Burns x Malott no UFC Winnipeg: canadense em alta e luta que mexeu no Top 10

No sábado, 18 de abril de 2026, o UFC desembarcou no Canada Life Centre, em Winnipeg, no estado de Manitoba (Canadá), para o evento UFC Winnipeg. No duelo principal, o canadense em ascensão Mike Malott buscou entrar no Top 10 ao enfrentar o brasileiro Gilbert Burns, ex-candidato ao cinturão. No coevento principal, Charles Jourdain, também do Canadá, tentou manter a invencibilidade na categoria dos pesos-galos contra Kyler Phillips, enquanto “Air” tentava prolongar o início perfeito da carreira. Apesar de o card ter recebido algumas críticas antes do início, as lutas entregaram momentos acima do esperado — com destaque para atuações de lutadores do país anfitrião e alguns golpes decisivos que mudaram o rumo dos confrontos.

Oh Canada!

Em uma noite de resultados mistos para atletas do Canadá, “Proper” Mike conseguiu fazer valer o peso do main event e levou a melhor. A apresentação de Malott foi, acima de tudo, um exercício de boxe. Embora seja reconhecido pelo estilo mais baseado em chutes e por alternar a postura com frequência, ele ajustou o plano ao enfrentar um grappler de alto nível como Burns, evitando abrir mão da própria base e sem se comprometer com ataques mais voltados às pernas.

Com controle de distância, Malott manteve-se dentro de sua postura e trabalhou principalmente com o jab, escolhendo momentos para interromper os ataques amplos de Burns e responder em seguida. Esse foco no golpe de entrada ajudou a criar espaço, mas também acabou atraindo algumas investidas de chute na perna do brasileiro. Ainda assim, a estratégia se mostrou eficiente: a partir do segundo round, Malott começou a encaixar o direto de direita na região da guarda alta de Burns, fazendo com que cada sequência de golpes desestabilizasse o veterano.

Paciente ao perseguir a finalização, Malott esperou o instante certo e, com o passar do tempo, acertou um golpe forte em combinação — um uppercut seguido de esquerda e gancho — que derrubou Burns com força. A partir daí, o canadense seguiu com controle e golpes pesados no chão, selando a primeira vitória dele em uma disputa principal no UFC. Com o triunfo, Malott chegou a quatro vitórias consecutivas e somou sete triunfos em oito lutas no total, colocando o atleta na expectativa de pelo menos a 11ª posição do ranking na próxima atualização.

Offense Over Takedowns

Charles Jourdain x Kyler Phillips foi uma luta empolgante do começo ao fim. Phillips conseguiu impor o próprio jogo no início, levando a melhor no wrestling e derrubando Jourdain com relativa facilidade, aproveitando a movimentação do adversário para buscar o controle no solo.

Entretanto, assim que a luta foi parar no chão, o panorama mudou. Phillips encontrou dificuldades para construir ofensiva consistente diante do ritmo constante de Jourdain. O canadense vivia tentando ameaças: buscava encaixes de guilhotina, colocava o adversário em situações próximas de kimura e ainda tentava voltar a ficar em pé. Mesmo quando Phillips conseguia passar a guarda, ainda era obrigado a reagir ao trabalho de Jourdain no chão, sem conseguir transformar as posições em golpes próprios com a mesma intensidade.

No segundo round, a dinâmica começou a virar. Phillips demonstrou sinais de cansaço, enquanto Jourdain ficou mais difícil de derrubar. Com mais tempo para trabalhar em pé, “Air” passou a atacar em diferentes ângulos e distâncias: acertou mãos diretas à esquerda no meio da trocação, repetiu chutes e, em alguns momentos, até saltou para finalizar com joelhadas à distância. Além disso, Jourdain conseguiu conectar bem uppercuts e joelhadas depois do duplo clinch com pegada na gola e voltou a pressionar o ritmo da luta.

Phillips ficou exaurido e sofreu com o volume, mas manteve atenção suficiente para não cair em uma guilhotina perigosa. Ainda assim, o mérito do duelo foi de ambos: Phillips cavou o terceiro round com mais agressividade, priorizando boxe e combinações de contra-ataque que conseguiram acertar Jourdain por alguns momentos.

Jourdain, porém, não deixou a reação do adversário virar domínio. Ele continuou investindo repetidamente, forçando um ritmo exaustivo e retomando o crescimento do confronto. Nos minutos finais, conseguiu recuperar momentum, empurrando Phillips para trás e acertando golpes que pesaram o suficiente para influenciar a leitura dos jurados no encerramento.

O resultado foi uma luta muito divertida e que manteve Charles Jourdain invicto na divisão de 135 libras. A atuação de Phillips no wrestling foi um ponto de preocupação — afinal, ele conseguiu derrubar com facilidade em fases importantes — mas, como “Air” respondeu com uma vitória emocionante, a leitura do público foi de que o atleta canadense saiu com um triunfo que valeu pela entrega e pela eficiência em pé.

Two Minutes Of Chaos

Havia receio de que Jai Herbert x Mandel Nallo virasse um duelo mais controlado, com disputa pontuada e poucos riscos. Essas preocupações não se confirmaram. O combate virou uma troca intensa, com quedas que levaram os dois a momentos de instabilidade até que um dos lutadores não conseguisse mais se manter em pé.

Nallo foi quem começou a acertar primeiro. Logo no início, ele pressionou Herbert assim que o combate começou e o acertou com um chute alto, abalando o adversário. Quando Herbert tentou reorganizar a posição para se recuperar, Nallo conseguiu conectar com força novamente, derrubando-o com múltiplos golpes de mão direita. Mesmo em um cenário delicado, Herbert conseguiu se movimentar o bastante para manter a luta longe de uma interrupção precoce.

Sobrevivendo ao primeiro assalto, Herbert voltou a ficar de pé com base nas pernas. A pressão continuou: Nallo insistiu até que acabou entrando em um contragolpe de direita mais agressivo, que o derrubou novamente. O canadense estreante se levantou, voltou a acordar na luta e tentou retomar o ritmo, mas, ao contrário de Herbert, ele parecia mais instável.

Mesmo assim, Nallo seguiu avançando, e Herbert optou por receber com contra-ataques mais limpos. Com uma sequência curta e eficiente, Herbert conectou uma combinação de quatro golpes que o colocou novamente no chão. Não houve “milagre” desta vez: a luta seguiu sem espaço para a recuperação, encerrando uma noite caótica em pouco tempo.

Com 37 anos, Herbert não entra mais na disputa por topo de divisão. Ainda assim, “The Black Country Banger” segue sendo uma pedreira difícil de enfrentar, e o que ele mostrou na noite não conversa com a marca de 4-5 no UFC que ele carregava até então.

One Punch, One Kill

A estreia de Marcio Barbosa no octógono durou o tempo de uma decisão: quando ele escolheu soltar o primeiro golpe de verdade, Dennis Buzukja já caiu apagado. O brasileiro é conhecido pelo poder de nocaute, mas o modo como ele conduziu o começo foi de controle e paciência.

Nos instantes iniciais, Barbosa permitiu que Buzukja conectasse alguns chutes no começo e se manteve mais observador, lendo movimentos e esperando a chance ideal. Assim que Buzukja deu um passo à frente para tentar uma combinação mais firme, Barbosa respondeu com explosão: ele desviou, devolveu com dois golpes e fechou a sequência com um gancho de esquerda encaixado de maneira perfeita na linha do queixo.

Quando Buzukja tocou o chão, ficou completamente apagado. Foi um debut impecável de Barbosa, lembrando a destruição recente de Julian Erosa por Lerryan Douglas na estreia. A perspectiva de um confronto entre dois novos especialistas em nocaute, em tese, promete uma troca explosiva.

Return of the Bulldozer

Depois de três anos longe do octógono, Tanner Boser voltou ao UFC como peso-pesado na noite contra o estreante Gokhan Saricam. Com a divisão ainda sem muita profundidade, a volta do canadense foi bem-vinda.

Boser entrou para lutar, alternando a postura e atacando com golpes grandes, buscando trocação com força. Saricam não recuou e respondeu com combinações, fazendo com que ambos acertassem o outro por várias vezes durante a troca. Mesmo com dois atletas de grande porte, o ritmo foi surpreendentemente alto e não caiu de forma relevante no segundo round. Eles continuaram trocando bombas, e os chutes na canela de Boser também começaram a encaixar.

O problema é que, para o retorno de Boser, somente vontade não bastou. A mão direita rápida de Saricam encontrou o alvo com consistência, derrubando o canadense repetidas vezes. Saricam o colocou para baixo ainda perto do fim do primeiro round e voltou a fazer o mesmo duas vezes na segunda etapa, mesmo parecendo que o próprio turco começava a cansar.

O que chamou atenção foi a velocidade do braço de trás de Saricam: ele seguia encontrando o caminho até que Boser não conseguiu mais se reerguer e acabou cedendo de vez. Foram duas lutas empolgantes na categoria pesada em apenas duas semanas — e a sensação é de que o cenário pode estar mudando.

Additional Thoughts

  • Robert Valentin derrotou Julien LeBlanc por finalização com estrangulamento em posição de costas no primeiro round. Foi a quarta tentativa que deu certo para “Robzilla!”. Depois de um início de 0-3 no UFC, Valentin acelerou o ritmo e partiu para o ataque logo no começo, garantindo uma queda inicial. Pouco depois, ele já estava por trás, trabalhando o antebraço sob a linha do queixo e apertando a ameaça. Foram cerca de um minuto de controle até que Valentin conseguisse desgastar a defesa de LeBlanc até o momento do tap.

  • John Yannis venceu Jamie Siraj por nocaute no primeiro round. A segunda participação dele no octógono foi bem mais produtiva do que a estreia. Diante do canadense, que é faixa-preta de BJJ, Yannis conseguiu administrar bem a distância e estabeleceu o boxe sem dar brechas para Siraj buscar agarrar as pernas. Com o tempo, ele acertou um gancho de direita e derrubou o adversário. Siraj voltou rápido, mas Yannis continuou conectando golpes de potência de forma constante. Mesmo com a pressão, Siraj ainda caiu no chão mais vezes do que o público gostaria, até que o árbitro interrompeu a luta.

Para a lista completa de resultados do UFC Winnipeg e o detalhamento do que aconteceu em cada luta, a cobertura trazia o play-by-play do evento.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.