Belal Muhammad encara Ben Askren no RAF 11 e destaca duelo “perdedor

Belal Muhammad admitiu ter ficado tão surpreso quanto qualquer outra pessoa ao saber que Ben Askren está voltando a disputar no wrestling no RAF 11. A volta do ex-campeão é cercada de um enredo que comoveu o mundo do MMA e, agora, ganhou um novo capítulo com um duelo marcado para o dia 18 de julho.

Para Muhammad, a situação é incomum: ele será o adversário de Askren na primeira apresentação do ex-dono do cinturão do Bellator desde um quadro quase fatal provocado por pneumonia, que acabou levando a uma cirurgia de reposição dupla de pulmões.

A prioridade, após a operação, passou a ser verificar se Askren teria condições de retomar a vida com saúde e longevidade. Quando o ex-lutador começou a sair dos momentos mais sombrios do susto médico, o foco era simples: saber se ele estava bem o suficiente para cogitar a volta. Em um primeiro instante, ninguém levou a sério a possibilidade de competição, até que Muhammad recebeu o convite para encarar o retorno — e, uma vez confirmado que a saúde do rival estava em ordem, ele aceitou.

“Eles trouxeram isso pra mim na semana passada e, obviamente, minha primeira pergunta foi a mesma de todo mundo: ele está saudável? Ele está bem?”, disse Muhammad em entrevista na terça-feira. “Eles falaram: ‘Sim, ele está saudável. Ele está bem. Está treinando wrestling.’ A história dele é épica. É um milagre ele estar aqui hoje. O fato de ele querer lutar e de eu poder estar lá dentro com ele, participar dessa história, é enorme. É uma honra estar na cidade dele, ser a luta de retorno, o combate de retorno. Pode ser a última luta dele. Eu não ia dizer não de jeito nenhum.”

O cenário coloca Muhammad em uma posição delicada. Se ele vencer com autoridade, a reação do público pode virar crítica, com a narrativa de que ele teria “aproveitado” o momento de um atleta que, cerca de um ano antes, esteve em suporte vital. Por outro lado, se Muhammad perder, as cobranças e provocações devem ser ainda mais fortes.

Essas possibilidades não escapam do pensamento do lutador, que já entende as consequências em qualquer desfecho.

“Ele está vencendo a vida só por estar aqui”, afirmou Muhammad. “Vencer a vida, pra mim, é estar disposto a competir de novo e voltar a ficar nas áreas de treino, no wrestling, nos treinos. Não existe derrota. É um cenário perde-perde pra mim, né? Se eu ganhar, vou ser vaiado. Se eu perder, vão vaiar do mesmo jeito. Pra mim, é vitória participar disso.”

Antes de encarar Askren no RAF 11, Muhammad ainda tem compromisso marcado para a próxima semana: ele vai lutar no card principal do UFC Fight Night 278, neste sábado, contra Gabriel Bonfim. O confronto será na Meta APEX, em Las Vegas, com transmissão pelo Paramount+. No duelo, Muhammad chega com cartel de 24-5 no MMA e 15-5 no UFC, enquanto Bonfim tem 19-1 no MMA e 6-1 na organização.

Muhammad também tem alguma familiaridade com Askren. Durante o início das carreiras, ambos treinaram sob a bandeira da Roufusport. Apesar de não serem próximos como amigos, Muhammad demonstra respeito pelo adversário e, principalmente, pela história vivida por ele.

“Quando eu ainda estava no Titan FC, eu consegui fazer alguns treinamentos com ele. Na época, ele era campeão do Bellator”, lembrou Muhammad. “Eu, obviamente, olhava pra ele como: ‘caramba, esse cara é campeão, é um monstro’. Era pra ali que eu queria chegar. Ele sempre foi gente boa, sempre foi tranquilo. Ouvir a história dele e ver o que ele viveu… muitos dos meus amigos próximos e parceiros de treino são muito ligados a ele.”

Para saber mais detalhes sobre a preparação e a leitura de Muhammad para o retorno de Askren, o lutador também apareceu em entrevista completa no podcast “The Bohnfire”, com o repórter sênior Mike Bohn.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.