Cody Durden entrou no octógono com a sensação de que, após quatro derrotas seguidas, não havia espaço para mais um tropeço. Depois de um revés em março no UFC 326, o americano recebeu um convite para atuar na China no fim de maio, mas o planejamento teve de ser ajustado por conta de problemas físicos que ainda exigiam exames. Durden contou que a organização o chamou para enfrentar Rei Tsuruya no dia 30 de maio, perguntando logo após a sua luta anterior, quando ele ainda não tinha condições de avaliar o próprio quadro. Segundo o lutador, poucos dias depois do combate, o joelho já estava “estragado” e ele precisou fazer raio-X no polegar, acreditando que poderia estar fraturado; no fim, descobriu-se uma lesão bem mais séria do que o esperado, mas sem fratura. Como ainda precisava confirmar a situação do joelho e do dedo, ele disse que pediu um pouco de tempo para retornar com uma resposta após realizar ressonância e novos exames. Durden também mencionou que viu online que a luta dele na China acabou mudando de adversário, e que ficou ok com isso, apesar de não ser um cenário ideal, já que a viagem envolve custos altos para equipe e uma logística longa.
Em vez de parar para recuperar apenas quando estivesse 100% liberado, Durden decidiu voltar aos treinamentos assim que teve condições. Ele seguiu para a American Top Team sem saber exatamente quando seria o próximo compromisso, mas com uma única certeza: quando o UFC chamasse novamente, ele precisaria estar pronto. O período de espera em casa foi curto em termos de empenho, ainda que ele tenha passado três semanas treinando. Durden relatou que, no dia 1º de abril, optou por encerrar o tempo longe do ritmo mais pesado e retornar a Coconut Creek, com o objetivo de voltar à coluna das vitórias. “Eu disse para minha esposa que precisava sair, que era 1º de abril, que tinha que voltar para Coconut Creek e entrar no modo certo. Ela concordou”, afirmou. Pouco depois, duas semanas antes, o UFC voltou a buscá-lo: a organização ofereceu uma luta contra Ode Osbourne no dia 11 de julho. Durden gostou imediatamente do encaixe, lembrando que esteve ao lado do adversário no UFC 327 e que, dias depois, a chance surgiu novamente.
O problema é que a preparação para Osbourne mal tinha começado quando o cenário foi revirado por um novo convite, dessa vez com prazo menor. O agente Ali Abdelaziz entrou em contato para informar que o UFC queria Durden em outra data, no dia 9 de maio, contra Jafel Filho. O lutador afirmou que estranhou o curto intervalo, já que o prazo era de apenas três semanas e ele ainda lidava com a existência de outro compromisso em curso. Ainda assim, Durden disse que tentou negociar com Mick Maynard, pedindo uma garantia de que seria “uma a mais” oportunidade caso aceitasse. A resposta veio afirmativa: o acordo seguiu e, com três semanas até o UFC 328, Durden acreditou que conseguiria cumprir o papel, mesmo sem estar em uma condição ideal. Só que, mais uma vez, o cronograma desandou.
Durden descreveu que, no dia 25 de abril, recebeu mensagens e ligações relacionadas a voo e logística, e percebeu que algo não estava certo: a luta teria sido reposicionada para o mesmo fim de semana, e não mais para o dia 9. Ele disse que ligou para Ali e ouviu para não se preocupar, que ainda seria no dia marcado, mas ao comunicar a situação ao UFC ficou claro que ele não conseguiria bater o limite de 125 libras em apenas cinco dias. Na segunda-feira, Ali voltou a procurá-lo pedindo desculpas e explicando que o ajuste havia sido um erro, oferecendo a possibilidade de manter a luta no fim de semana. Durden então negociou mais um pouco com Maynard e, com o tempo encurtado, decidiu aceitar mesmo assim, embarcando rapidamente: saiu de sua cidade na Flórida, seguiu direto para Las Vegas, reuniu a equipe e foi para a batalha.
Com apenas quatro dias para se preparar, e enfrentando um adversário que teve um ciclo completo de treinamento, Durden sabia que as probabilidades contra ele eram grandes. Mesmo assim, ele conseguiu suportar um confronto duro por três rounds, em uma disputa que foi marcada por troca intensa e resistência até o fim. A vitória veio após uma luta que parecia improvável, já que o histórico recente colocava o lutador em situação delicada, mas ele conseguiu “virar” a narrativa ao vencer nos cards e sair do octógono com o resultado positivo. Embora, tecnicamente, a luta não fosse tratada como uma espécie de decisão direta sobre o emprego, Durden admitiu que o triunfo trouxe segurança sobre o futuro dentro do UFC.
Durden enfatizou que tinha muito a perder, mas que entrou com paciência e com uma mentalidade diferente, transformando o foco em cada round. Ele disse que, no passado, seu “modo” sempre foi de pensar como se fosse “matar ou morrer”, buscando sempre levar a luta para cima e reagindo quando o ritmo do oponente caía ou quando ele próprio era pressionado demais. Nos últimos meses, ele sentiu que estava caindo com frequência, então ajustou o plano: trocou a forma de encarar a luta para uma abordagem mais cadenciada, deixando as situações aparecerem ao invés de forçar ações o tempo todo. Para ele, esse ponto de virada foi decisivo. O lutador também ressaltou o peso das negociações: como havia sido garantido “mais uma chance”, a sensação era de que ele ganharia duas oportunidades em vez de apenas uma, o que o fez dedicar ainda mais esforço no treino, inclusive passando longos períodos longe da família, vivendo praticamente dentro da academia na American Top Team. Quando a porta do octógono fecha, ele disse que a responsabilidade é tomar as escolhas certas dentro da jaula, assim como se faz fora dela, e que sentiu que no dia do combate “encaixou tudo”.
Depois de recolocar o rumo no lugar, Durden não quer que essa sensação desapareça e já pensa no próximo passo. Ele afirmou que, mesmo sem ter recebido uma confirmação oficial do UFC, acredita que o duelo contra Ode Osbourne no UFC 329, em julho, ainda faz sentido e está disposto a manter o caminho. “Eu acho que vou conseguir um novo contrato e aí lutar contra Ode. Se eles ainda quiserem seguir esse roteiro, ótimo. Se não quiserem, a gente vai por outra rota. Desde que eu tenha segurança e um novo contrato, eu luto contra qualquer um”, declarou. Durden ainda citou que treina diariamente com Kyoji Horiguchi e Alexandre Pantoja, dizendo que são adversários do mais alto nível e que, por isso, qualquer outro desafio que venha a partir daí não o assusta: para ele, a mensagem é clara—se houver oportunidade, ele encara.

