No sábado, 2 de maio de 2026, o UFC desembarcou na RAC Arena, em Perth, na Austrália, para o evento UFC Perth. Pela segunda vez em poucas semanas, a abertura do card “Prelims” entregou lutas bem abaixo do esperado, enquanto a programação principal ganhou força com nocautes marcantes e performances acima da média. E, no evento principal, Carlos Prates e Jack Della Maddalena fizeram uma luta memorável, com um recado forte do brasileiro no peso-médio/leve (welterweight) — e do seu poder de finalização.
Como foi a luta principal: Carlos Prates pune Jack Della Maddalena
Carlos Prates vinha em boa fase como trocador, mas havia sido surpreendido em sua última derrota para Ian Garry. Ainda assim, a trajetória recente do atleta mostrou evolução. Nas três lutas seguintes, ele ajustou falhas no deslocamento e aumentou a capacidade de criar ataques no intervalo entre os golpes que derrubam — e a performance contra Jack Della Maddalena foi ainda mais agressiva e refinada.
Estratégia: jab para abrir a guarda e chutes de perna como “chave”
No duelo realizado no território do adversário, Prates dominou o ritmo. Della Maddalena tentou controlar o começo pressionando o brasileiro para a lona e construindo sequências, mas encontrou um cenário desfavorável: Prates foi montando um quebra-cabeça com base no alcance e no timing, desmantelando sistematicamente a ofensiva do australiano.
Logo cedo, Prates apareceu com um jab longo para manter a defesa do rival erguida. A partir disso, ele ganhou acesso com facilidade ao chute na canela — que, na prática, virou o primeiro e também o último ponto frágil do sistema defensivo de Della Maddalena.
Virada: combinações, joelhadas interceptadas e cotoveladas
Com o chute de perna garantindo espaço e iniciativa, Prates começou a encaixar combinações com mais frequência. Ele encadeou golpes do tipo um-dois para sustentar a pressão no boxe e transformar o controle em dano real. Quando Della Maddalena passou a tentar avançar contra um Prates que já tinha encontrado distância, a resposta veio com impacto: a guarda alta do australiano passou a ser castigada por joelhadas de interceptação e por cotoveladas que “martelavam” em cima da linha do alvo.
Resistência até o limite e queda sob o bombardeio
Della Maddalena aguentou por um bom tempo apesar do volume pesado. Ele absorveu chutes na canela com força, recebeu também golpes no fígado e ainda levou pancadas na cabeça. No entanto, depois de aproximadamente duas dezenas de ataques que seriam suficientes para derrubar outros nomes de elite na categoria, “JDM” perdeu a sustentação diante do ritmo e da sequência.
Com 32 anos, Prates vem se firmando como um dos atletas mais perigosos no nocaute dentro do esporte — e, ainda assim, ele está apenas oito lutas dentro da carreira no UFC. Mesmo sendo difícil imaginar o título acontecendo enquanto Islam Makhachev segue como referência, o brasileiro deixou claro que merece a chance que pode surgir pela frente.
Quillan Salkilld segue escalando e domina Beneil Dariush
A vitória de Quillan Salkilld sobre Beneil Dariush parecia um roteiro bem definido. Não foi uma crítica ao desempenho do vencedor nem ao mérito do derrotado — a sensação era apenas de que o confronto seguia uma lógica já vista recentemente: Dariush começou com trocação de alto nível, acertando chutes potentes e com precisão, avançando para o clinch e criando pressão, mas pagou caro no momento em que houve um rompimento de ação e ele acabou na lona.
Veterano de 36 anos, Dariush mostrou limitações para suportar o tipo de impacto que vem sendo imposto por atletas mais jovens e fisicamente mais dotados. O ponto mais marcante do desempenho, contudo, não foi somente o estrago na trocação: foi o trabalho de wrestling ao longo da grade.
Wrestling na cerca: cadeias de quedas, mas pouca efetividade no chão
Durante cerca de dois minutos, Salkilld lutou com constância pressionando na lateral do octógono. Dariush é um grappler respeitado por todas as métricas, além de ser faixa-preta em jiu-jitsu, e já colocou no chão nomes como Charles Oliveira, Carlos Diego Ferreira e Renato Moicano. Mesmo assim, apesar de algumas posições interessantes e de uma sequência constante de tentativas para derrubar, ele não conseguiu manter Salkilld no solo por mais do que meio segundo.
O fator juventude ajudou menos do que se imaginava nesses primeiros contatos. O que se viu foi um bom exemplo de defesa de quedas e de resistência do grappler mais novo, que conseguiu evitar o “grip” que permitiria a continuação do controle prolongado.
Louie Sutherland surpreende Tai Tuivasa: adeus ao “Bam Bam”
Tai Tuivasa é um nome que desperta simpatia pelo carisma e também pela quantidade de nocautes que aparecem nos melhores momentos. Porém, após chegar ao sétimo revés consecutivo, não deu para ignorar o contexto: parece faltar motivação para o nível de compromisso que o topo exige. A impressão é que não há número de derrotas suficiente para fazer Tuivasa mudar o ritmo do trabalho — mesmo com a chance de melhorar a situação financeira com uma vitória.
O combate diante de Louie Sutherland foi, ao mesmo tempo, ruim e frustrante. E a mensagem do resultado foi tão forte que o texto destaca a necessidade de deixar o próprio conteúdo dos clipes explicarem o que aconteceu dentro do octógono.
Com isso, a impressão é de que “Bam Bam” precisará repensar o caminho, e a projeção é que a próxima fase possa ser em outro cenário fora do UFC: “boa sorte no BKFC”.
City Kickboxing em evidência: Pericic e Rowston vencem no card
O nome da City Kickboxing, de Auckland, na Nova Zelândia, ganhou projeção com atletas como Israel Adesanya, Dan Hooker e Kai Kara-France. Com a geração que fez o ginásio ficar famoso indo embora do topo competitivo, surge sempre a dúvida: será que a academia consegue continuar revelando lutadores capazes de desafiar o alto nível? Especialmente vindo de um país menor, a renovação pesa.
Ainda assim, o UFC Perth mostrou mais uma vez que a estrutura não é apenas “moda passageira”. Dois resultados positivos reforçaram a força do trabalho de transição do kickboxing para o MMA.
Brando Pericic: terceira vitória no UFC em sete lutas como profissional
No card principal, Brando Pericic, aos 31 anos, conquistou seu terceiro triunfo no UFC em apenas sua sétima luta profissional. A vítima foi Shamil Gaziev, um adversário ranqueado, que foi parado pelo brasileiro. O jogo de Pericic exigiu que ele lidasse com tentativas de queda e também com a tentativa de levar a luta para o clinch — além de sair do “bottom” em alguns momentos.
Assim que voltou a ficar em pé, Pericic mostrou o que o kickboxing profissional entrega bem: um avanço com agressividade controlada, combinação bem montada e dano constante no adversário. O desempenho ficou ainda mais impressionante porque Gaziev não caiu logo no primeiro intercâmbio. Ele conseguiu acertar golpes isolados de impacto e ainda trabalhou ativamente o wrestling, mas a combinação de volume em alcance longo com defesa consistente de quedas quebrou o ritmo do russo.
O resultado veio no segundo round, quando Pericic fechou a luta com um nocaute na sequência do seu plano.
Em uma divisão que vive de instabilidade e oportunidades, Pericic já aparece como um candidato dentro do radar.
Cam Rowston: terceira vitória no UFC no “Prelims” contra Robert Bryczek
No headliner dos preliminares, Cam Rowston, de 6’3” (1,90 m), também chegou à terceira vitória no UFC ao derrotar Robert Bryczek. O atleta conseguiu usar superioridade de tamanho, potência e vantagem no kickboxing para dominar a dinâmica.
Mesmo com histórico forte na trocação, Rowston passou boa parte do combate no topo, castigando com socos e cotoveladas um rival que não conseguia estabelecer um fluxo consistente de ataque.
Pericic e Rowston seguem o “molde” da City Kickboxing: strikers altos, de alcance e volume, que conseguem fazer a transição para o MMA com leitura de distância e com defesa de quedas. A leitura do combate sugere que o ginásio sabe exatamente o que está ensinando — treinando lutadores para negar quedas rapidamente e transformar as vantagens físicas em controle real, algo que o UFC frequentemente exige.
Outras lutas: destaques do card e finalizações
Resultados adicionais citados na matéria
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Marwan Rahiki derrotou Ollie Schmid com nocaute no primeiro round.
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Junior Tafa derrotou Kevin Christian com nocaute no primeiro round.
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Wes Schultz derrotou Ben Johnston com finalização por guilhotina no terceiro round.
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Kody Steele derrotou Dom Mar Fan com finalização por chave de calcanhar no primeiro round.
Leitura técnica dos confrontos
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Marwan Rahiki: aos 23 anos, Rahiki é descrito como um striker com muito talento. A defesa segue como ponto secundário, algo que pode virar problema conforme ele subir no ranking caso não ajuste esse lado. Ainda assim, foram destacadas combinações ofensivas, precisão e contra-ataques agressivos. A luta foi um confronto rápido contra adversário sem grande preparação e com aviso curto, mas a finalização com gancho de esquerda do fim foi apresentada como um momento bonito.
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Junior Tafa: o texto aponta que a expectativa era de um 2026 sem Junior Tafa após uma derrota recente ruim em janeiro, porém o evento na Austrália acabou exigindo a presença do atleta. A matéria brinca com o fato de que parece haver sempre um irmão Tafa para ocupar espaço em cards na região. No mérito esportivo, Junior Tafa foi elogiado por chegar em forma após ter descido para a categoria de meio-pesados (Light Heavyweight). O jogo de chão ainda é tratado como uma fraqueza relevante, mas a mudança de tamanho reduz o descompasso com adversários, permitindo que ele use com mais frequência o poder nos punhos. A projeção é que, se houver evolução no grappling defensivo no wrestling, Junior Tafa pode seguir acumulando vitórias por nocaute em Perth ou em outros lugares.
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Wes Schultz: o confronto é descrito como abaixo do padrão do UFC, mesmo lembrando a tradição da categoria de “meio-médio/middleweight” com histórico de lutas mais bagunçadas. Ainda assim, o duelo foi considerado divertido por causa das trocas de posições e das tentativas de finalização até que Schultz agarrou a guilhotina — cerca da décima tentativa. A emoção do “come-back” perde um pouco do brilho quando se considera a resposta defensiva fraca de Johnston.
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Kody Steele: uma derrota — especialmente a primeira profissional e também a primeira no UFC — pode ensinar lições. Após ter sido superado na estreia pelo adversário Rongzhu, mais de um ano antes, Steele teria retornado ao octógono pronto para explorar suas forças. A faixa-preta em jiu-jitsu não teria medo de trocar, mas quando recebeu a chance de atacar a perna, Steele teria ficado “grudado” no membro como se fosse inevitável. O texto destaca nível alto de ajuste técnico: ele rotacionou, trabalhou a posição e esperou o momento certo para aplicar pressão até chegar no ponto do gancho invertido (inverted heel hook). Não houve “flex” sem propósito: Steele teria forçado o “tap” imediato assim que aplicou pressão, mostrando precisão no chão.
A cobertura completa do UFC Perth, com os resultados integrais e o acompanhamento minuto a minuto das lutas, é mencionada como disponível no material original.

