Burns x Malott no UFC em Winnipeg: onde assistir e odds do main event

Gilbert Burns e Mike Malott se enfrentam no main event do UFC Fight Night 273, em Winnipeg, em uma luta de cinco rounds no peso-médio (welterweight). O confronto coloca um grappler experiente e em evolução no aspecto ofensivo e defensivo no centro do octógono contra um strik ers canadense que cresce no ritmo do combate com pressão, chutes no alcance e combinações construídas a partir de ameaças e fintas — com o detalhe de que Malott tende a montar sua estratégia favorecendo a trocação, mas também busca controle no clinch e pode ameaçar com finalizações, especialmente a guilhotina.

Ritmo, trocação e gatilhos: como Burns e Malott podem se desenhar dentro do cage

Burns chega ao duelo como um grappler consolidado e, além do wrestling e da luta agarrada, vem trabalhando para ser um perigo completo também em pé. A leitura é que ele tem se tornado uma ameaça crescente na trocação, usando a movimentação para avançar com ofensivas que parecem “acessar” rápido — com destaque para o gancho direto/gancho forte de direita que costuma ficar carregado no fundo da guarda, pronto para entrar quando a oportunidade aparece. Mesmo chutando bem as pernas, o brasileiro também tem mostrado sinais de melhorar a percepção defensiva contra chutes baixos, tanto na checagem quanto nos contragolpes após receber o golpe.

O ponto que dá tempero ao confronto é que o contragolpo funciona como uma via de mão dupla: se Burns tenta responder aos ataques de Malott, a resposta do canadense pode vir com precisão, principalmente quando Malott encontra ângulos para punir a entrada.

Do outro lado, Malott tem o estilo de um lutador “pensante”, com uma base tática e um uso de estímulos (ameaças) para chegar ao que quer. Embora ainda haja a expectativa de que ele incorpore mais jabs ao repertório, ele compensa isso com movimentação ativa no alcance de chutes, trabalhando bem a partir de fintas e mantendo consistência no ritmo. A forma como ele constrói combinações costuma partir de feintes envolvendo quadril e variações de “marcha” de base tailandesa, preparando o caminho para avançar e trocar de posição com combinações que chegam em sequência.

Um detalhe importante na leitura do jogo é a escolha de Malott: em vez de chutar para depois socar, ele prefere “pontuar” com socos saindo dos chutes. Quando o adversário entra com força, a tendência é que ele tenha ganchos e cruzados de contragolpe com boa precisão — mecânicas que podem ser determinantes nesse tipo de luta, em especial se Burns insistir em aproximar para derrubar ou encurtar a distância.

  • Burns tende a avançar com perigo de direita e vem ajustando defesa e contragolpes contra chutes de perna.
  • Malott trabalha estímulos e fintas para entrar em combinações, com ênfase em contra-ataques com gancho e cruzado.
  • A dinâmica de contragolpe pode definir quem “dita” o tempo: se Burns reage bem, ele encurta; se Malott responde, ele ganha volume com precisão.

Guilhotina, clinch e wrestling: o que o grappling pode decidir no peso-meio

O cenário “no papel” favorece Burns, mas o caminho mais provável para ele passa por tentar levar a luta para o chão. Como grappler, ele tem credenciais tanto dentro quanto fora do kimono: é campeão mundial da IBJJF no gi e também apresenta domínio técnico que evoluiu desde que entrou no MMA. A leitura é que ele refinou o pacote de habilidades ao longo do tempo, conectando diferentes ferramentas para reduzir limitações e aumentar as opções em cada fase do combate.

O desenvolvimento do brasileiro é associado a uma busca por referências de wrestling e por melhorias em bases e transições. A ideia é que Burns tenha absorvido ensinamentos com foco em captura e construção de terreno, permitindo que ele sustente o jogo no período em que a luta fica perto das grades — seja defendendo quedas e atacando no momento da saída, seja encaixando “trips” (quedas por desequilíbrio) e encadeando suas próprias tentativas de levar o adversário ao chão.

Apesar do avanço no wrestling chamar atenção, há um alerta natural: derrubar e manter o controle não é um procedimento “sem risco”. Malott, por sua vez, vem sendo visto como um produto do trabalho do treinador Hooft, com crescimento consistente na pressão e no uso de ameaças em pé. Além disso, no grappling ofensivo, ele tem uma inclinação clara para a guilhotina — o que sugere que, se Burns errar timing ao tentar levar a luta para baixo, pode abrir uma janela para a finalização.

Malott também tem um jogo de agarramento com ataque ativo. No clinch, ele costuma trabalhar com variações de over-unders para criar desequilíbrio e buscar quedas, com boa presença para “trocar” o momento da transição. E quando consegue chegar por cima, a tendência é que ele não perca tempo: o objetivo é avançar e gerar ofensividade, usando o topo para ameaçar e transformar controle em vantagem concreta.

Histórico e favoritismo: odds, idade e o que a pressão pode fazer com cada cartel

Em termos de mercado, os apostadores e o público estão favorecendo Malott. As cotações citadas colocam o canadense como favorito a -320, enquanto Burns aparece a +235. A leitura do cenário é que, apesar do favoritismo fazer sentido, a precificação inicial e a diferença de spread sugerem que o mercado pode ter se guiado por viés de “recência” antes de ajustar a linha conforme a expectativa real do confronto.

Mesmo com a linha voltando a se aproximar do “equilíbrio” enquanto a análise é escrita, ainda existe o recado de que Burns pode ter uma noite difícil — principalmente considerando o recorte recente. O brasileiro está perto dos 40 anos e vem de uma sequência de quatro derrotas seguidas, o que aumenta a pressão sobre a consistência do desempenho. Ao mesmo tempo, há um histórico: em lutas anteriores, Burns já demonstrou falhar diante de contragolpeadores sólidos, aqueles que conseguem punir a aproximação e cortar o ritmo do brasileiro.

Outro ponto levantado é que Burns não teria vencido um adversário considerado em fase atlética de auge ao atuar no peso welter. A pergunta central, então, é “o quão no topo” Malott realmente está — e quanto espaço existe para evolução quando o confronto envolve um lutador que, aos 34 anos e com 15 anos de carreira profissional, pode estar tecnicamente no melhor momento, mas ainda deixa dúvidas sobre o teto do jogo.

Do lado de Malott, a crítica tática passa por detalhes: a ausência de uma presença constante de jab que ajude a estruturar o combate, e um padrão de “entregar” posições melhores no cage e depois perder de volta o terreno conquistado, especialmente por sua tendência a ensaiar e encenar ofensivas do lado de fora antes de consolidar o controle. Esse tipo de hábito pode dar chance para o adversário retornar, tanto em vitórias quanto em derrotas — e fica mais evidente quando Malott é “esticado” na luta, isto é, quando é puxado para situações longas e sem o controle total do ritmo.

Há também a observação de que, em trocas estendidas no grappling, Malott não teria rendido tão bem, principalmente diante de um desafio específico no half-guard wrestling — um jogo considerado difícil e que exigiu muito dele. A preocupação, portanto, é que, se Malott permitir que Burns estique fases tanto em pé quanto no chão, o canadense possa acabar sendo “surpreendido” por um acúmulo que transforme o combate em uma sequência de vantagem para o brasileiro.

Por fim, a leitura conclui que Burns pode não ter o mesmo porte ou a cadência de socos retos que já dificultaram Malott no passado, mas o brasileiro tem capacidade de contrapor e encurtar para entrar por dentro. A expectativa é que ele entenda o trabalho e tente criar o cenário de “níveis” — uma luta em que o plano dele cresce conforme o tempo passa, especialmente no meio dos rounds.

Palpite e janela do combate: início, transmissão e desfecho esperado

O palpite apresentado é ousado, mas direto: Burns deve voltar a vencer e forçar uma paralisação por golpes no meio das rodadas. A previsão também sugere que o caminho do desfecho tende a passar por atingir o momento certo para transformar a vantagem técnica em finalização do ponto de vista dos golpes, não apenas em controle.

Como main event, Burns e Malott devem entrar no octógono por volta de 22h15 (horário de Brasília) na noite do evento, sendo citado como aproximadamente 10:15 p.m. ET. A transmissão da luta acontece no Paramount+.

  • Previsão de resultado: vitória de Gilbert Burns por finalização via golpes, com foco no meio do combate.
  • Horário estimado: por volta das 22h15 (horário de Brasília), equivalente a aproximadamente 10:15 p.m. ET.
  • Evento: UFC Fight Night 273, em Winnipeg.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.