Depois do período anual de treinamentos em Miami e de uma semana no “Great White North”, o UFC retorna aos Estados Unidos e aterrissa novamente em Las Vegas, no Meta APEX. O evento da noite tem como atração principal um confronto decisivo na divisão peso pena.
Há duelos com cara de “armadilha” no card e também possibilidades reais de lutas emocionantes. A seguir, confira o que esperar do encontro deste sábado, com foco total no caminho traçado pelos brasileiros e nos grandes nomes em busca de afirmação no octógono.
Antecedentes
Main Event: Aljamain Sterling vs Youssef Zalal
Local: Meta APEX — Las Vegas, NV
Como assistir: Paramount+
O combate principal coloca frente a frente dois atletas que enxergam esse duelo como etapa obrigatória para consolidar status na divisão. Aljamain Sterling e Youssef Zalal chegam com objetivos claros: o vencedor tende a se aproximar ainda mais do grupo que briga diretamente pelo cinturão do peso pena.
Desde a mudança para a categoria 145 libras, Sterling soma um retrospecto de 2-1: foram vitórias por decisão contra Calvin Kattar e Brian Ortega, além de uma derrota também por decisão para Movsar Evloev, que segue invicto no momento. O norte do campeão passa por provar que conseguiu evoluir na nova divisão, e o melhor cenário para ele é dominar Zalal no sábado — de preferência com finalização.
Do outro lado, Zalal vive grande fase após retornar ao radar do UFC com desempenho dominante. Em cinco lutas desde que voltou ao circuito da organização, ele registra campanha de 5-0, sendo quatro vitórias encerrando seus adversários. A última foi particularmente rápida: ele finalizou Josh Emmett no UFC 320, reforçando a imagem de lutador agressivo, confiante e com instinto de terminar lutas. Pelo que apresenta, ele surge como ameaça real no peso pena.
Além do peso do título, existe um componente estratégico: é exatamente o tipo de adversário que cada lado precisa superar para “carimbar” o próprio nome como candidato. Sterling já venceu dois veteranos que passaram a cair de produção, enquanto Zalal vem escalando degraus contra nomes competitivos antes de superar Emmett, que estava no Top 10 na época. Evloev é o próximo candidato natural no cenário, mas o vencedor desta luta — com a possibilidade de Jean Silva entrar na conversa também — pode acabar definindo rumos para um confronto mais adiante na temporada.
A luta
Outros combates do card principal
No co-main e ao redor do main card, os pesos penas e leves prometem movimentar o ranking. Entre os destaques, Norma Dumont encara Joselyne Edwards em um duelo que pode impactar diretamente a corrida pelo topo do peso galo.
Norma Dumont vs Joselyne Edwards
Dumont ocupa atualmente a terceira posição nas classificações e vem de uma sequência impressionante: são seis vitórias consecutivas. As três últimas foram construídas sobre Ketlen Vieira, Irene Aldana e Germaine de Randamie, nomes com histórico consistente. Com Raquel Pennington lesionada e Julianna Peña, ex-campeã, parecendo focada em outros assuntos, o momento favorece o salto de Dumont. Um novo triunfo pode manter a brasileira ativa na briga e ainda fortalecer a argumentação para disputar o cinturão.
Edwards chega embalada por uma sequência de quatro vitórias, todas com finalização. Ela ainda não encarou alguém que tenha mantido sucesso sustentado dentro do UFC, mas a lutadora de 30 anos tem administrado bem seus compromissos e pode usar o encontro com Dumont como plataforma para entrar de vez no grupo mais disputado. A pergunta do duelo é direta: Dumont amplia a série e confirma presença no Top 5, ou Edwards surpreende e bagunça a hierarquia do peso galo?
Combate no peso leve: dois atletas buscando entrar no radar
O card principal também reserva um confronto no peso leve entre dois homens que flutuam perto da zona de ranqueados e querem, com uma vitória no sábado, aparecer na lista com mais força. Garcia vem de duas vitórias seguidas e quatro triunfos nos últimos cinco compromissos, e a última delas aconteceu no terceiro round: ele finalizou Jared Gordon em setembro passado.
Garcia treina na Bloodline Combat Sports, equipe ligada ao trabalho de Cub Swanson, que tem vivido fase intensa. Desde a entrada inicial no UFC, o cartel do atleta melhorou bastante: são 6-2 após os dois primeiros compromissos na organização. Ainda assim, ele esbarra em dificuldades justamente nos duelos que costumam determinar quem entra de vez no ranking.
Já Hernandez carrega uma sequência ainda mais longa: quatro vitórias em sequência e vitórias em cinco das últimas cinco lutas na divisão. Nos dois últimos compromissos, ele venceu com interrupções de Chase Hooper e Diego Ferreira. “El Gran Chango” parece mais completo do que em anos anteriores, exibindo regularidade que faltou em etapas iniciais da carreira, e pode usar a quinta vitória consecutiva como argumento para subir o nível do adversário.
Confrontos listados no evento
Aljamain Sterling vs Henry Cejudo
Youssef Zalal vs Billy Quarantillo
Na parte de baixo do ranking do peso leve, o cenário também pode mudar com a luta entre Beneil Dariush e Quillan Salkilld, além de uma presença ainda forte de Michael Chandler no Top 15, apesar de um momento difícil: ele perdeu três seguidas e a última vitória havia acontecido há quatro anos, contra Tony Ferguson. Mesmo com os dois precisando recuperar terreno, um desempenho convincente pode recolocar qualquer um deles no caminho para desafios ainda este ano.
Outro encontro que chama atenção no card principal envolve Davey Grant e o recém-chegado Adrian Luna Martinetti, com forte potencial de ser “a luta da noite”.
- Davey Grant x Adrian Luna Martinetti: Grant é uma referência na categoria há mais de uma década, com performances que costumam funcionar bem no segundo bloco de luta — ele já foi “régua” e também um adversário que desmonta planos de nomes promissores e veteranos. Antes de ter seu ritmo interrompido, ele vinha de vitórias seguidas e tinha vencido quatro vezes em cinco compromissos, até tropeçar para Charles Jourdain em outubro do ano passado. Ainda assim, a leitura é que Grant tem capacidade para atrapalhar a estreia de Martinetti no sábado.
- Adrian Luna Martinetti: o atleta de 30 anos, natural do Equador, ganhou vaga no plantel após vencer Mark Vologdin em um duelo intenso no Dana White’s Contender Series. A vitória veio com o cenário de luta “sobe e desce”, encerrando em um momento de vantagem clara. No total, Martinetti soma 15 triunfos seguidos, sendo oito por interrupção, e o perfil dele é de um lutador que tende a avançar desde os primeiros instantes, tentando provar valor logo no começo.
- Expectativa: esse é o tipo de pareamento que costuma render espetáculo enquanto durar — seja por segundos ou por 15 minutos. Grant costuma aceitar trocação e Martinetti demonstrou energia para o vai e vem em lutas anteriores, o que aumenta a chance de um duelo com altos e baixos e muitos “tiros” ao longo da luta.
O segundo confronto no peso galo do card principal — e o terceiro embate no peso 135 como um todo — coloca Montel Jackson frente a frente com o brasileiro Raoni Barcelos, em um duelo que mistura urgência e leitura tática.
Montel Jackson vs Raoni Barcelos
Jackson vinha há anos perto de “explodir” na divisão. Ele foi construindo espaço aos poucos até que, em outubro, teve uma atuação curiosa e de baixo volume contra Deiveson Figueiredo, o que interrompeu uma sequência de seis vitórias. Jackson tem ferramentas para impor ritmo: bom trabalho de wrestling e mãos fortes e afiadas. O ponto a ajustar, segundo o momento, é confiança para utilizar o arsenal com mais urgência e voltar rápido ao caminho do topo.
Barcelos teve uma vitória com cara de recado ao superar o até então invicto Payton Talbott no UFC 311. Depois disso, ele pareceu ficar fora do radar por um tempo, ainda que tenha somado mais triunfos na mesma temporada: venceu Cody Garbrandt e Ricky Simon, chegando a quatro vitórias consecutivas no total. Aos 38 anos, ele é bem completo e costuma “sair na frente” em momentos importantes, o que pode ser um contraste interessante frente ao estilo de Jackson.
A grande questão é se Jackson consegue retomar a subida imediata na divisão, ou se Barcelos emplaca o quinto triunfo seguido e entra de vez no circuito que define o ranqueamento.
Abertura do card principal: Buchecha no peso pesado
Na primeira luta do main card, o lendário lutador brasileiro de jiu-jitsu Marcus “Buchecha” faz sua terceira apresentação na organização, desta vez dividindo o octógono com Ryan Spann, um nome perigoso no peso pesado.
Buchecha chegou ao UFC no verão passado, visto como um acréscimo potencialmente interessante à categoria por conta do domínio no chão e pelo nome já consolidado no cenário do grappling. Contudo, nas duas primeiras participações, ele ainda não conseguiu registrar vitória: na estreia, foi derrotado por Martin Buday; em dezembro, voltou ao octógono e ficou no empate contra Kennedy Nzechukwu.
Spann, por sua vez, subiu de peso no mês de março do ano passado. Em sua mudança para o peso pesado, ele sofreu um nocaute no segundo round diante de Waldo Cortes Acosta — um revés que tende a perder força no contexto conforme o dominicano vem acumulando vitórias. Em julho, Spann se recuperou com finalização no primeiro round sobre Lukasz Brzeski, exibindo flashes que antes o colocavam como uma espécie de “azarão” durante seu tempo no peso meio-pesado.
O desafio para Buchecha é grande: Spann tem grande envergadura, força estabelecida e um conjunto de ataques rápidos de finalização que podem pegar qualquer um desprevenido. Ao mesmo tempo, o “Superman” tem oscilado ao longo da carreira, então precisa mostrar consistência antes que qualquer pessoa passe a apostar com segurança no nome dele como referência no peso pesado.
O pós-luta
Combates preliminares
Fechando o fim de semana no card preliminar, Rodolfo Vieira e Eric McConico se enfrentam na última luta antes do evento principal.
Vieira, com 36 anos, alterna entre vitórias por finalização e dificuldades para passar do meio da tabela na divisão. Ele chega para este confronto após ter sido nocauteado por Bo Nickal no UFC 322. McConico teve um ano de estreia em 2025 com retrospecto de 1-2: ele venceu Cody Brundage no meio do caminho, mas também foi superado por Nursulton Ruziboev e Baisangur Susurkaev.
Jackson McVey vs Sedriques Dumas
Jackson McVey e Sedriques Dumas sobem ao octógono buscando retomar o ritmo. McVey teve mudanças de adversário, adiamentos e tarefas difíceis nas duas últimas apresentações do ano passado, e a meta é iniciar 2026 com a primeira vitória na organização. Dumas, por outro lado, viveu um 2025 conturbado e tenta voltar ao nível que o levou a três vitórias em quatro lutas antes do ano passado.
Mayra Bueno Silva vs Michelle Montague
No peso galo, Mayra Bueno Silva encara Michelle Montague em um confronto que promete intriga. Bueno Silva está em uma fase difícil: não vence oficialmente há três anos, e acumula quatro lutas sem sucesso. Montague, por sua vez, faz apenas sua segunda luta no UFC e estreou dominando Luana Carolina, em setembro do ano passado.
Mesmo que Bueno Silva seja claramente superior ao que os resultados recentes indicam, Montague tem perfil de crescimento e pode ser uma adversária com potencial de crescimento rápido no peso galo. O encontro deve mostrar se a brasileira consegue retomar o caminho das vitórias ou se a americana confirma o salto.
Flyweight: Jafel Filho vs Cody Durden
Uma troca em cima da hora deixa o preliminar do peso mosca com um confronto possivelmente ainda mais interessante: Jafel Filho enfrenta Cody Durden. Filho já se estabeleceu como um lutador “Second 15” na divisão 125 libras, com três vitórias por finalização no primeiro round e derrotas apenas para dois dos adversários mais talentosos que ele encarou até aqui.
Durden entra como atleta experiente para substituir Lucas Rocha. Durante sua passagem pelo UFC, enfrentou gente forte e é do tipo que consegue atrapalhar uma sequência vitoriosa rapidamente — especialmente em um cenário como este, em que ele assume a luta com pouco tempo.
Max Griffin vs Victor Valenzuela
No peso meio-médio, Max Griffin inicia mais uma temporada no elenco recebendo Victor Valenzuela. Mesmo entrando em uma sequência de duas derrotas, Griffin segue entre os nomes mais consistentes quando o assunto é avaliar adversários e medir o nível de estreantes.
Valenzuela perdeu na estreia do Dana White’s Contender Series, ao cair diante do brasileiro Michael Oliveira, que permanecia invicto. No entanto, ele voltou a vencer no começo deste ano: finalizou no segundo round Yusaku Kinoshita, ex-atleta do Contender Series e também com passagem pelo UFC.
Talita Alencar vs Julia Polastri
Na primeira luta do card, o peso palha terá Talita Alencar contra Julia Polastri. Enquanto Alencar não encarar Stephanie Luciano, o histórico indica solidez: ela é 0-1-1 contra Luciano e 7-0 contra todas as outras adversárias. Entre as últimas apresentações, a brasileira conseguiu dois triunfos seguidos, superando Vanessa Demopolous e Ariane Carnelossi.
Polastri vem de seu melhor momento desde a formatura no Dana White’s Contender Series em 2023. No último compromisso, ela venceu Karolina Kowalkiewicz com interrupção no terceiro round, mostrando evolução e prontidão para competir no alto nível.

