Aaron Pico finalmente conseguiu registrar sua primeira vitória no octógono do UFC e, após o triunfo, apontou um dos principais nomes do plantel da organização como referência no camp: Khamzat Chimaev. O peso pena, que vinha de uma trajetória de destaque no Bellator, passou por Patricio “Pitbull” em uma luta muito mais movimentada do que o que muita gente esperava do estilo de controle que costuma marcar encontros entre atletas de alto nível—e, mesmo assim, Pico fez questão de deixar claro que o objetivo do camp era simples: vencer.
O camp até UFC 327 e o papel de Khamzat Chimaev
Na preparação para o confronto muito aguardado contra Patricio Pitbull no UFC 327, Pico chamou para o treinamento uma série de atletas de peso. Entre eles, esteve o campeão dos médios do UFC, Khamzat Chimaev, que virou peça importante na evolução do lutador para o duelo.
De acordo com Pico, um dos pontos que mais chamou atenção em Chimaev foi o comprometimento constante: “ele trabalha muito”, cumpre o que precisa ser feito e mantém uma postura intensa durante os treinos. Além disso, o brasileiro destacou que, mesmo quando os dois treinavam juntos, a troca era produtiva—sem perder o respeito.
Pico também contou que, antes de viajar para a luta, pediu a Chimaev para mostrar algumas posições específicas, com a intenção de entender melhor como o rival se comporta em determinado contexto. Segundo o lutador, Chimaev ficou feliz em ajudar e apresentou o que considerou necessário, reforçando a sensação de que toda a equipe do meio-médio era “excelente” e altamente motivadora no dia a dia do camp.
Como foi a vitória de Pico sobre Patricio Pitbull
Após o duelo no UFC 327, Pico celebrou a conquista e, principalmente, reforçou que o foco do camp não era agradar o público. Para ele, tanto o plano quanto a execução miraram apenas uma coisa: vencer. O lutador afirmou que, mesmo mantendo a “fome” típica de quem quer nocaute, sua prioridade era manter o oponente sob controle e buscar as oportunidades no momento certo.
Em sua explicação, Pico ponderou que não existe a necessidade de “forçar” um nocaute sempre que a luta permite domínio. Ele relatou que, se consegue levar o adversário ao chão e conectar seus golpes, então o nocaute técnico ou a finalização acabam chegando—mas naturalmente, conforme a dinâmica do combate.
Estratégia na preparação: jab, controle e ritmo
O peso pena ainda detalhou como a condução dos treinamentos se conectou diretamente com o que ele apresentou no octógono. Durante o sparring, ele disse que, quando fazia quedas, o treinador Roberto reagia com uma orientação prática: se o round estava sendo vencido por conta das entradas e do controle, a recomendação era usar o jab e manter o jogo de troca e movimentação.
Pico enfatizou que a forma como ele treinou foi exatamente o que ele aplicou na luta naquela noite, e que ficou satisfeito com a execução. Para ele, foi um caminho que permitiu mostrar um repertório completo e encerrar de vez uma rivalidade que, no fim, nunca chegou a se concretizar como deveria ter acontecido—principalmente por ser um capítulo que se estendeu no tempo sem se transformar na luta que o público imaginava.
UFC 328: Chimaev tenta a primeira defesa do cinturão contra Sean Strickland
Enquanto Pico comemorava a primeira vitória no UFC, Chimaev se prepara para o próximo compromisso. O invicto, então, vai buscar a primeira defesa do título dos médios quando enfrentar Sean Strickland no main event do UFC 328 em 9 de maio, na cidade de Newark, em Nova Jersey.
O campeão chega ao duelo após conquistar o cinturão com uma performance dominante em uma luta de cinco rounds contra Dricus du Plessis. Apesar do resultado, a exibição foi alvo de críticas por não ter sido tão empolgante, em parte porque Chimaev usou seu wrestling para neutralizar completamente o adversário.
- Quem é o campeão: Khamzat Chimaev
- Primeira defesa do cinturão: sim
- Adversário: Sean Strickland
- Evento: UFC 328
- Data e local: 9 de maio, Newark, Nova Jersey
- Luta anterior pelo título: vitória dominante em cinco rounds sobre Dricus du Plessis
O que Pico disse sobre o planejamento mental e a ida às decisões
Apesar do resultado positivo, Pico também deixou claro como tratou o combate pelo lado psicológico. Ele afirmou que queria uma luta “limpa” e que, mais do que qualquer outra coisa, queria provar todas as habilidades que carrega no arsenal.
O lutador disse que sabia que conseguia levar Pitbull ao chão e que também podia competir em pé, conectando trocas com confiança. Por isso, ele ressaltou uma frase atribuída ao treinador Greg: “sem valor emocional em nada”. Na visão de Pico, não era necessário colocar um peso extra na obrigação de derrubar ou “provar algo” ao adversário—o caminho era focar no próprio jogo.
Ele concluiu que, se mantivesse o foco nas próprias capacidades, venceria. E, segundo o próprio relato, foi exatamente o que aconteceu naquela noite.
Cartas na boca do leão: quando a luta foi para a pontuação
O sábado também marcou um dado específico na carreira de Pico: foi apenas a segunda vez em sua trajetória de 19 lutas em que ele chegou às cartas dos jurados. Mesmo assim, o lutador destacou que não foi por falta de tentativa, já que acertou vários golpes com impacto que, na opinião dele, poderiam derrubar muitos outros atletas da categoria.

