Colby Covington anunciou sua aposentadoria do MMA nesta semana, encerrando uma trajetória que, nos últimos anos, já vinha marcada por um ritmo bem abaixo do esperado para um atleta que sempre esteve no centro das conversas do UFC. O ex-desafiante ao cinturão dos meio-médios por três oportunidades competiu apenas uma vez por ano, de forma praticamente constante, desde o fim de 2019 — e, dentro desse período, perdeu quatro lutas em seis. Entre esses resultados, chamam atenção especialmente as duas últimas aparições dele no octógono do UFC, ambas contra Leon Edwards, ex-campeão, e contra Joaquin Buckley, que chegava como um nome entre os dez melhores da categoria.
Apesar do apelido “Chaos”, Covington não teve nada de realmente caótico em suas apresentações dentro do cage. O lutador construiu a maior parte do seu legado com um estilo de wrestler, mas, na prática recente, a produção ofensiva e a capacidade de finalizar não acompanharam o discurso. Nos últimos dez anos, ele emplacou apenas uma interrupção: foi quando sofreu uma lesão no fim do combate, no quinto round, contra Tyron Woodley, já no período final de 2020, com uma contusão na região das costelas que levou à paralisação.
Mesmo com um desempenho pouco empolgante em termos de resultado, Covington conseguiu permanecer em evidência graças ao comportamento provocativo fora da luta. A postura que o manteve famoso, porém, pode ter custado também uma vaga no evento que colocou lutadores no cenário político dos Estados Unidos. O ex-campeão Kamaru Usman comentou o assunto em seu podcast e sugeriu que a situação não precisa ser explicada por uma motivação única, ainda que exista claramente um clima de insatisfação. Usman afirmou que há descontentamento não apenas em relação a Covington, mas entre diversos atletas, porém observou que o americano não vinha competindo com a frequência necessária para manter o tipo de presença que costuma abrir portas. Ao mesmo tempo, ressaltou que não se tratava de incapacidade, já que Covington segue lutando sob as cores do RAF e vem se saindo bem.
Usman tem motivos pessoais para acompanhar de perto essa história: ele venceu Covington duas vezes em disputas de título — primeiro no UFC 245 e depois novamente no UFC 268. Na sequência, o nigeriano reforçou que existe uma espécie de desencontro entre Covington e o UFC, questionando por que ele não foi inserido com mais frequência em lutas desejadas ou até mesmo em combates que fizessem sentido dentro do card. Usman também colocou em perspectiva o impacto que o estilo de Covington causa na audiência: qualquer luta do americano tende a ser um confronto que chama atenção, seja por quem gosta ou por quem detesta o lutador, mas sempre gerando curiosidade do público.
A leitura de Usman é dura e sugere que, em algum nível, o ambiente do UFC pode não ter visto Covington como prioridade. E a aposentadoria do MMA veio acompanhada de outra mudança relevante: após ficar de fora da programação que colocou lutadores na chamada “UFC White House” em junho, o atleta também abandonou completamente qualquer participação política que vinha mantendo. Covington, aos 38 anos, foi um dos primeiros lutadores a apoiar Donald Trump e chegou a viver um momento de destaque no cenário de Washington, mas, alguns anos depois, acabou ficando à margem do que antes parecia um caminho aberto.
Com a saída do MMA, Covington volta agora para os holofotes em outra organização: ele retornará à ação sob a bandeira do RAF no dia 30 de maio.

