Aleksandre Topuria tem sido uma peça importante na trajetória do campeão peso-leve do UFC, Ilia Topuria, ajudando diretamente no caminho para o sucesso na divisão. O irmão mais velho, que já teve uma carreira profissional de MMA, decidiu colocar o próprio cartel em segundo plano para atuar como suporte na ascensão do mais novo, Ilia, que chega ao momento atual com retrospecto de 17 vitórias e nenhuma derrota no MMA e 9 triunfos em 9 lutas no UFC.
Após um período afastado para se dedicar à evolução do irmão, Aleksandre retomou as atividades em 2021 e, desde então, soma campanha de 2-0 dentro do octógono. Agora, ele aparece em um novo capítulo da história da família Topuria ao participar da preparação para um confronto que reúne Ilia e Justin Gaethje, duelo de unificação de cinturões que coloca frente a frente o campeão e o interino. A luta é a principal atração do UFC Freedom 250, marcado para 14 de junho, com sede na Casa Branca.
No contexto do acerto de estratégia, Aleksandre ajudou Ilia a destrinchar o estilo de Gaethje e também apontou para o que o campeão precisa ficar atento durante a luta. Em fala publicada no canal de YouTube de Ilia, ele destacou a forma como Gaethje escolhe os momentos para atacar quando encontra o adversário no alcance. “Um ponto importante: o Justin Gaethje escolhe seus golpes quando você fica diretamente à frente dele”, explicou Aleksandre. Ele então comparou situações de luta, citando referências como Michael Chandler, ressaltando que o comportamento de Gaethje muda conforme a postura do oponente. Segundo Aleksandre, quando o rival se coloca com o corpo mais inclinado à frente, tentando esquivar de um contragolpe específico — como o uppercut — Gaethje tende a entrar com chutes na canela. Já quando o adversário se alinha mais “quadrado” na distância, o interino passa a trabalhar com mais frequência os uppercuts.
Aleksandre também relacionou isso ao modo de defesa e à consequência tática de ceder espaço. “Se você não quiser receber e mostra pra ele, ‘ok, eu vou mover meu corpo pra frente’, então ele vai querer começar a acertar a partir daqui”, afirmou, enfatizando que o atleta tem um alcance longo e, por isso, consegue impor perigo a partir de ângulos que limitam a resposta do adversário. Ao mesmo tempo, ele ressaltou um lado técnico que pode abrir oportunidades para Ilia: Gaethje, apesar de perigoso quando acerta, teria vulnerabilidades que aparecem quando ele decide atacar.
“Ele é bem frágil quando acerta”, continuou Aleksandre, “mas é um tipo de faca de dois gumes: por escolher acertar quando está acertando, você precisa ser extremamente seletivo com seus golpes”. A leitura do treinador/irmão é que, nos momentos em que Gaethje encaixa suas ações, ele se torna vulnerável a ataques bem calculados — justamente porque, no entender dele, o interino não teria um padrão de impacto “limpo” o tempo todo, já que costuma carregar força e variedade em cada tentativa. “Quando ele acerta é quando fica vulnerável a golpes, porque ele não sabe acertar limpo como você. Ele não bate limpo do jeito que você faz. Ele acerta com tudo. É aí que ele é vulnerável”, concluiu Aleksandre, antes de reforçar o cuidado principal: “Mas é aí que você tem que ter atenção. Se você escolhe bater quando ele está aberto, é porque você calculou muito”.
Com o duelo se aproximando, Aleksandre chega como parte ativa do trabalho de bastidores de Ilia Topuria, que entra no compromisso embalado por uma sequência de nocaute/KO e grandes resultados recentes. Ilia vem de vitórias com nocaute sobre Alexander Volkanovski, além de triunfos sobre Max Holloway e Charles Oliveira, o que amplia o favoritismo. Gaethje, por sua vez, chega como campeão interino para buscar a unificação contra o titular, mas é tratado como underdog diante do momento e do conjunto de performances do brasileiro-georgiano.

