etiquetas. Ambos são mais completos do que a descrição sugere, e isso tende a transformar a luta em um teste de quem consegue impor as próprias condições. A vantagem, em geral, muda após cada round; por isso, será decisivo observar como cada um responde caso perca um ou dois períodos iniciais.

A luta

  1. Chimaev x Strickland: a chave do combate deve ser a capacidade de Strickland de manter pressão contínua enquanto consegue neutralizar as tentativas de queda do campeão. Se ele não conseguir impedir o avanço do jogo terrestre com efetividade e não acertar com impacto, a tendência é que o ritmo de Chimaev tome conta da luta.

  2. Van x Taira: mesmo com estilos diferentes, o duelo deve ser decidido por quem dita o ritmo em cada troca. Como a vantagem pode “resetar” após cada round, o foco será ver quem reage melhor quando o plano não sai como esperado nos primeiros momentos.

Additional Main Card Matchups

Antes do duelo principal, o UFC 328 também traz um encontro importante no peso-pesado entre Alexander Volkov e Waldo Cortes Acosta. A dupla busca consolidar posição entre os principais nomes em atividade na categoria, em um momento em que a divisão começa a se movimentar com força neste ano.

Volkov vem de duas lutas muito discutidas que terminaram em decisões divididas. A primeira foi uma derrota para Ciryl Gane, em um combate que muita gente acreditou que o russo venceu. A segunda, no entanto, foi uma vitória para Volkov em outubro passado contra Jailton Almeida — e, nesse compromisso, os dois lutadores não conseguiram produzir tanto volume ofensivo quanto se esperava. Antes desses dois resultados, o veterano russo vinha em sequência positiva, com quatro triunfos consecutivos, mostrando um aumento de agressividade em vitórias sobre Jairzinho Rosenstruik, Alexandr Romanov, Tai Tuivasa e Sergei Pavlovich.

Cortes Acosta, por sua vez, faz aqui a segunda aparição em 2026, mantendo a intenção de lutar com regularidade. No ano anterior, ele fechou com campanha de 4-1 e dois nocautes em novembro. Agora, começou 2026 com vitória por interrupção no segundo round sobre Derrick Lewis, chegando a 10-2 dentro do Octógono e a 17-2 no total de sua carreira.

Com a possibilidade de disputa interina no UFC Freedom 250 no próximo mês e a data de retorno de Tom Aspinall ainda indefinida, Volkov e Cortes Acosta chegam com o objetivo de assegurar uma espécie de “pole position” para oportunidades futuras de cinturão — antes que outros integrantes do Top 5 retornem à ativa, como Pavlovich e Josh Hokit. Nada está garantido, mas uma atuação convincente de qualquer um dos dois certamente reforçará a argumentação por uma chance de título.

Na sequência, a organização ainda coloca dois meio-médios que querem fazer o mesmo tipo de movimento. Sean Brady enfrenta Joaquin Buckley em um duelo que pode ajudar a definir caminhos na parte alta do card.

Brady vem de uma performance excelente em março passado, quando entrou em uma luta com prazo curto contra Leon Edwards e dominou o ex-campeão por três rounds, finalizando-o no quarto. No entanto, em novembro, ele perdeu para Michael Morales, interrompendo uma sequência de três vitórias e ficando fora do grupo do Top 5 por enquanto.

Buckley, depois de cinco vitórias em nove lutas no meio-médio, desceu para os 170 libras em 2023 e emendou seis vitórias seguidas. O período mais forte aconteceu em 2024, quando ele finalizou Stephen “Wonderboy” Thompson e também Colby Covington em sequência. Na única luta de 2025, “New Mansa” foi superado por Kamaru Usman, o que o coloca neste confronto com a missão de retomar o caminho das vitórias e se aproximar novamente da disputa por cinturão.

A pergunta que fica: Brady vai reagir rapidamente como já fez após a primeira derrota de sua carreira, ou Buckley vai voltar a vencer e subir mais um degrau rumo à briga pelo título?

Abertura do main card

Com veteranos de grande rodagem e ampla experiência somada — mais de 100 lutas profissionais entre si e pelo menos 60 compromissos no UFC — King Green e Jeremy Stephens abrem o bloco principal do evento.

Mesmo sendo um dos mais experientes da divisão, Green segue sendo um adversário perigoso para quem está tentando avançar na caminhada. Depois de bater Lance Gibson Jr. em dezembro, ele acelerou o ritmo e foi a Cidade do México em fevereiro, onde venceu por interrupção no segundo round contra Daniel Zellhuber.

Stephens retornou ao plantel em maio passado, em sua cidade natal, Des Moines, Iowa. Na ocasião, ele perdeu em decisão para Mason Jones em um combate que foi considerado animado. Ao longo da carreira, Stephens esteve diante de alguns dos principais nomes das categorias de leve e pena, e deve entrar neste UFC 328 com grande motivação para conquistar mais uma vitória dentro do Octógono.

A combinação entre os estilos deixa a luta ainda mais interessante: apesar de Green ter mostrado sinais positivos nos últimos resultados, Stephens tem aquele poder de “um golpe só” que pode interromper o ritmo de um adversário e mudar o tom do combate rapidamente. O cenário promete um duelo com momentos decisivos.

Preliminary Card Pairings

Nos preliminares, Ateba Gautier, prospecto em ascensão do peso-médio, faz sua segunda luta em 2026. Ele retorna a Las Vegas para enfrentar Ozzy Diaz.

Gautier teve seu primeiro momento de dificuldade no começo do ano ao enfrentar Andrey Pulyaev no UFC 324. Foram três rounds de desgaste até sair a decisão — e esse foi o primeiro triunfo por pontos na carreira profissional dele. Diaz, por sua vez, estreou no peso-médio em março e venceu por decisão unânime Djorden Santos. O veterano, por experiência e testes anteriores, pode causar mais problemas do que o adversário imagina.

Joel Alvarez e Yaroslav Amosov se enfrentam em um confronto de meio-termo entre jovens talentos, com os dois tentando se aproximar do Top 15. Alvarez, que por anos competiu como atleta do peso-leve, migrou para o meio-médio no ano passado. Ele venceu Vicente Luque por decisão — e Luque foi o primeiro a chegar até as cartas na derrota contra o espanhol.

Amosov chegou ao UFC no último card de 2025. Na ocasião, ele finalizou Neil Magny ainda no primeiro round e chamou atenção como uma ameaça fora da rota dos favoritos. A expectativa é ver quem mantém o controle do ritmo e quem consegue impor as próprias ferramentas em uma luta de evolução recente.

Grant Dawson e Mateusz Rebecki já dividiram o tapete pela American Top Team, mas agora os dois se encontram frente a frente no Octógono em Newark. É a segunda vez em três anos que Dawson inicia uma campanha com a intenção de retomar o rumo correto após uma derrota por interrupção no primeiro round para Manuel Torres em dezembro, no UFC 323.

Já Rebecki entrou na lista de resultados controversos em 2025: ele caiu do lado errado da decisão em seus dois compromissos do ano. Foram lutas longas e difíceis contra Chris Duncan e Ludovit Klein, ambas com honra de “Luta da Noite”.

No duelo seguinte, Jim Miller e Jared Gordon, dois veteranos do peso-leve, abrem mais um capítulo do calendário ativo ao se enfrentarem em uma luta com clima de “New Jersey contra New York”. Miller estreia no UFC 328 buscando a vitória de número 27 em sua carreira, enquanto tenta se recuperar após uma derrota em sua única luta de 2025 e de enfrentar lesões e desafios familiares desde então. O atleta tem 37 anos.

Gordon viveu um ano de resultados variados. Em maio, ele venceu com nocaute Thiago Moises, mas voltou a perder em setembro, no Noche UFC, para Rafa Garcia.

Nos confrontos iniciais, Roman Kopylov encara Marco Tulio em um duelo de meio-pesados/agressivos, que busca dar direção ao futuro de ambos na categoria. Kopylov tem sido um dos mais ativos nos 185 libras nos últimos três anos, acumulando cartel de 5-3 com vitórias sobre Punahele Soriano, Cesar Almeida e Chris Curtis.

Tulio começou seu primeiro ano como profissional no UFC vencendo por interrupção Ihor Potieria e Tresean Gore. Porém, em novembro ele sofreu a queda de um enredo parecido: acabou ficando do lado errado da decisão em luta contra Christian Leroy Duncan.

Pat Sabatini, veterano “moedor” de rounds, tenta ampliar sua sequência de vitórias, enquanto William Gomis atravessa o Atlântico para buscar o maior resultado da carreira. Sabatini chega a Newark aos 35 anos após vencer três lutas seguidas e conquistar oito vitórias em dez no UFC. A luta mais recente foi contra Chepe Mariscal, quando ele superou o rival no ritmo e conseguiu um tipo de “revide” ligado às disputas regionais. Gomis, por outro lado, voltou a vencer depois da primeira derrota no UFC ao bater Robert Ruchala, ex-campeão do KSW, em setembro do ano passado. Com essa vitória, ele alcançou 5-1 no Octógono e 15-2 no total da carreira.

Um dos destaques de estreias recentes do ano, Baisangur Susurkaev, faz a primeira luta de 2026 contra Djorden Santos, também vindo do Contender Series. Susurkaev recebeu o contrato e conseguiu um intervalo curtíssimo: fez a preparação em quatro dias para buscar o primeiro triunfo na carreira, e na sequência repetiu o bom momento com um nocaute no terceiro round sobre Eric McConico em novembro. Santos, por sua vez, estreou na companhia com derrota para Ozzy Diaz, mas reagiu em outubro ao vencer Danny Barlow por decisão unânime em Vancouver.

O show começa nos pesos-leves com Clayton Carpenter enfrentando Jose Ochoa. Carpenter, atleta do MMA Lab, vem com resultados em sequência na primeira parte do seu caminho no UFC: nos quatro primeiros compromissos, ele venceu os dois primeiros combates por finalização e depois caiu nas duas últimas apresentações contra Tagir Ulanbekov e Jafel Filho.

Ochoa estreou com derrota para Lone’er Kavanagh, mas voltou com vitória por nocaute sobre Cody Durden. Em julho, ele aceitou uma luta com prazo curto contra um nome do Top 10, Asu Almabayev, e foi derrotado por decisão, encerrando a campanha com 8-2 no total até aqui.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.