Zabit Magomedsharipov não luta no UFC há sete anos — e, mais do que uma ausência prolongada, a história do “Zabeast” virou um exemplo de como promessas de disputa e lesões podem travar uma trajetória. Em novembro de 2019, ele venceu Calvin Kattar por decisão unânime, alcançou o Top 5 e ficou cada vez mais perto de uma chance pelo cinturão. Só que o caminho até a próxima etapa não se concretizou: problemas de saúde, uma sequência de adiamentos ligada a Yair Rodriguez e, por fim, a saída do atleta da organização levaram ao encerramento precoce de sua carreira no MMA de alto nível.
O que esse hiato diz sobre o ranqueamento da categoria dos penas
O resultado contra Kattar, em novembro de 2019, foi o tipo de vitória que reposiciona um lutador na briga direta pelo topo. Com a decisão unânime sobre o então concorrente de alto nível, Magomedsharipov foi empurrado para a parte mais alta do ranking — chegando ao Top Five e se aproximando de uma disputa de título.
Depois disso, o enredo mudou: o retorno do “Zabeast” foi atrasado por questões envolvendo Yair Rodriguez. Em determinado momento, “Pantera” chegou a ser retirada temporariamente da promoção por recusar o confronto naquele contexto. Na sequência, Magomedsharipov lidou com problemas de saúde que o mantiveram fora do octógono.
Quando a janela de oportunidade pareceu abrir, outra barreira surgiu. Em 2021, ele perdeu a posição de número 3 no ranking dos penas por inatividade. Um ano depois, Magomedsharipov anunciou a aposentadoria.
- Em novembro de 2019: vitória por decisão unânime sobre Calvin Kattar.
- Consequência imediata: avanço para o Top Five e proximidade da disputa.
- 2021: queda da posição de número 3 no ranking dos penas por falta de lutas.
- 2022: anúncio de aposentadoria.
Cinturão: a disputa que não aconteceu e as razões apontadas por Zabit
Na visão de Magomedsharipov, a chance de disputar o cinturão não foi apenas adiada — foi interrompida por uma sequência de tentativas que nunca se concretizaram. Ele relatou que, em vários momentos, a organização não conseguiu concretizar o confronto com Yair Rodriguez, mesmo com ele fazendo tudo o que era esperado do atleta: manter o peso, entrar em ciclos de preparação e se deslocar para os Estados Unidos.
De acordo com o que ele contou, houve adiamentos repetidos. A dinâmica descrita foi a seguinte: o atleta se organiza para lutar, voa para o local do evento, e então, pouco tempo antes da luta, recebe a informação de que o adversário estaria lesionado, obrigando uma nova postergação e um novo recomeço de preparação.
Ele também afirmou que existiam acordos para destravar a situação. Segundo o lutador, se Rodriguez desistisse pela terceira vez, haveria uma liberação automática para que Magomedsharipov recebesse a disputa de cinturão. No entanto, o “Zabeast” disse que a terceira oportunidade veio com novas justificativas do adversário e que, a partir daí, começaram a oferecer a ele outros nomes — primeiro Chan Sung Jung e depois outros adversários — embora, no entendimento dele, naquele momento a disputa deveria ser entre ele e Rodriguez, já que ambos eram os concorrentes diretos.
Magomedsharipov encerrou a explicação sugerindo um fator político no cenário de cinturões: ele afirmou que, naquele período, já havia muitos campeões russos na cena, citando Khabib como campeão e também Yan. Para ele, isso reduziria o interesse em ter um terceiro campeão vindo do mesmo país.
Próximo passo: onde Zabit está agora e como Yair segue no topo
Apesar de não ter retornado ao octógono, Magomedsharipov não desapareceu do mundo das lutas. Ele seguiu atuando como treinador e recentemente voltou a competir no circuito de grappling. O retorno ao cenário competitivo foi mencionado em conversa com a promoção Absolute Championship of Brazilian Jiu-Jitsu, onde ele detalhou os motivos que o levaram à aposentadoria no MMA.
No outro lado, Yair Rodriguez permanece como um nome fixado no topo da divisão. Ele ainda está acampado na quinta posição do ranking dos penas. O detalhe que pesa para o planejamento da categoria é o tempo sem luta: Rodriguez não compete há 13 meses, segue sem luta marcada e, segundo o que foi informado, não quer enfrentar um rival específico da divisão, Diego Lopes.
- Magomedsharipov: aposentado do MMA no UFC, agora atuando como treinador e voltando ao grappling competitivo.
- Yair Rodriguez: segue em 5º lugar no ranking dos penas.
- Rodriguez: sem lutar há 13 meses, ainda sem compromisso marcado.
- Rodriguez: não quer encarar Diego Lopes.
Fica a pergunta que paira sobre esse capítulo: faria sentido imaginar Magomedsharipov como campeão? No auge de sua trajetória, os principais nomes do peso pena eram Alexander Volkanovski e Max Holloway, dois atletas que certamente testariam qualquer lutador em uma disputa de cinco rounds. Ainda assim, o que ele construía em pé — um kickboxing fluido e chamativo — somado ao wrestling de alto nível, formaria um quebra-cabeça difícil para qualquer adversário. O problema é que, na prática, o “Zabeast” nunca recebeu a eliminatória mínima que levaria ao cinturão, e a divisão acabou seguindo sem a resposta dentro do octógono.

