Ronda Rousey reage às provocações de Kayla Harrison e acirra rivalidade no UFC

Ronda Rousey não demonstra qualquer ressentimento com Gina Carano antes do confronto que se aproxima, mas a postura muda de figura quando a conversa envolve a atual campeã dos galos do UFC, Kayla Harrison. Enquanto a relação entre Rousey e Carano segue cordial, o mesmo não pode ser dito sobre as trocas de farpas entre Rousey e a detentora do cinturão — especialmente após comentários recentes de Harrison.

Rousey rebate críticas sobre treino no judô

Em março, Harrison mirou Rousey ao comentar uma situação envolvendo o treinamento que ocorre entre judokas. Na versão de Harrison, seria como uma sessão de longa duração, em que a pessoa no centro permanece lá até alguém conseguir vencê-la. Rousey, que conquistou medalha de bronze olímpica no judô, também já dividiu a mesma equipe dos Estados Unidos com Harrison, que depois se tornou bicampeã olímpica na modalidade.

Na ocasião, Harrison afirmou que Rousey estaria inventando a história. Segundo ela, Rousey teria dito que, por orgulho, ficaria por cerca de uma hora com as outras atletas, até que um homem de 90 quilos, eventualmente, teria “pena” e entraria para arremessá-la. Harrison negou veementemente, chamando a narrativa de mentira e insistindo que “isso nunca aconteceu”.

Na quarta-feira, Rousey respondeu com uma reação dura. Ela rebateu diretamente Harrison, dizendo que a lutadora teria alegado que Rousey teria mentido sobre treinar no Canadá em 2006. Rousey questionou quem Harrison seria para chamá-la de mentirosa, lembrando que treinou no local por cinco meses e destacando que, naquele período, Harrison não estava presente.

Rousey ainda reforçou sua reputação pública como alguém que não mede palavras quando o assunto é verdade. No mesmo tom, ela criticou o que chamou de “contradições” na postura de Harrison, apontando que, após a conquista do cinturão, a atleta teria falado de forma positiva sobre Rousey, mencionando que teria sido cuidada durante um período difícil no Japão e que teria recebido até ajuda com compras no local.

Fechando a provocação, Rousey fez um ataque irônico: “Como você quer que eu acredite no que diz se você tenta trocar o roteiro depois? Fica quieta e come suas compras”, disse, em uma alfinetada que deixou claro o desconforto com os comentários atribuídos a Harrison.

Disputa sobre “maior luta feminina da história”

Na mesma entrevista de março, Harrison também lamentou o fato de o duelo entre Rousey e Carano estar sendo vendido como o maior combate feminino da história, citando que as duas atletas voltariam ao octógono depois de um hiato somado de 27 anos. Rousey, segundo o contexto da matéria, não lutava desde 2016, quando sofreu a segunda derrota seguida por nocaute antes de se afastar do UFC. Já Carano não competia desde 2009, quando perdeu para Cris Cyborg no Strikeforce.

Harrison chegou a chamar Rousey de “irrelevante” nesse momento, principalmente enquanto ela se prepara para defender o cinturão do UFC contra Amanda Nunes. Nunes é amplamente apontada como a maior lutadora de MMA feminino de todos os tempos, e também foi a responsável por eliminar Rousey em sua última luta pelo UFC.

Rousey aproveitou o embalo para devolver as provocações. Ela disse que Gina Carano seria tão relevante que teria sido “a razão” para a existência da divisão até 145 libras. No mesmo raciocínio, Rousey afirmou que Harrison seria quem não conseguiu manter a categoria em evidência — ao mesmo tempo em que insinuou que a rival estaria frustrada por não conseguir mudar o fato de que teria “a carisma de uma toalha molhada”, além de permanecer sempre em “sombra” de Carano e dela própria.

Rousey ainda completou que, da próxima vez que Harrison quisesse falar mal, ela deveria olhar para os próprios pés e lembrar quem teria aberto o caminho que a atleta estaria percorrendo. A provocação final foi direta: Rousey afirmou que Harrison não conseguiria nem olhar para baixo por estar segurando o cinturão com um colar cervical, em referência ao estado físico da campeã.

Cirurgia no pescoço e adiamento contra Nunes

A última ofensa de Rousey faz ligação com o fato de Harrison ter passado por cirurgia no pescoço recentemente. Esse procedimento teria atrasado a luta contra Amanda Nunes, que originalmente estava marcada para o UFC 324 em janeiro. Mesmo com a alteração no calendário e o confronto em aberto, Rousey seguiu irritada com a forma como a luta de Harrison teria sido tratada no card.

Rousey critica posição de luta co-main e compara com Pimblett

De acordo com o que Rousey destacou, o combate entre Harrison e Nunes deveria ocupar a luta principal preliminar do evento — isto é, o co-main event — enquanto uma disputa interina de peso leve entre Justin Gaethje e Paddy Pimblett serviria como principal atração do card.

Rousey discordou do posicionamento e afirmou que Harrison e o treinador Hunter Campbell estariam agindo como se a próxima luta fosse o maior combate feminino de todos os tempos. Em seguida, ela questionou por que, então, a luta estaria sendo marcada como co-main em uma noite que teria um título interino masculino em jogo.

Rousey também provocou comparando Harrison a Paddy Pimblett, dizendo que a rival não seria “maior” do que o britânico. Na continuidade, ela fez questão de minimizar a crítica ao citar que Pimblett teria mais potencial do que qualquer pessoa no UFC e que, se quisesse falar mais, deveria chamar Rousey quando o contrato dele terminasse.

Rousey e a aposta em recordes contra Carano

Com o card de Rousey contra Carano recebendo apoio da Netflix, que reúne mais de 325 milhões de assinantes, torna-se plausível imaginar que o evento terá números relevantes de audiência. Mesmo assim, Rousey tratou com desprezo a sugestão de que a luta de Harrison contra Nunes possa superar o interesse gerado por seu confronto com Carano.

Na visão de Rousey, quando as duas finalmente entrarem no octógono em 16 de maio, o duelo seria capaz de quebrar todos os recordes. Ela questionou a lógica de Harrison tratar a própria luta como a maior da história, enquanto, ao mesmo tempo, receberia menos do que Rousey recebeu dez anos antes.

Rousey então lançou uma pergunta direta a Harrison: se ela estaria supervalorizada ou superpaga. Mais do que dinheiro, a atleta afirmou que o que mais a irritava era a forma como a rival diminuía o tamanho do evento. Para Rousey, o duelo contra Carano não seria apenas o maior confronto feminino de todos os tempos, mas o maior evento de MMA da história, com grande volume de visualizações na maior plataforma do card e com o protagonismo de duas mulheres que teriam “ousado sonhar grande”.

Rousey também projetou que o impacto dessa luta traria mais oportunidades e uma divisão de receitas maior para as atletas do que qualquer coisa vista antes. Ela reforçou que o combate seria grande além do duelo entre ela e Carano, representando uma mudança inevitável dentro do esporte, conduzida pelas próprias lutadoras. Para encerrar, Rousey afirmou que apostaria tudo que se trataria do maior evento de MMA de todos os tempos, sem comparação.

Atualização: possível resposta de Harrison

ATUALIZAÇÃO: Após o discurso de Rousey, Harrison aparentemente respondeu de forma a encerrar a disputa, em uma publicação acompanhada de mídia divulgada nas redes.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.